OS GATILHOS QUE A ROTULAGEM PODE CAUSAR EM PESSOAS COM TRANSTORNO ALIMENTAR

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
OS GATILHOS QUE A ROTULAGEM PODE CAUSAR EM PESSOAS COM TRANSTORNO ALIMENTAR
Autores
  • Cícera Juliana Alves Pereira
  • Ana Beatriz Andrade Ferreira
  • Ana Beatriz Fonteles Beckman
  • Diná Alves de Sousa
  • Janeanne Nascimento Silva
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Saúde global e Direitos humanos - abordagens em saúde como direito fundamental e os desafios globais em saúde pública.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385803-os-gatilhos-que-a-rotulagem-pode-causar-em-pessoas-com-transtorno-alimentar
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Rotulagem de alimentos, Transtornos alimentares, Anorexia nervosa, Bulimia nervosa, Calorias, Controle alimentar.
Resumo
INTRODUÇÃO: A rotulagem de alimentos representa um componente essencial nas estratégias de promoção da saúde pública, oferecendo ao consumidor informações claras sobre composição, valores nutricionais, alergênicos e alertas relevantes. Ao indicar valores calóricos, presença de açúcares, gorduras ou sódio, os rótulos buscam apoiar escolhas alimentares mais conscientes e seguras. Contudo, quando se analisa o impacto dessa prática em pessoas com transtornos alimentares — especialmente anorexia e bulimia nervosa — observa-se que a exposição a informações calóricas e nutricionais pode atuar como um gatilho emocional e comportamental, intensificando o controle obsessivo, a restrição alimentar e o sentimento de culpa. Assim, compreender como a rotulagem influencia tais indivíduos é fundamental para repensar políticas públicas e estratégias de comunicação alimentar mais sensíveis e inclusivas. OBJETIVO: O objetivo desta pesquisa é discutir a importância da rotulagem correta e transparente, abordando aspectos como a identificação de alergênicos, informações nutricionais e regulamentação vigente, bem como investigar de que forma a exposição contínua a rótulos pode se tornar um gatilho em pessoas com transtornos alimentares, especialmente em indivíduos com anorexia e bulimia. Busca-se compreender como a busca pelo corpo ideal e a obsessão pelo consumo de calorias são reforçadas por meio das informações presentes nas embalagens dos alimentos. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, na qual foram identificados e analisados artigos científicos publicados em bases de dados nacionais e internacionais. Foram selecionados estudos que abordam a relação entre rotulagem de alimentos e transtornos alimentares, com foco na influência dos rótulos sobre o comportamento alimentar, percepção corporal e gatilhos psicológicos. Os resultados foram organizados de forma a fornecer uma visão ampla, crítica e concisa sobre a importância da rotulagem correta, destacando também seus possíveis efeitos adversos sobre populações vulneráveis. RESULTADOS Rotulagem e o controle do consumo calórico Estudos recentes evidenciam que a presença de informações calóricas em rótulos e cardápios pode modificar o comportamento alimentar de pessoas com transtornos alimentares. De acordo com Roberto et al. (2017), mulheres diagnosticadas com anorexia ou bulimia optaram por refeições significativamente menos calóricas quando expostas a menus com informação nutricional, em comparação com menus sem esses dados. O estudo demonstra que a rotulagem atua como estímulo para a restrição alimentar, reforçando o medo de consumir alimentos considerados “altos em calorias”. Outro estudo, publicado pelo International Journal of Eating Disorders, apontou que indivíduos com transtornos alimentares apresentam maior atenção aos valores calóricos e reagem emocionalmente a essas informações, com aumento de ansiedade, culpa e sentimentos de fracasso ao ultrapassar limites autoimpostos (TROMPETER et al., 2025). Assim, a rotulagem calórica, embora benéfica para o público em geral, pode intensificar sintomas clínicos em pessoas com anorexia ou bulimia, funcionando como um gatilho que estimula a vigilância extrema sobre o que é ingerido. Rotulagem fora de casa e impacto social A implementação de políticas de rotulagem em restaurantes e redes de fast food, embora tenha o objetivo de combater a obesidade, mostrou-se problemática para pessoas com transtornos alimentares. Uma revisão sistemática realizada pela University College London (2025) identificou que indivíduos com anorexia e bulimia relataram aumento de ansiedade e evitação de ambientes sociais após a introdução de rótulos calóricos em cardápios. Muitos afirmaram que preferem não sair para comer a fim de evitar o confronto com informações numéricas, o que agrava o isolamento social e dificulta a recuperação. Os temas emergentes dessa revisão incluem: “atração pelas calorias”, “facilitação do transtorno alimentar”, “reassurance” (busca de segurança), e “frustração” (PUBMED, 2025). Essa relação paradoxal — entre necessidade de informação e sofrimento psicológico — mostra que a rotulagem deve ser reformulada em ambientes públicos, considerando impactos emocionais de grupos vulneráveis. A regulamentação e o desafio ético da rotulagem A rotulagem correta é exigida por lei e orientada por normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), visando à transparência e proteção do consumidor. No entanto, ainda há lacunas quando se trata do impacto psicológico dessa informação. De acordo com a BMJ Public Health (2025), políticas de rotulagem, embora bem-intencionadas, podem agravar sintomas de transtornos restritivos, caso não sejam acompanhadas de estratégias educativas e suporte psicológico. É necessário, portanto, repensar o formato de apresentação das informações. Alguns países já estudam modelos de rotulagem personalizada, onde o consumidor pode optar por visualizar ou ocultar o valor calórico, preservando o direito à informação sem causar desconforto a pessoas em tratamento para transtornos alimentares. Dessa forma, a discussão transcende o aspecto técnico da rotulagem e alcança dimensões éticas e psicológicas, desafiando nutricionistas, psicólogos e legisladores a adotarem uma abordagem mais empática e inclusiva. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo revelou que, embora a rotulagem de alimentos tenha papel crucial na educação alimentar e na saúde pública, ela também pode atuar como gatilho psicológico para pessoas com transtornos alimentares. A exposição constante a valores calóricos e informações nutricionais detalhadas reforça comportamentos de restrição, medo de comer e comparação obsessiva, especialmente em indivíduos com anorexia e bulimia. Constatou-se que pessoas com esses transtornos prestam mais atenção aos rótulos, fazem escolhas alimentares mais restritas e relatam sentimentos de culpa e ansiedade diante de informações calóricas. Em ambientes sociais, a presença de rotulagem pode aumentar o isolamento, dificultando a recuperação e o convívio. Em contrapartida, a rotulagem é indispensável para garantir transparência e segurança alimentar, especialmente na identificação de alergênicos e ingredientes críticos. O desafio, portanto, está em equilibrar a informação com a sensibilidade psicológica, promovendo formatos que informem sem gerar sofrimento. Recomenda-se que políticas públicas futuras considerem alternativas como: Opção de esconder valores calóricos em cardápios; Campanhas de conscientização sobre transtornos alimentares; Parcerias entre órgãos de saúde, universidades e associações de pacientes; Formação de nutricionistas com enfoque humanizado e interdisciplinar. Para finalizar, a evolução da rotulagem correta e transparente deve ser vista não apenas como uma obrigação legal, mas como um imperativo de comunicação ética e inclusiva, transformando a embalagem em uma ferramenta de saúde pública que respeita as necessidades de todos os consumidores; essa mudança exige a superação do marketing enganoso e a adoção de formatos acessíveis que garantam o entendimento universal (como a rotulagem frontal), sendo fundamental o cuidado especial com a linguagem e o foco na qualidade nutricional para evitar o reforço de obsessões e gatilhos para aqueles que enfrentam desafios complexos de saúde mental e alimentar.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEREIRA, Cícera Juliana Alves et al.. OS GATILHOS QUE A ROTULAGEM PODE CAUSAR EM PESSOAS COM TRANSTORNO ALIMENTAR.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385803-OS-GATILHOS-QUE-A-ROTULAGEM-PODE-CAUSAR-EM-PESSOAS-COM-TRANSTORNO-ALIMENTAR. Acesso em: 18/03/2026

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