ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA LÚDICA NAS CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA ( TEA)

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA LÚDICA NAS CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA ( TEA)
Autores
  • Yasmim Martins Silva
  • José Vinicius Alves Patricio
  • Bárbara Alexandre Pacífico de Araújo
  • claudia alves de alencar
  • Maria Deuzilene da Silva
  • Antonia Daiane Silva de Lavor
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385613-atuacao-da-fisioterapia-ludica-nas-criancas-com-transtorno-do-espectro-autista-(-tea)
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Transtorno do espectro autista, Ludicidade, Intervenção e Fisioterapia pediátrica.
Resumo
INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR (2023) e pela Classificação Internacional de Doenças – CID-11 (OMS, 2022) como um transtorno do neurodesenvolvimento que compromete de forma variável a comunicação, a interação social e o comportamento. Caracteriza-se por padrões repetitivos e restritos de interesse e atividade, geralmente identificados nos primeiros três anos de vida, com maior prevalência no sexo masculino. O TEA apresenta um espectro amplo, o que significa que cada pessoa pode manifestar os sintomas de forma distinta, variando desde leves dificuldades sociais até comprometimentos mais graves da comunicação e da autonomia funcional. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022) indicam que uma a cada 100 crianças no mundo pode apresentar algum grau de autismo, o que torna esse transtorno uma questão relevante de saúde pública e social. No Brasil, ainda são escassos os estudos epidemiológicos que retratam a realidade nacional, mas pesquisas como as de Guedes et al. (2015) já apontam para o aumento progressivo dos diagnósticos. As crianças com TEA frequentemente apresentam hipotonia muscular, déficit de equilíbrio, dificuldades de coordenação motora e atraso psicomotor, o que compromete suas atividades diárias e a interação com o meio. Diante disso, o papel da fisioterapia é fundamental, pois atua diretamente na promoção da função motora, da postura, do equilíbrio e da mobilidade, favorecendo a independência e a inclusão social (Azevedo, 2016; Gusmão, 2016). Entretanto, a simples aplicação de exercícios convencionais pode se tornar pouco atrativa e desmotivadora para crianças autistas, que apresentam padrões de comportamento repetitivos e resistência a mudanças. Nesse sentido, o uso de atividades lúdicas dentro do contexto fisioterapêutico tem se mostrado uma alternativa eficiente. A ludicidade envolve o brincar, o jogo e a imaginação como recursos de aprendizado e reabilitação. Segundo Nascimento (2020) e Siaulys (2021), o brincar é a linguagem natural da criança e o meio mais eficaz de promover desenvolvimento integral. Assim, a fisioterapia lúdica se propõe a transformar o tratamento em um momento de prazer, descoberta e interação, facilitando a adesão da criança ao processo terapêutico e promovendo resultados mais abrangentes. OBJETIVO Analisar, por meio de uma revisão de literatura, a atuação da fisioterapia lúdica em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), identificando seus efeitos sobre o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social, bem como sua contribuição para a promoção da autonomia, da comunicação e da inclusão social dessas crianças. METODOLOGIA O presente estudo trata-se de uma revisão de literatura de caráter qualitativo e descritivo, que teve como objetivo reunir, analisar e discutir produções científicas sobre a atuação da fisioterapia lúdica em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A busca dos artigos foi realizada entre janeiro e junho de 2025, nas bases de dados PubMed, SciELO, BVS, PEDro e Google Acadêmico, utilizando os descritores “transtorno do espectro autista”, “fisioterapia lúdica”, “ludicidade”, “autismo” e “tratamento”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR, em português e inglês. Após a busca, os estudos foram selecionados por título e resumo, seguidos da leitura completa e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Foram incluídos artigos em português e inglês, voltados à população infantil (0 a 12 anos) com TEA, que abordassem intervenções fisioterapêuticas lúdicas. Foram excluídos trabalhos duplicados, sem acesso ao texto completo, pagos ou que não tratassem diretamente do tema. Para assegurar a qualidade metodológica, os estudos foram avaliados por meio dos instrumentos CASP (Critical Appraisal Skills Programme), aplicado a estudos qualitativos e revisões, e PEDro (Physiotherapy Evidence Database Scale), utilizado em estudos clínicos e experimentais. A pontuação obtida permitiu classificar os artigos como de qualidade alta (≥8), moderada (5–7) ou baixa (≤4), sendo considerados apenas os de qualidade moderada ou alta. A análise dos dados foi feita de forma descritiva e temática, agrupando os achados conforme quatro dimensões principais: desenvolvimento motor, cognição e atenção, interação e vínculo social e autonomia e comportamento adaptativo. As informações extraídas incluíram autor, ano, tipo de estudo, amostra, recursos lúdicos utilizados, intervenções fisioterapêuticas e resultados. Por fim, o processo de busca e seleção seguiu o modelo do fluxograma PRISMA, adaptado para revisões, contemplando as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos que compuseram a amostra final da pesquisa. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados obtidos a partir da análise dos 13 artigos mostraram que a fisioterapia lúdica gera impactos positivos em múltiplas dimensões do desenvolvimento infantil. Em termos motores, as crianças apresentaram melhorias significativas no equilíbrio, na força, na coordenação motora fina e grossa, e na postura corporal. Estudos como os de Fujisawa & Manzini (2006) e Caricchio (2017) comprovaram que o uso de atividades recreativas durante as sessões de fisioterapia favorece a adesão ao tratamento e acelera a evolução motora. Em relação ao comportamento e à socialização, autores como Santos & Ferreira (2013) e Chicon et al. (2019) observaram aumento na interação social e na motivação das crianças, especialmente quando as brincadeiras envolviam contato visual, trocas de papéis e cooperação com outras pessoas. O brincar permitiu que as crianças desenvolvessem habilidades comunicativas de forma espontânea, reduzindo o isolamento social característico do autismo. Nos aspectos cognitivos, os estudos apontaram ganhos em atenção, concentração, memória e raciocínio lógico, demonstrando que as atividades lúdicas estimulam o cérebro de forma integrada. Já Almeida & Rodrigues (2021) e Fernandes et al. (2022) destacaram que a ludicidade contribui também para o fortalecimento da autonomia, permitindo que as crianças planejem e executem movimentos com mais independência, o que reflete em maior autoestima e segurança. A análise dos estudos revelou que o brincar é uma ferramenta terapêutica poderosa, pois promove o engajamento ativo da criança no processo de reabilitação. Diferente das abordagens tradicionais, a fisioterapia lúdica transforma a sessão em um ambiente acolhedor e motivador, onde a criança aprende brincando. Segundo Siaulys (2006) e Tomé (2007), o lúdico estimula múltiplos sistemas sensoriais, integrando corpo, mente e emoção. O TEA, por ser um transtorno multifacetado, exige intervenções que abranjam não apenas o aspecto motor, mas também a cognição e o comportamento. O brincar cumpre exatamente esse papel, pois proporciona prazer, reduz a ansiedade e estimula a interação social. Anjos (2016) reforça que trabalhar a psicomotricidade por meio de atividades recreativas é fundamental para evitar atrasos no desenvolvimento e promover o aprendizado funcional. A literatura também aponta a importância de incorporar novas tecnologias, como jogos digitais interativos e realidade virtual, para potencializar os estímulos e manter o interesse da criança. Draudvilienė (2024) e Albuquerque et al. (2021) relatam que essas ferramentas melhoram o desempenho motor e cognitivo, promovendo um aprendizado mais rápido e eficaz. Outro ponto relevante é a participação da família no processo terapêutico: quando os cuidadores são orientados e participam das atividades, há maior continuidade dos estímulos em casa, o que amplia e consolida os resultados obtidos na clínica. A fisioterapia lúdica, portanto, não se limita a corrigir movimentos, mas promove uma transformação integral na forma como a criança se percebe e se relaciona com o mundo. Ao unir técnica e afeto, o fisioterapeuta atua não apenas como um profissional da reabilitação, mas como um facilitador do desenvolvimento humano. CONCLUSÃO Conclui-se que a fisioterapia lúdica é uma abordagem indispensável e altamente eficaz no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista. Por meio do brincar, a criança se envolve ativamente no processo terapêutico, aprende a explorar o próprio corpo, desenvolve habilidades motoras e cognitivas e amplia suas possibilidades de interação social. O uso do lúdico transforma a fisioterapia em um momento de prazer, criatividade e aprendizado, fortalecendo o vínculo entre terapeuta e paciente e tornando o tratamento mais humanizado e eficiente. Além dos benefícios físicos, a fisioterapia lúdica contribui para a melhora da autonomia, autoestima e inclusão social, aspectos fundamentais para a qualidade de vida da criança e de sua família. Assim, a ludicidade deve ser compreendida não apenas como uma ferramenta complementar, mas como um pilar essencial da fisioterapia pediátrica contemporânea, capaz de unir ciência, empatia e alegria em prol do desenvolvimento integral da criança com TEA.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Yasmim Martins et al.. ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA LÚDICA NAS CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA ( TEA).. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385613-ATUACAO-DA-FISIOTERAPIA-LUDICA-NAS-CRIANCAS-COM-TRANSTORNO-DO-ESPECTRO-AUTISTA-(-TEA). Acesso em: 05/03/2026

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