Título do Trabalho
PREDITORES DE FALHA NA EXTUBAÇÃO EM PACIENTES CRÍTICOS
Autores
  • LIVIA BATISTA LIMA
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385188-preditores-de-falha-na-extubacao-em-pacientes-criticos
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Falha na extubação, desmame ventilatório, ventilação mecânica, preditores clínicos, reintubação.
Resumo
Introdução A ventilação mecânica constitui um suporte terapêutico essencial em unidades de terapia intensiva (UTIs), sendo utilizada para manter a oxigenação adequada e proporcionar suporte ventilatório a pacientes com insuficiência respiratória grave (SILVA et al., 2022). Essa intervenção é frequentemente indicada em condições críticas, como síndrome do desconforto respiratório agudo, exacerbações de doenças pulmonares crônicas, pneumonias graves, acidentes vasculares cerebrais com comprometimento respiratório e em pós-operatórios de cirurgias de grande porte (PEREIRA; ALMEIDA, 2021). Estudos apontam que até 40% dos pacientes internados em UTIs necessitam de ventilação mecânica em algum momento, evidenciando sua relevância na prática clínica (COSTA et al., 2023). Apesar de sua eficácia, a ventilação mecânica não está isenta de riscos. Complicações incluem infecções respiratórias associadas ao ventilador, barotrauma, fraqueza muscular respiratória, disfunções cardiovasculares e renais, além de prolongamento da internação e aumento dos custos hospitalares (FERNANDES; LIMA, 2020). Uma das etapas mais críticas desse suporte é o desmame ventilatório e a extubação. Cerca de 10 a 15% dos pacientes apresentam falha na extubação, necessitando de reintubação, o que aumenta a morbimortalidade e os custos hospitalares (MARTINS et al., 2024). Identificar preditores que auxiliem na decisão clínica sobre o momento ideal da extubação é essencial, uma vez que a falha nesse processo impacta tanto o desfecho do paciente quanto a gestão de recursos hospitalares (SOUZA; RIBEIRO, 2023). Entre os fatores associados estão força muscular respiratória, índices respiratórios, parâmetros gasométricos, idade, comorbidades e balanço hídrico (OLIVEIRA et al., 2021). Nesse contexto, o fisioterapeuta tem papel central na avaliação da prontidão para extubação, no monitoramento e nas intervenções preventivas (CUNHA; BATISTA, 2025). Objetivo O presente estudo teve como objetivo avaliar os principais preditores associados à falha na extubação em pacientes adultos internados em unidades de terapia intensiva, buscando compreender de que forma aspectos clínicos, fisiológicos e demográficos influenciam o sucesso ou o insucesso do processo. Além disso, procurou-se comparar diferentes preditores descritos na literatura, como índices respiratórios e parâmetros gasométricos, e analisar o perfil dos pacientes com maior risco de falha, considerando idade, presença de comorbidades e tempo de ventilação mecânica. A investigação também visou identificar estratégias preventivas e intervenções terapêuticas capazes de reduzir a necessidade de reintubação e otimizar os desfechos clínicos, oferecendo subsídios à prática multiprofissional e contribuindo para a condução segura e eficiente do desmame ventilatório. Metodologia Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo, com o objetivo de identificar os principais preditores de falha na extubação em pacientes críticos adultos. A busca foi realizada nas bases PubMed, SciELO e LILACS, utilizando os descritores “falha na extubação”, “desmame ventilatório”, “fatores preditivos” e “ventilação mecânica em pacientes críticos”, nos idiomas português, inglês e espanhol, no período de 2020 a 2025. Foram incluídos estudos originais, ensaios clínicos e relatos de caso que abordassem pacientes adultos (>18 anos) sob ventilação mecânica invasiva. Foram excluídos estudos duplicados, editoriais, dissertações, artigos sem texto completo e pesquisas com populações pediátricas ou neonatais. A seleção seguiu o modelo PRISMA: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Após exclusão de duplicatas, títulos e resumos foram avaliados quanto aos critérios de inclusão. Os textos completos elegíveis foram analisados quanto à relevância e qualidade metodológica, compondo a amostra final. Os dados foram organizados em planilha contendo autor, ano, tipo de estudo, amostra, preditores analisados e principais achados. A análise foi descritiva e crítica, buscando identificar padrões, convergências, divergências e lacunas na literatura. Resultados A busca inicial resultou em 153 estudos, sendo a amostra final composta por 21 artigos. A maioria foi conduzida em UTIs de hospitais de grande porte, com amostras variando entre 20 e 450 pacientes, com idade média entre 50 e 70 anos. Houve predominância de pacientes com comorbidades respiratórias, cardiovasculares e metabólicas (DPOC, insuficiência cardíaca e diabetes mellitus). Os principais preditores identificados foram: 1. Força muscular respiratória – valores de PIM inferiores a –30 cmH₂O indicaram maior risco de falha. 2. Índices respiratórios – como TRE e IRRS, que se mostraram eficazes para identificar fadiga respiratória. 3. Parâmetros gasométricos – especialmente a PaCO₂, associada à hipoventilação. 4. Idade avançada e comorbidades, associadas à sarcopenia e menor reserva funcional pulmonar. 5. Balanço hídrico positivo, especialmente >1 L nas 24h pré-extubação, correlacionado à redução da complacência pulmonar. 6. Tosse ineficiente e secreções, dificultando a manutenção das vias aéreas. 7. Tempo prolongado de ventilação mecânica, geralmente superior a 72 h. Discussão A falha na extubação é um evento multifatorial, influenciado por aspectos respiratórios, neuromusculares e hemodinâmicos. A avaliação integrada de preditores melhora a precisão diagnóstica e reduz a necessidade de reintubação (SANTOS et al., 2022). Protocolos multidisciplinares têm demonstrado eficácia na redução das taxas de reintubação, destacando a importância da atuação fisioterapêutica no processo de desmame e na prevenção de complicações (FERREIRA; COSTA, 2023). Entretanto, a falta de padronização dos índices utilizados entre as UTIs ainda limita a aplicabilidade universal desses parâmetros (RODRIGUES et al., 2024). Outro ponto relevante observado na literatura é a influência do estado nutricional e da força muscular periférica sobre o sucesso da extubação. Pacientes com desnutrição, perda de massa magra ou sarcopenia apresentam menor resistência à fadiga respiratória e pior desempenho durante o desmame ventilatório. A insuficiência proteico-calórica compromete a força dos músculos respiratórios, dificultando a ventilação espontânea prolongada e aumentando o risco de falha. Nesse contexto, a avaliação nutricional precoce e a implementação de estratégias de suporte nutricional adequadas são essenciais para otimizar a recuperação funcional e reduzir complicações relacionadas à reintubação. Esses achados reforçam a importância de uma abordagem integral do paciente crítico, considerando não apenas parâmetros ventilatórios, mas também fatores metabólicos e nutricionais que impactam diretamente o sucesso do processo de extubação (ALMEIDA; TORRES, 2023). Além disso, fatores sistêmicos como edema, instabilidade hemodinâmica e tempo de sedação interferem significativamente nos desfechos, reforçando a necessidade de avaliação global e individualizada (BARBOSA; NUNES, 2021). Os achados desta revisão sugerem que a integração entre avaliação clínica, fisiológica e funcional deve orientar o planejamento do desmame, priorizando segurança e eficácia (CUNHA; BATISTA, 2025). Conclusão A falha na extubação representa um desafio clínico relevante, com impacto direto na morbimortalidade e nos custos hospitalares. Os principais preditores identificados foram força muscular respiratória, índices respiratórios, parâmetros gasométricos, idade, comorbidades e balanço hídrico. A combinação desses indicadores permite decisões clínicas mais assertivas e intervenções personalizadas. O fisioterapeuta exerce papel fundamental nesse processo, conduzindo avaliações precisas e implementando estratégias preventivas que reduzem complicações e melhoram os desfechos. Persistem lacunas na literatura, como a ausência de protocolos padronizados e validação multicêntrica dos índices, o que reforça a necessidade de novas pesquisas que consolidem parâmetros clínicos confiáveis aplicáveis a diferentes contextos hospitalares.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LIMA, LIVIA BATISTA. PREDITORES DE FALHA NA EXTUBAÇÃO EM PACIENTES CRÍTICOS.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385188-PREDITORES-DE-FALHA-NA-EXTUBACAO-EM-PACIENTES-CRITICOS. Acesso em: 14/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes