EFEITOS DAS MANIPULAÇÕES DE ALTA VELOCIDADE E BAIXA AMPLITUDE NO TRATAMENTO DA HÉRNIA DE DISCO.

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
EFEITOS DAS MANIPULAÇÕES DE ALTA VELOCIDADE E BAIXA AMPLITUDE NO TRATAMENTO DA HÉRNIA DE DISCO.
Autores
  • ARTHUR LOPES GRANGEIRO
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385160-efeitos-das-manipulacoes-de-alta-velocidade-e-baixa-amplitude-no-tratamento-da-hernia-de-disco
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Hérnia de disco; Manipulação vertebral; Fisioterapia; HVLA.
Resumo
1. Introdução A hérnia de disco intervertebral é uma das condições musculoesqueléticas mais prevalentes da atualidade, associada à degeneração do disco e à compressão radicular que resulta em dor lombar e ciatalgia (El Melhat et al., 2024). Estima-se que cerca de 80% da população mundial apresentará algum episódio de dor lombar ao longo da vida, e parte expressiva desses casos está relacionada à hérnia de disco (Thoomes, 2023). A crescente incidência dessa patologia tem sido relacionada ao envelhecimento populacional, à adoção de estilos de vida sedentários e à sobrecarga biomecânica. Tais fatores tornam imprescindível o desenvolvimento de intervenções conservadoras eficazes, seguras e acessíveis. Nesse cenário, a fisioterapia desempenha papel central, utilizando recursos como exercícios terapêuticos, educação em saúde e técnicas manuais, entre as quais se destacam as manipulações de alta velocidade e baixa amplitude (HVLA). A HVLA é amplamente empregada na prática clínica para restaurar mobilidade articular, reduzir dor e melhorar a função. Seus efeitos fisiológicos envolvem desde mecanismos biomecânicos locais até modulação central da dor (Serio, 2023; Langefeld et al., 2025). Apesar disso, a aplicação da HVLA em casos de hérnia de disco ainda é tema de debate, especialmente quanto à sua segurança e efetividade em comparação a outras abordagens fisioterapêuticas. revisão busca reunir e analisar criticamente as evidências recentes acerca da HVLA no tratamento da hérnia de disco, contribuindo para o embasamento da prática fisioterapêutica baseada em evidências. 2. Metodologia Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, metodologia que permite reunir, avaliar e sintetizar resultados de estudos empíricos sobre determinado tema. A questão norteadora formulada foi: “Quais são os efeitos clínicos e fisiológicos da manipulação HVLA no tratamento da hérnia de disco, considerando dor, incapacidade funcional, qualidade de vida e segurança?” Bases de dados: PubMed, Cochrane Library, Scopus, PEDro, CINAHL e BVS. Descritores (DeCS/MeSH): “lumbar disc herniation”, “high-velocity low-amplitude”, “spinal manipulation”, combinados com operadores booleanos AND/OR. Critérios de inclusão: artigos publicados entre 2020 e 2025, em português, inglês ou espanhol, de delineamentos experimentais ou quase-experimentais. Critérios de exclusão: revisões narrativas, estudos de caso e artigos não revisados por pares. A triagem ocorreu em duas etapas: leitura de títulos/resumos e análise integral dos textos elegíveis seguindo o fluxograma PRISMA (2020). A avaliação metodológica foi conduzida pelas ferramentas RoB 2 (para ensaios clínicos) e ROBINS-I (para estudos observacionais). 3. Resultados Foram incluídos 23 estudos que investigaram o uso da HVLA em pacientes com hérnia de disco lombar. A maioria dos ensaios clínicos demonstrou redução significativa da dor lombar e radicular, avaliada por escalas como a EVA (Escala Visual Analógica) e o Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI). Estudos como os de Danazumi et al. (2023) e Shi et al. (2025) mostraram que a combinação de HVLA com exercícios terapêuticos potencializa os resultados, promovendo maior ganho funcional e retorno às atividades diárias. Alanazi et al. (2025) observaram que a manipulação pode gerar respostas neuromusculares benéficas, como redução da rigidez segmentar e ativação de músculos estabilizadores da coluna. Em relação à qualidade de vida, pesquisas recentes (Lohman et al., 2024; Taşkaya et al., 2024) apontaram melhora significativa nos domínios físicos e psicológicos após o tratamento com HVLA, indicando benefícios que transcendem o alívio sintomático. Quanto à segurança, os estudos revisados reportaram baixa incidência de eventos adversos, geralmente dor local transitória e rigidez muscular leve. Nenhum estudo apontou complicações graves decorrentes da manipulação quando esta foi aplicada de forma adequada por fisioterapeutas capacitados (Ghasabmahaleh et al., 2021; Langefeld et al., 2025). Esses achados sustentam a HVLA como uma abordagem eficaz e segura no manejo conservador da hérnia de disco lombar. 4. Discussão Os resultados desta revisão reforçam que a HVLA representa um recurso valioso na reabilitação de pacientes com hérnia de disco, promovendo alívio da dor, melhora funcional e otimização da mobilidade articular. Sua ação parece decorrer de uma interação complexa entre efeitos biomecânicos e neurofisiológicos (Alanazi et al., 2025). Diversos autores demonstraram que a manipulação HVLA induz respostas de modulação da dor tanto no nível periférico quanto central, através da ativação de vias inibitórias descendentes e reorganização cortical observada por estudos de neuroimagem funcional (Du et al., 2024). Essa modulação explica a melhora clínica rápida relatada em muitos casos, mesmo em situações de compressão discal moderada. Além disso, a associação entre manipulação e exercícios terapêuticos mostrou-se mais efetiva do que a aplicação isolada da técnica, apontando para a importância de protocolos multimodais. Abordagens que combinam HVLA, mobilização neural e fortalecimento do core promovem recuperação mais completa, reduzindo o risco de recidiva (Awadalla et al., 2023). O impacto positivo sobre aspectos psicossociais, como ansiedade e medo de movimento, também foi descrito (Taşkaya et al., 2024), reforçando o papel da HVLA dentro de um modelo biopsicossocial de cuidado fisioterapêutico. Do ponto de vista clínico, a aplicação da HVLA deve seguir critérios rigorosos de triagem e segurança. Pacientes com déficits neurológicos progressivos, extrusões volumosas ou sinais de instabilidade vertebral devem ser cuidadosamente avaliados antes da manipulação (Thoomes, 2023). O uso de protocolos padronizados e registro sistemático de eventos adversos são medidas essenciais para consolidar a segurança da técnica. Apesar dos resultados positivos, ainda existem lacunas na literatura. Há escassez de estudos multicêntricos de longo prazo e inconsistência na padronização dos parâmetros de aplicação (força, número de sessões e regiões manipuladas). Langefeld et al. (2025) e Bertoni et al. (2023) defendem a necessidade de ensaios clínicos robustos que correlacionem alterações biomecânicas com resultados clínicos, fortalecendo o corpo de evidências sobre a técnica. Outro desafio refere-se à formação profissional. A execução segura e efetiva da HVLA requer conhecimento anatômico detalhado e treinamento específico, o que reforça a importância de currículos acadêmicos que contemplem a prática baseada em evidências e as diretrizes éticas de manipulação vertebral. Por fim, o uso da HVLA deve ser entendido não como tratamento isolado, mas como componente integrativo dentro de um plano de reabilitação global, ajustado às necessidades e condições clínicas de cada paciente. 5. Conclusão A revisão integrativa demonstrou que a manipulação de alta velocidade e baixa amplitude (HVLA) é uma intervenção eficaz, segura e cientificamente respaldada para o tratamento conservador da hérnia de disco lombar. A técnica promove alívio significativo da dor, melhora da função e da qualidade de vida, especialmente quando associada a programas de exercícios terapêuticos e educação em saúde. Contudo, ainda se faz necessária a realização de estudos de maior rigor metodológico, com amostras amplas e seguimento prolongado, a fim de confirmar a durabilidade dos efeitos e definir protocolos clínicos padronizados. Conclui-se que a HVLA deve ser considerada uma ferramenta terapêutica promissora dentro do arsenal da fisioterapia musculoesquelética, desde que aplicada de forma criteriosa, baseada em evidências e voltada à individualidade do paciente.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GRANGEIRO, ARTHUR LOPES. EFEITOS DAS MANIPULAÇÕES DE ALTA VELOCIDADE E BAIXA AMPLITUDE NO TRATAMENTO DA HÉRNIA DE DISCO... In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385160-EFEITOS-DAS-MANIPULACOES-DE-ALTA-VELOCIDADE-E-BAIXA-AMPLITUDE-NO-TRATAMENTO-DA-HERNIA-DE-DISCO. Acesso em: 14/03/2026

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