O USO TERAPÊUTICO DO CANABIDIOL EM PACIENTES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR.

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
O USO TERAPÊUTICO DO CANABIDIOL EM PACIENTES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR.
Autores
  • Lídia De Fátima Costa Rosal
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385122-o-uso-terapeutico-do-canabidiol-em-pacientes-com-disfuncao-temporomandibular
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Canabidiol, Disfunção temporomandibular, Dor orofacial, Odontologia, Terapia alternativa.
Resumo
Introdução: A disfunção temporomandibular (DTM) compreende um conjunto de alterações que acometem a articulação temporomandibular e a musculatura mastigatória, manifestando-se por dor orofacial, limitação funcional e prejuízos na qualidade de vida. Sua etiologia multifatorial — envolvendo componentes musculares, articulares e psicossociais — explica a variabilidade de respostas aos tratamentos convencionais e a busca por alternativas terapêuticas com melhor perfil de efetividade e segurança. Nesse cenário, o canabidiol (CBD), fitocanabinoide não psicoativo da Cannabis sativa, tem sido investigado como adjuvante no manejo de dor e inflamação associadas às algias orofaciais relacionadas à DTM (Grossman; Tan; Gadiwalla, 2021; Ríos; Fernandez-Solari, 2022). Apesar do avanço das evidências, persistem desafios metodológicos e clínicos: heterogeneidade entre delineamentos, variabilidade de posologias e rotas, períodos de seguimento curtos e amostras reduzidas. Esses limites reforçam a importância de sínteses críticas que consolidem achados, identifiquem lacunas e orientem agendas de pesquisa — especialmente no que se refere a desfechos clínicos relevantes, eventos adversos e parâmetros de dose-resposta em DTM (Cronin; George, 2023; Batista; Kumada, 2021). Diante desse quadro, o presente estudo tem por objetivo analisar criticamente as evidências sobre o uso terapêutico do canabidiol em pacientes com DTM, considerando eficácia, segurança, limites e possibilidades de aplicação clínica, bem como o enquadramento regulatório nacional. Objetivo: Analisar os efeitos terapêuticos do canabidiol (CBD) no tratamento de pacientes com disfunção temporomandibular (DTM), com ênfase na sua atuação analgésica, anti-inflamatória e reguladora do sistema endocanabinoide. Objetivos específicos: Avaliar os mecanismos fisiológicos e farmacológicos de ação do canabidiol no controle da dor associada à DTM; Identificar os principais benefícios e limitações do uso do CBD como recurso terapêutico complementar no manejo da disfunção temporomandibular; Analisar a regulamentação sanitária vigente no Brasil referente à prescrição e uso de produtos à base de canabidiol na prática odontológica. Metodologia: Trata-se de estudo de cunho bibliográfico, delineado como revisão integrativa da literatura, desenvolvido para sintetizar e analisar criticamente as evidências sobre o uso terapêutico do canabidiol em dor orofacial associada à disfunção temporomandibular. A pergunta norteadora foi estruturada segundo o modelo população, intervenção, comparação e desfechos, considerando como população indivíduos com disfunção temporomandibular, como intervenção o uso de canabidiol ou derivados, como comparadores cuidados convencionais ou placebo, e como desfechos intensidade de dor, função mandibular, qualidade de vida e eventos adversos. A busca bibliográfica foi realizada nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Google Scholar, complementada por rastreamento das listas de referências dos estudos elegíveis para identificar literatura adicional pertinente. Foram utilizados descritores controlados e termos livres em português, inglês e espanhol, incluindo combinações de “temporomandibular”, “disfunção temporomandibular”, “dor orofacial”, “cannabidiol”, “cannabis” e “canabinoide”, conectados pelos operadores booleanos AND e OR. Os critérios de inclusão abrangeram estudos com texto completo disponível nas línguas portuguesa, inglesa ou espanhola, que envolvessem amostras humanas com diagnóstico de disfunção temporomandibular ou dor orofacial relacionada e que avaliassem intervenções com canabidiol isolado ou em formulações combinadas com predominância de canabidiol. Foram excluídos editoriais, cartas, opiniões, relatos anedóticos sem mensuração de desfechos, estudos exclusivamente pré-clínicos ou em animais, duplicatas e publicações com incongruência metodológica grave que impedisse a interpretação dos resultados. A triagem de títulos e resumos foi realizada de forma independente por dois revisores, seguida da leitura do texto completo dos estudos potencialmente elegíveis, com resolução de discordâncias por consenso. Resultados: A revisão bibliográfica identificou um corpo de publicações recentes que investigam o uso do canabidiol no manejo da dor orofacial associada à disfunção temporomandibular, com amostras predominantemente adultas, seguimentos de curto a médio prazo e variedade de delineamentos. Observou-se que a heterogeneidade metodológica entre ensaios clínicos, estudos observacionais e revisões exigiu uma síntese narrativa, preservando a comparabilidade por meio de eixos temáticos. Em conjunto, os achados sugerem consistência na direção dos efeitos, apesar da diversidade de protocolos, doses e instrumentos de medida utilizados. Essa consistência se manifesta sobretudo na tendência de redução da dor e em ganhos funcionais, ainda que com magnitudes variáveis entre estudos. Tais elementos justificam o enquadramento do canabidiol como intervenção adjuvante em cenários clínicos selecionados (Briques; Pereira; Feliz, 2023; Grossman; Tan; Gadiwalla, 2021). Discurssão: A análise crítica do conjunto de estudos indica que o canabidiol (CBD) se apresenta como adjuvante promissor para dor e disfunção associadas à DTM, com sinal consistente de redução de intensidade dolorosa e melhora funcional quando integrado a planos multimodais (Grossman; Tan; Gadiwalla, 2021; Votrubec et al., 2022). Apesar da heterogeneidade metodológica, a direção do efeito se mantém favorável, sobretudo em amostras com predomínio de componente miofascial e quando há titulação individualizada de dose, acompanhamento longitudinal e metas terapêuticas claras (Briques; Pereira; Feliz, 2023). Esse panorama é compatível com a fisiopatologia multifatorial da DTM e com a necessidade de estratégias que atuem simultaneamente nos eixos nociceptivo, inflamatório e psicossocial (Tambeli et al., 2023). No eixo mecanístico, a plausibilidade biológica do CBD é sustentada por sua atuação moduladora sobre o sistema endocanabinoide e alvos como TRPV1, sistemas serotoninérgicos e receptores de glicina, com potenciais efeitos anti-hiperalgésicos e anti-inflamatórios (Tanganelli et al., 2023). Ao interferir em vias de sensibilização periférica e central, o CBD pode reduzir a hiperexcitabilidade neuronal e a manutenção de dor crônica, fenômenos implicados na cronificação da DTM (Ríos; Fernandez-Solari, 2022). Essa base mecanística confere coerência interna aos achados clínicos e justifica a continuidade de pesquisas translacionais que correlacionem biomarcadores e desfechos (Abidi et al., 2022). Conclusão: À luz da literatura analisada, o canabidiol (CBD) se apresenta como adjuvante potencial no manejo da dor e da disfunção associadas à DTM, sobretudo quando inserido em planos terapêuticos multimodais e centrados no paciente. Os sinais de benefício convergem para reduções de dor, melhora funcional mandibular e impactos positivos em variáveis psicossociais, sem que se observem, no curto prazo, problemas de segurança que inviabilizem sua utilização clínica supervisionada. Do ponto de vista prático, a melhor tradução da evidência disponível ocorre quando o CBD é compreendido como ferramenta complementar, e não substitutiva, articulada com educação em dor, exercícios terapêuticos, suporte psicossocial e dispositivos intraorais quando indicados. Por fim, recomenda-se que futuras pesquisas priorizem ensaios clínicos randomizados com amostras maiores, seguimento prolongado e estratificação por fenótipos de DTM, além de comparações entre vias de administração e padronização de concentrações. A incorporação de desfechos centrados no paciente, biomarcadores e medidas objetivas funcionais aumentará a robustez das conclusões e a aplicabilidade clínica. Enquanto esse corpo de evidências amadurece, o CBD pode ocupar lugar legítimo no arsenal terapêutico da DTM, desde que empregado com rigor técnico, integração multiprofissional e avaliação contínua de efetividade e segurança.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ROSAL, Lídia De Fátima Costa. O USO TERAPÊUTICO DO CANABIDIOL EM PACIENTES COM DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR... In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385122-O-USO-TERAPEUTICO-DO-CANABIDIOL-EM-PACIENTES-COM-DISFUNCAO-TEMPOROMANDIBULAR. Acesso em: 12/03/2026

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