ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS EM PREMATUROS - COMPARAÇÃO ENTRE TÉCNICAS DESOBSTRUTIVAS

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS EM PREMATUROS - COMPARAÇÃO ENTRE TÉCNICAS DESOBSTRUTIVAS
Autores
  • Bárbara Alexandre Pacífico de Araújo
  • José Vinicius Alves Patricio
  • Yasmim Martins Silva
  • Ana Lívia Araruna de Lima
  • Damiana Elisiane Dos Santos
  • Antonia Daiane Silva De Lavor
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385046-abordagens-fisioterapeuticas-em-prematuros---comparacao-entre-tecnicas-desobstrutivas
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Fisioterapia respiratória, recém-nascido prematuro, unidade de terapia intensiva neonatal e técnicas desobstrutivas.
Resumo
1. INTRODUÇÃO A prematuridade representa um desafio relevante à saúde pública mundial, sendo um dos principais fatores associados à morbimortalidade neonatal. Os recém-nascidos prematuros apresentam imaturidade funcional de diversos sistemas, com destaque para o respiratório, que frequentemente se manifesta por complicações como atelectasias, síndrome do desconforto respiratório e broncodisplasia pulmonar. A vulnerabilidade dessa população demanda cuidados especializados e uma equipe multiprofissional qualificada para garantir suporte ventilatório adequado, estabilidade clínica e desenvolvimento saudável. Nesse contexto, a fisioterapia respiratória neonatal ocupa papel essencial na prevenção e tratamento de disfunções pulmonares, uma vez que visa otimizar a ventilação alveolar, melhorar a troca gasosa e reduzir o esforço respiratório. As intervenções fisioterapêuticas aplicadas em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) buscam restabelecer a permeabilidade das vias aéreas e favorecer a respiração espontânea, por meio de técnicas manuais e recursos não invasivos, adaptados à fragilidade do neonato. Dentre as diversas técnicas empregadas, as manobras desobstrutivas são amplamente utilizadas para mobilizar e remover secreções, prevenir atelectasias e promover melhor oxigenação. No entanto, ainda há divergências na literatura quanto à eficácia e à segurança de cada abordagem. As técnicas de Aumento do Fluxo Expiratório (AFE), Desobstrução Rinofaríngea Retrógrada (DRR), Vibrocompressão Torácica (VCT) e Reequilíbrio Tóraco-Abdominal (RTA) são frequentemente descritas, mas variam quanto à aplicabilidade clínica, tolerância do recém-nascido e resultados fisiológicos. Considerando a relevância do tema e a necessidade de fundamentar práticas baseadas em evidências, o presente estudo buscou comparar, na literatura científica, as principais técnicas desobstrutivas aplicadas na fisioterapia respiratória neonatal, analisando seus impactos clínicos, benefícios e limitações no manejo das complicações respiratórias de recém-nascidos prematuros. 2. OBJETIVO 2.1. Objetivo geral Comparar, na literatura, as principais técnicas desobstrutivas utilizadas no tratamento de complicações respiratórias e no desenvolvimento pulmonar de recém-nascidos prematuros. 2.2. Objetivos específicos • Identificar as técnicas fisioterapêuticas desobstrutivas mais empregadas na UTIN; • Avaliar a eficácia das técnicas quanto à melhora dos parâmetros respiratórios e à mobilização de secreções; • Analisar os impactos clínicos de cada técnica, considerando conforto, segurança e estabilidade hemodinâmica; • Discutir as lacunas existentes e perspectivas para novas pesquisas na área. 3. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e descritivo, realizada entre março e outubro de 2025, com o propósito de reunir, analisar e comparar evidências científicas disponíveis sobre as técnicas fisioterapêuticas desobstrutivas aplicadas em recém-nascidos prematuros internados em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, SciELO e PEDro, utilizando os descritores controlados: “fisioterapia respiratória”, “recém-nascido prematuro”, “unidade de terapia intensiva neonatal” e “técnicas desobstrutivas”. Foram incluídos estudos publicados entre 2012 e 2025, em português e inglês, que abordassem intervenções fisioterapêuticas voltadas à desobstrução das vias aéreas em neonatos prematuros. Os critérios de inclusão contemplaram artigos originais, ensaios clínicos, revisões integrativas e relatos de caso que apresentassem relevância clínica e fundamentação metodológica consistente. Foram excluídos estudos fora do período estabelecido, pesquisas com amostras não neonatais, trabalhos sem texto completo e publicações que não tratassem especificamente de técnicas desobstrutivas. Após a leitura dos títulos e resumos, os estudos elegíveis foram analisados integralmente, considerando: tipo de técnica, parâmetros avaliados, resultados clínicos e conclusões. A análise seguiu abordagem qualitativa, comparando evidências, benefícios e limitações de cada técnica identificada. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES A literatura revisada destacou cinco principais abordagens fisioterapêuticas desobstrutivas aplicadas em recém-nascidos prematuros: Aumento do Fluxo Expiratório (AFE), Desobstrução Rinofaríngea Retrógrada (DRR), Vibrocompressão Torácica (VCT), Reequilíbrio Tóraco-Abdominal (RTA) e o posicionamento terapêutico como técnica complementar. O Aumento do Fluxo Expiratório (AFE) foi a técnica com maior evidência científica e consistência clínica. Estudos como os de Antunes et al. (2006), Oliveira, Santos e Viviani (2013) e Macedo et al. (2024) demonstraram que sua aplicação promove melhora significativa na saturação periférica de oxigênio, redução da frequência respiratória e maior estabilidade hemodinâmica, sem alterar o fluxo sanguíneo cerebral (Krauss et al., 2016). A técnica consiste na aplicação de leve pressão torácica ou abdominal durante a fase expiratória, favorecendo a mobilização das secreções em direção às vias aéreas centrais. Por ser não invasiva, de baixo risco e bem tolerada pelos neonatos, o AFE se consolidou como a técnica de escolha em UTINs. Além de sua eficácia, a literatura destaca a segurança neurológica e o impacto positivo no conforto do paciente, o que reforça a importância da humanização no cuidado fisioterapêutico neonatal. A Desobstrução Rinofaríngea Retrógrada (DRR) apresentou bons resultados principalmente em casos de obstrução das vias aéreas superiores. Estudos como o de Gomes et al. (2018) evidenciaram que a técnica melhora o conforto respiratório, o padrão de sono e o desempenho na sucção e deglutição, fatores essenciais para o ganho de peso e o desenvolvimento global do neonato. Trata-se de uma manobra inspiratória forçada, podendo ser associada à instilação de soro fisiológico, com o objetivo de eliminar secreções acumuladas na rinofaringe. Embora eficaz, sua ação é restrita às vias aéreas superiores e não impacta significativamente parâmetros respiratórios globais. Dessa forma, a DRR é considerada complementar, sendo indicada para bebês com congestão nasal recorrente ou dificuldade de alimentação. A Vibrocompressão Torácica (VCT), aplicada com vibrações manuais leves associadas à compressão torácica, demonstrou benefícios em casos de secreções mais densas. Bouzas, Alberganha e Motta (2019) e Moraes et al. (2014) relataram melhora da expansibilidade pulmonar e da troca gasosa, especialmente quando associada ao RTA. Contudo, o uso da técnica exige cautela, pois a aplicação incorreta pode gerar desconforto e estresse ao bebê. Por essa razão, recomenda-se seu uso apenas em situações específicas e sob rigorosa monitorização clínica. O Reequilíbrio Tóraco-Abdominal (RTA) é descrito como uma técnica complementar, voltada à harmonização dos movimentos torácicos e abdominais, favorecendo o equilíbrio entre ventilação e mobilidade diafragmática. Estudos de Moraes et al. (2014) apontam que, quando associado a outras manobras, o RTA contribui para a melhora da mecânica respiratória e da oxigenação. Apesar de promissor, o número reduzido de pesquisas com neonatos limita a padronização da técnica e reforça a necessidade de novos ensaios clínicos. O posicionamento terapêutico mostrou-se uma medida simples, mas altamente eficaz. Pesquisas de Li et al. (2015) indicam que a alternância entre as posições supina e prona durante a ventilação mecânica melhora os índices de oxigenação e reduz o tempo de desmame ventilatório. Além disso, o posicionamento influencia diretamente o conforto, o sono e a estabilidade fisiológica do bebê, sendo recomendado como recurso coadjuvante nas intervenções fisioterapêuticas. De modo geral, os resultados apontam que o AFE é a técnica com melhor evidência científica e maior aplicabilidade clínica, por garantir melhora respiratória sem comprometer a estabilidade hemodinâmica. As demais técnicas, quando associadas, potencializam os resultados e favorecem uma abordagem integrada e individualizada, que respeita a condição clínica e o conforto do neonato. Outro aspecto amplamente discutido é a humanização do cuidado fisioterapêutico. As manobras devem ser realizadas de forma delicada, com mínima manipulação e observação contínua dos parâmetros vitais. O fisioterapeuta deve atuar em colaboração multiprofissional, promovendo o bem-estar do bebê e da família. A literatura destaca ainda a carência de protocolos padronizados e a necessidade de capacitação contínua dos profissionais que atuam em UTIN. Por fim, observa-se o potencial de novas tecnologias e instrumentos de monitoramento não invasivo para aprimorar o acompanhamento das respostas fisiológicas durante a fisioterapia neonatal, permitindo maior segurança e personalização do tratamento. 5. CONCLUSÃO A revisão evidenciou que a fisioterapia respiratória é indispensável no cuidado de recém-nascidos prematuros internados em UTIN, atuando de forma decisiva na prevenção de complicações respiratórias, melhora da ventilação e promoção da adaptação pulmonar. O Aumento do Fluxo Expiratório (AFE) destacou-se como a técnica mais eficaz e segura, enquanto a Desobstrução Rinofaríngea Retrógrada (DRR) mostrou utilidade específica nas vias aéreas superiores. A Vibrocompressão Torácica e o Reequilíbrio Tóraco-Abdominal (RTA) apresentam benefícios complementares, e o posicionamento terapêutico atua como estratégia de suporte para otimizar os resultados clínicos. A escolha da técnica deve ser individualizada, considerando o quadro clínico, a tolerância e a estabilidade do neonato. Ainda que existam evidências positivas, persistem lacunas científicas quanto à padronização de protocolos, frequência e intensidade das manobras. Assim, novas pesquisas clínicas e revisões sistemáticas são necessárias para fortalecer as bases científicas da fisioterapia respiratória neonatal. Conclui-se que a atuação do fisioterapeuta na UTIN deve aliar conhecimento técnico, sensibilidade e humanização, garantindo uma prática segura e eficaz que contribua para a melhoria da qualidade de vida e do desenvolvimento global dos recém-nascidos prematuros.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ARAÚJO, Bárbara Alexandre Pacífico de et al.. ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS EM PREMATUROS - COMPARAÇÃO ENTRE TÉCNICAS DESOBSTRUTIVAS.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385046-ABORDAGENS-FISIOTERAPEUTICAS-EM-PREMATUROS---COMPARACAO-ENTRE-TECNICAS-DESOBSTRUTIVAS. Acesso em: 18/03/2026

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