A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NA ESTIMULAÇÃO PRECOCE EM PACIENTES COM PARALISIA CEREBRAL

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NA ESTIMULAÇÃO PRECOCE EM PACIENTES COM PARALISIA CEREBRAL
Autores
  • Sandra Naylane Santos Oliveira
  • José Vinicius Alves Patricio
  • Poliana Andrade
  • Antônia Yara Ricarte Almeida
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1383512-a-atuacao-da-fisioterapia-na-estimulacao-precoce-em-pacientes-com-paralisia-cerebral
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Desenvolvimento motor, Fisioterapia precoce, Paralisia cerebral, Intervenção multidisciplinar, Plasticidade neural.
Resumo
Introdução: A paralisia cerebral (PC) é uma condição neurológica não progressiva que compromete o desenvolvimento motor e postural, resultante de uma lesão no cérebro imaturo. É considerada uma das principais causas de deficiência motora na infância, afetando de 2 a 3 em cada 1.000 nascimentos (ROSENBAUM et al., 2020). Além das limitações motoras, a PC repercute nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais, exigindo uma abordagem terapêutica ampla e contínua. Nesse contexto, a fisioterapia precoce desempenha papel fundamental, pois aproveita o período de maior plasticidade neural do sistema nervoso infantil, favorecendo o aprendizado motor, a reorganização sináptica e o desenvolvimento funcional (NOVAK et al., 2022). O início das intervenções nos primeiros meses de vida potencializa ganhos em força muscular, controle postural e mobilidade, além de contribuir para a autonomia e inclusão social das crianças. A atuação fisioterapêutica precoce não se limita ao tratamento físico. Ela abrange também aspectos cognitivos e emocionais, e requer uma equipe multiprofissional integrada, composta por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e educadores. Estudos recentes indicam que intervenções interdisciplinares e centradas na família potencializam os resultados e aumentam o engajamento infantil (DAMIANO et al., 2023; KETELAAR et al., 2018). Entretanto, ainda existem lacunas quanto à eficácia comparativa dos diferentes métodos fisioterapêuticos e à manutenção dos ganhos a longo prazo, especialmente em países de baixa e média renda. Diante disso, compreender como a fisioterapia precoce influencia o desenvolvimento motor e funcional das crianças com PC é essencial para aprimorar a prática clínica e fortalecer as estratégias de reabilitação. Objetivo: Avaliar, por meio de revisão bibliográfica, os efeitos da fisioterapia precoce no desenvolvimento motor de crianças com paralisia cerebral, destacando suas contribuições para a autonomia, inclusão social e qualidade de vida. Objetivos específicos: • Analisar o impacto da fisioterapia na redução da espasticidade e na melhoria da mobilidade funcional; • Identificar a importância da atuação interdisciplinar e da participação familiar nas terapias precoces; • Discutir os principais métodos fisioterapêuticos utilizados e suas evidências de eficácia. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica integrativa, com seleção de estudos publicados entre 2020 e 2025 nas bases PubMed, Scopus, SciELO e PEDro. Foram utilizados os seguintes descritores: Paralisia Cerebral (Cerebral Palsy), Fisioterapia Precoce (Early Physical Therapy), Aprendizagem Motora (Motor Learning), Plasticidade Neural (Neural Plasticity), Teoria da Aprendizagem Social (Social Learning Theory), Autoeficácia (Self-Efficacy), Reabilitação Pediátrica (Pediatric Rehabilitation), Técnicas de Fisioterapia (Physical Therapy Techniques), Método Bobath (Bobath Concept), Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (Proprioceptive Neuromuscular Facilitation – PNF) e Terapias Lúdicas e Funcionais (Play-Based and Functional Therapies). Critérios de inclusão: artigos publicados em português, inglês e espanhol que abordassem a eficácia da fisioterapia precoce em crianças com paralisia cerebral; estudos com metodologias claras sobre frequência, intensidade e resultados das intervenções; e pesquisas baseadas em teorias de desenvolvimento motor, aprendizagem motora, plasticidade neural, autoeficácia e aprendizagem social. Critérios de exclusão: estudos com número amostral inferior a cinco crianças, pesquisas que abordassem exclusivamente tratamentos medicamentosos ou cirúrgicos, e artigos sem descrição detalhada das intervenções fisioterapêuticas. Após a triagem, 25 artigos foram incluídos, totalizando aproximadamente 450 crianças com diagnóstico confirmado de PC. As intervenções ocorreram em diferentes contextos: hospitalar (150), clínicas especializadas (120), home care (100) e clínicas-escola (80). A análise seguiu abordagem descritiva e comparativa, considerando resultados motores, funcionais e sociais. Resultados e Discussão: Os estudos analisados demonstraram que a fisioterapia precoce promove ganhos expressivos no desenvolvimento motor de crianças com PC, principalmente em força, coordenação, equilíbrio e controle postural. Em 21 dos 25 estudos avaliados, observaram-se melhoras significativas na função motora e na capacidade de realizar atividades cotidianas de forma independente (MENDONÇA et al., 2024; NOVAK et al., 2022). A redução da espasticidade foi relatada em 18 estudos, associada à prevenção de contraturas e deformidades musculoesqueléticas (VERSCHUEREN et al., 2019). Também houve melhora na mobilidade e no alinhamento postural, o que favoreceu a participação das crianças em atividades escolares e recreativas. Entre os métodos fisioterapêuticos mais eficazes, destacaram-se o Método Bobath, a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF) e as Terapias Lúdicas e Funcionais. O Bobath mostrou-se eficiente no controle postural e na normalização do tônus muscular (DAMIANO et al., 2023), enquanto a PNF favoreceu a coordenação global e o fortalecimento muscular (MARTINS et al., 2023). Já as terapias lúdicas e funcionais, ao incorporarem o brincar e o contexto cotidiano, aumentaram o engajamento e a motivação das crianças durante as sessões (CIMOLIN et al., 2024). Os ambientes de intervenção também influenciaram os resultados. Em hospitais, observou-se evolução significativa em casos mais severos, devido à frequência intensiva das terapias e ao suporte multidisciplinar. Nas clínicas especializadas, os programas individualizados proporcionaram avanços consistentes na coordenação e no equilíbrio. O modelo home care destacou-se pela adesão e continuidade do tratamento, fortalecendo o vínculo familiar. Já nas clínicas-escola, a socialização e o aprendizado em grupo favoreceram o desenvolvimento cognitivo e emocional (FERNANDES et al., 2024). Esses resultados reforçam que o sucesso da fisioterapia precoce depende da individualização do tratamento e do envolvimento familiar (ALMEIDA et al., 2024). O acompanhamento dos cuidadores permite ampliar os estímulos ao ambiente domiciliar, garantindo a continuidade das práticas motoras e favorecendo ganhos duradouros. Além dos avanços físicos, foram observados benefícios biopsicossociais relevantes. A maior independência funcional reduziu o estresse dos cuidadores e aumentou a autoestima e a confiança das crianças (MENDES; OLIVEIRA, 2024). A atuação interdisciplinar mostrou-se essencial, pois integra aspectos motores, cognitivos e emocionais, resultando em um desenvolvimento mais completo (KETELAAR et al., 2018). A introdução de tecnologias assistivas, como realidade virtual, exoesqueletos robóticos e videogames terapêuticos, desponta como tendência promissora, tornando a fisioterapia mais atrativa e dinâmica (KIM; CHOI, 2024). No entanto, o alto custo e a limitação de acesso ainda dificultam sua aplicação em larga escala. Mesmo assim, o uso criativo de recursos simples e lúdicos continua a proporcionar resultados eficazes na estimulação precoce (TORRES; FREITAS; MOURA, 2024). Apesar dos resultados positivos, a literatura apresenta limitações metodológicas, como amostras pequenas, curto período de acompanhamento e falta de padronização nas descrições das intervenções (MURPHY; WILSON, 2023). Novas pesquisas são necessárias para consolidar as evidências e definir protocolos universais de fisioterapia precoce. Em síntese, a fisioterapia precoce vai além da reabilitação motora: é um instrumento de inclusão social e promoção da qualidade de vida. Crianças com maior autonomia funcional participam de forma mais ativa de ambientes escolares e comunitários, fortalecendo seu desenvolvimento global (SZTURM et al., 2022). Conclusão A fisioterapia precoce é uma intervenção essencial na reabilitação de crianças com paralisia cerebral, proporcionando ganhos motores, cognitivos e sociais significativos. Quando iniciada nos primeiros anos de vida, favorece a plasticidade neural e previne complicações musculoesqueléticas, promovendo maior independência e qualidade de vida. Os melhores resultados são alcançados em programas individualizados, contínuos e interdisciplinares, com forte participação familiar. As abordagens que combinam métodos tradicionais, como Bobath e PNF, com terapias lúdicas e funcionais, demonstram ser as mais eficazes. Embora ainda existam desafios relacionados à padronização e ao acesso às terapias, a fisioterapia precoce consolida-se como um pilar fundamental da reabilitação infantil, promovendo o desenvolvimento global e a inclusão social de crianças com paralisia cerebral.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Sandra Naylane Santos et al.. A ATUAÇÃO DA FISIOTERAPIA NA ESTIMULAÇÃO PRECOCE EM PACIENTES COM PARALISIA CEREBRAL.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1383512-A-ATUACAO-DA-FISIOTERAPIA-NA-ESTIMULACAO-PRECOCE-EM-PACIENTES-COM-PARALISIA-CEREBRAL. Acesso em: 14/03/2026

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