PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES ACERCA DA PROMOÇÃO E PREVENÇÃO DA SAÚDE BUCAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES ACERCA DA PROMOÇÃO E PREVENÇÃO DA SAÚDE BUCAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Autores
  • Juan Dantas Mendes
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Saúde global e Direitos humanos - abordagens em saúde como direito fundamental e os desafios globais em saúde pública.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1383180-percepcao-dos-professores-acerca-da-promocao-e-prevencao-da-saude-bucal--uma-revisao-de-literatura
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
saúde bucal,professores,promoção da saúde, prevenção; ambiente escolar
Resumo
Introdução: A saúde bucal constitui parte indissociável da saúde geral e está diretamente relacionada à qualidade de vida, autoestima e bem-estar físico e social do indivíduo. Além de possibilitar funções fisiológicas como mastigação, fonação e deglutição, a condição bucal influencia o convívio social, o desempenho escolar e o desenvolvimento emocional. No entanto, doenças bucais, especialmente cáries e doenças periodontais, continuam sendo problemas prevalentes em crianças e adolescentes brasileiros, refletindo desigualdades socioeconômicas e limitações nas ações educativas em saúde (BARCELOS, 2018; BRASIL, 2010). Nesse contexto, a escola é reconhecida como um espaço estratégico para a promoção da saúde, uma vez que congrega crianças e adolescentes em fase de formação de hábitos. O ambiente escolar possibilita intervenções educativas contínuas que favorecem o desenvolvimento de atitudes preventivas e a conscientização sobre a importância da higiene bucal. A presença constante do professor e o vínculo afetivo estabelecido com os alunos fazem dele um agente fundamental na disseminação de informações e na consolidação de práticas saudáveis (NERY; JORDÃO; FREIRE, 2019). Contudo, muitos docentes ainda se sentem inseguros para abordar o tema, em razão da ausência de capacitação específica ou da falta de integração entre os setores de saúde e educação (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2020). Pesquisas apontam que a formação inicial de professores raramente inclui conteúdos relacionados à saúde bucal, o que limita sua atuação em programas interdisciplinares (MADUREIRA; VINHA, 2020). A lacuna formativa compromete o potencial da escola como promotora de saúde e reduz a efetividade de programas públicos como o Programa Saúde na Escola (PSE) e o Brasil Sorridente, que dependem da atuação articulada entre profissionais da saúde e da educação. Compreender como os professores percebem seu papel nesse processo é essencial para o fortalecimento das políticas de promoção da saúde bucal. A análise da percepção docente permite identificar barreiras institucionais, lacunas de conhecimento e estratégias eficazes de integração, contribuindo para a construção de práticas educativas mais consistentes e transformadoras. Objetivos Objetivo geral: Analisar, por meio de revisão de literatura, a percepção dos professores acerca da promoção e prevenção da saúde bucal no ambiente escolar. Objetivos específicos: Identificar estudos que tratem da relação entre professores e saúde bucal no contexto escolar. -Analisar percepções, conhecimentos e práticas docentes sobre o tema. -Verificar barreiras e facilitadores para a atuação dos professores como agentes de promoção de saúde. -Propor recomendações para capacitação e integração entre saúde e educação. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, metodologia que permite reunir e analisar de forma sistemática estudos relevantes sobre determinado tema, oferecendo uma síntese crítica das evidências disponíveis. O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases SciELO, PubMed, Google Scholar e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), entre os meses de janeiro e março de 2025. Foram adotados os descritores em português e inglês: “saúde bucal”, “professores”, “promoção da saúde”, “prevenção”, “educação em saúde”, “oral health”, “teachers”, “health promotion” e “school environment”. Os critérios de inclusão foram: artigos publicados entre 2015 e 2025; textos em português, inglês ou espanhol; estudos originais ou revisões que abordassem a atuação e percepção de professores na promoção da saúde bucal. Foram excluídos artigos de caráter exclusivamente clínico ou odontológico, sem interface com o campo educacional. O processo de seleção envolveu leitura de títulos, resumos e textos completos. Após a triagem, 15 estudos foram incluídos para análise detalhada. Os dados foram extraídos e organizados em categorias temáticas: O papel do professor como promotor de saúde; Nível de conhecimento e capacitação docente; Estratégias pedagógicas adotadas; Desafios e potencialidades das ações intersetoriais. A análise foi realizada de forma comparativa e descritiva, considerando convergências, divergências e lacunas na literatura. Resultados e Discussão: A revisão revelou um consenso entre os autores quanto ao papel central da escola na promoção da saúde bucal. A maioria dos estudos (BARCELOS, 2018; NERY et al., 2019; SILVA et al., 2023) reconhece o ambiente escolar como cenário privilegiado para o desenvolvimento de hábitos de higiene e prevenção de doenças bucais. No entanto, apontam limitações estruturais e pedagógicas que comprometem a continuidade e a eficácia dessas ações. Percepção dos professores: Os docentes reconhecem a importância da saúde bucal como parte da saúde geral e entendem sua influência no rendimento escolar e no bem-estar dos alunos. Contudo, grande parte afirma não se sentir preparada para abordar o tema, devido à falta de capacitação e materiais adequados (REBELLO et al., 2018; MADUREIRA; VINHA, 2020). Muitos relatam que as atividades sobre saúde bucal acontecem apenas quando equipes odontológicas visitam a escola, evidenciando uma abordagem ainda pontual e pouco integrada (OLIVEIRA et al., 2018). Capacitação docente: A formação continuada é apontada como o fator mais determinante para o sucesso das ações preventivas. Estudos como os de Rodrigues et al. (2020) e Costa (2022) demonstram que capacitações voltadas à saúde bucal aumentam significativamente o conhecimento, a segurança e a motivação dos professores para desenvolver atividades educativas. Entretanto, há escassez de programas permanentes de formação, sendo as capacitações geralmente pontuais e sem acompanhamento de resultados. Práticas educativas: As ações mais eficazes são aquelas que envolvem metodologias participativas, com uso de jogos, dramatizações, oficinas e escovação supervisionada (MARÍN et al., 2016; VASCONCELOS et al., 2022). Essas práticas despertam o interesse dos alunos e favorecem o aprendizado significativo. Além disso, a inserção da saúde bucal no currículo escolar, de forma interdisciplinar, é apontada como essencial para garantir a continuidade das ações (LEITE, 2022; SILVA et al., 2023). Integração entre saúde e educação: A literatura ressalta que o sucesso das iniciativas depende da articulação entre escolas e serviços de saúde, especialmente as equipes da Estratégia Saúde da Família. Programas como o PSE e o Sorriso na Escola demonstraram resultados expressivos quando houve cooperação entre professores e profissionais de odontologia (BRASIL, 2025; VASCONCELOS et al., 2022). Desafios e barreiras: Entre os principais obstáculos identificados estão a falta de tempo na grade curricular, o escasso apoio institucional, a ausência de infraestrutura (pias, kits de higiene) e a descontinuidade das ações (REBELLO et al., 2018). Também foi observada carência de avaliação sistemática dos programas e pouca participação das famílias. Discussão crítica: De modo geral, os resultados convergem com a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), que enfatiza a intersetorialidade e a educação em saúde como estratégias de empoderamento social. A literatura demonstra que, quando a escola adota práticas dialógicas e participativas, inspiradas na pedagogia de Paulo Freire, o processo educativo se torna transformador, estimulando o protagonismo dos alunos e a responsabilidade coletiva pela saúde. A ausência de capacitação docente, entretanto, mantém muitas ações no nível informativo, sem alcançar mudança de comportamento duradoura. Assim, investir na formação dos professores é condição essencial para consolidar a cultura de promoção da saúde bucal. Além disso, políticas públicas precisam assegurar recursos materiais, tempo pedagógico e articulação entre setores, de modo que o tema não dependa apenas da iniciativa individual dos docentes. Conclusão: A análise dos estudos revela que os professores ocupam posição estratégica na promoção da saúde bucal escolar, sendo agentes fundamentais para o desenvolvimento de hábitos saudáveis e para a disseminação de práticas preventivas entre alunos e famílias. No entanto, persistem limitações relacionadas à falta de capacitação, infraestrutura e apoio institucional. A literatura é unânime ao afirmar que a capacitação docente contínua e a integração entre saúde e educação são os pilares para o fortalecimento das ações preventivas. Programas intersetoriais, que envolvam escolas, unidades básicas de saúde e famílias, são indispensáveis para transformar o ambiente escolar em espaço permanente de promoção da saúde. Conclui-se que o fortalecimento das práticas de educação em saúde bucal requer políticas públicas consistentes, que reconheçam o papel do professor como mediador do conhecimento e garantam condições adequadas para sua atuação. A valorização da saúde bucal no contexto escolar não apenas contribui para a prevenção de doenças, mas também para a formação integral do cidadão e a construção de uma sociedade mais saudável e equitativa.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MENDES, Juan Dantas. PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES ACERCA DA PROMOÇÃO E PREVENÇÃO DA SAÚDE BUCAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1383180-PERCEPCAO-DOS-PROFESSORES-ACERCA-DA-PROMOCAO-E-PREVENCAO-DA-SAUDE-BUCAL--UMA-REVISAO-DE-LITERATURA. Acesso em: 05/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes