A ESCUTA COMO FERRAMENTA TERAPÊUTICA COM AS ASSISTENTES DE VELÓRIO DA FUNERÁRIA AFAGU DO GRUPO ANJO DA GUARDA EM JUAZEIRO DO NORTE-CE

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
A ESCUTA COMO FERRAMENTA TERAPÊUTICA COM AS ASSISTENTES DE VELÓRIO DA FUNERÁRIA AFAGU DO GRUPO ANJO DA GUARDA EM JUAZEIRO DO NORTE-CE
Autores
  • Débora Tavares Machado de Lucena
  • Luiza Maria Vieira de Lima
  • Aline de Andrade Marques Brandão da Fonseca
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Saúde Mental e Bem-Estar – abordagens interdisciplinares para promoção da saúde mental, prevenção e cuidado integral
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1382984-a-escuta-como-ferramenta-terapeutica-com-as-assistentes-de-velorio-da-funeraria-afagu-do-grupo-anjo-da-guarda-em
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
luto, assistente de velório, acolhimento, apoio emocional, psicologia organizacional e do trabalho
Resumo
Introdução A atuação de assistentes de velório é marcada por desafios emocionais significativos, decorrentes do contato constante com a dor e o luto de familiares enlutados. Este ambiente de trabalho impõe uma carga emocional elevada, resultando em impactos psicológicos negativos. Segundo a psicóloga organizacional do Grupo Afagu em Juazeiro do Norte - CE, a ansiedade destaca-se como um dos principais sintomas ligados a essa demanda emocional, comprometendo o bem-estar e saúde mental desses profissionais, essa informação corrobora com Cardoso (2023) quando afirma que a exposição prolongada ao sofrimento alheio pode levar à "fadiga por compaixão", um estado de esgotamento emocional que eleva o risco de transtornos de ansiedade e depressão. Outros sintomas como insônia, irritabilidade e desesperança são comuns nesses casos, conforme pesquisas de Hayasida e Assayag (2014). Nesse contexto, a roda de conversa surge como uma ferramenta terapêutica de grande potencial para proporcionar um espaço seguro de escuta, troca de experiências e apoio emocional. Essa prática não só visa diminuir sintomas de ansiedade como também construir um ambiente de acolhimento e suporte mútuo, onde as assistentes possam compartilhar dificuldades e estratégias de enfrentamento. Ramos (2013) e Costa (2014) indicam que tais práticas coletivas reduzem o estresse e fortalecem a resiliência emocional. A função dessas profissionais as coloca como verdadeiras ferramentas de escuta para os enlutados, muitas vezes sobrecarregadas pelo peso da dor alheia ao mesmo tempo em que enfrentam seus próprios sentimentos. A roda de conversa pode ser um importante espaço de cuidado, favorecendo o autocuidado, a empatia e a gestão do estresse para a manutenção de sua saúde mental. O projeto objetiva ampliar a compreensão sobre as necessidades emocionais dessas profissionais e demonstrar a eficácia de intervenções grupais na promoção da saúde mental no contexto de velórios. Objetivos Objetivo geral Criar um espaço seguro e reflexivo para que as agentes de velório da AFAGU compartilhem experiências, discutam desafios emocionais e profissionais. Objetivos específicos ● Fortalecer habilidades relacionadas ao cuidado com as famílias enlutadas e ao manejo de suas próprias emoções. ● Promover o compartilhamento de experiências sobre o trabalho em velórios; ● Explorar formas de autocuidado emocional para as agentes de velório. Metodologia A metodologia do projeto foi definida a partir dos objetivos propostos, tendo sido realizado uma roda de conversa em um local tranquilo e confortável, com as cadeiras dispostas em círculo para estimular a interação entre as participantes e garantir a privacidade necessária para que se sentissem à vontade para falar. A atividade foi dividida em etapas que começaram com o acolhimento, onde as participantes se apresentaram e compartilharam uma palavra que representasse seus sentimentos naquele momento, além de receberem orientações sobre o propósito da roda e as regras de respeito e sigilo. Em seguida, ocorreu a etapa de compartilhamento, com perguntas abertas para que as profissionais expressassem os desafios e experiências marcantes, mediadas pela escuta ativa, a fim de garantir que todas tivessem voz e evitar julgamentos. Posteriormente, desenvolveu-se a etapa de reflexão e discussão, abordando temas centrais como estratégias de acolhimento às famílias enlutadas, os impactos emocionais do trabalho e o papel social das assistentes. A condução incluiu com a aplicação do Diário das Emoções. O encontro foi encerrado com um resumo dos principais pontos discutidos, sugestões de ações pequenas e concretas para serem implementadas no dia a dia e um momento de agradecimentos, no qual as participantes compartilharam impressões positivas. Resultados e Discussão Os resultados obtidos a partir da roda de conversa evidenciaram o impacto positivo da intervenção sobre o bem-estar emocional das assistentes de velório participantes. Durante o encontro, observou-se um elevado nível de engajamento e abertura para o compartilhamento de vivências, demonstrando a efetividade do formato grupal como estratégia de escuta e apoio mútuo. As falas das participantes revelaram sentimentos de acolhimento, compreensão e pertencimento, destacando a importância de espaços institucionais voltados à saúde mental no ambiente funerário. A análise qualitativa das discussões indicou que a maioria das assistentes relatou redução da sensação de isolamento e aumento da percepção de valorização profissional, fatores essenciais para o fortalecimento de sua identidade ocupacional. Houve relatos de alívio emocional ao reconhecer que os desafios enfrentados eram comuns, o que contribuiu para a diminuição de sentimentos de impotência e sobrecarga. A prática do Diário das Emoções também foi apontada como um recurso eficaz para o autoconhecimento e para o monitoramento dos próprios estados emocionais, fomentando a autorreflexão e o autocuidado. Em síntese, a experiência revelou que o fortalecimento dos vínculos interpessoais e a promoção de um ambiente reflexivo contribuíram significativamente para o bem-estar das assistentes de velório. Ao proporcionar um espaço de fala, escuta e reconhecimento mútuo, a intervenção reafirmou a necessidade de programas institucionais permanentes de cuidado psicológico para profissionais que lidam cotidianamente com a morte e o luto. Conclusão O projeto proposto, fundamentado em uma roda de conversa, apresentou uma abordagem eficaz e acessível para atender àquela necessidade, proporcionando um ambiente reflexivo e participativo. Essa intervenção evidenciou o papel das práticas coletivas no fortalecimento dos vínculos interpessoais e no suporte emocional, corroborando com as discussões presentes na literatura organizacional e na psicologia do trabalho. Além disso, destacou a importância de se reconhecer a complexidade emocional do trabalho das assistentes de velório e de se promover estratégias que favorecessem seu equilíbrio mental, aspecto vital para o desempenho saudável de suas funções. Ao integrar momentos de partilha, reflexão e encaminhamento, a roda de conversa não apenas contribuiu para a diminuição dos impactos negativos do luto e da dor alheia, mas também fortaleceu a capacidade dessas profissionais de estabelecer limites emocionais saudáveis, prevenindo o risco de esgotamento. Enfatizou-se, ainda, a necessidade de suporte contínuo e especializado quando era identificado sofrimento mais severo, assegurando que as assistentes tivessem acesso a recursos terapêuticos adequados. Em síntese, a intervenção proposta representou uma resposta concreta e humanizada às demandas emocionais das assistentes de velório, promovendo saúde mental e qualidade de vida no ambiente de trabalho. Fomentou-se a valorização dessas profissionais e a importância do cuidado psicológico institucional, apontando para uma cultura organizacional mais sensível e atenta às necessidades humanas emergentes naquele contexto profissional desafiador.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LUCENA, Débora Tavares Machado de; LIMA, Luiza Maria Vieira de; FONSECA, Aline de Andrade Marques Brandão da. A ESCUTA COMO FERRAMENTA TERAPÊUTICA COM AS ASSISTENTES DE VELÓRIO DA FUNERÁRIA AFAGU DO GRUPO ANJO DA GUARDA EM JUAZEIRO DO NORTE-CE.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1382984-A-ESCUTA-COMO-FERRAMENTA-TERAPEUTICA-COM-AS-ASSISTENTES-DE-VELORIO-DA-FUNERARIA-AFAGU-DO-GRUPO-ANJO-DA-GUARDA-EM. Acesso em: 07/03/2026

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