DOENÇA INTESTINAL INFLAMATÓRIA EM FELINO JOVEM: RELATO DE CASO

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
DOENÇA INTESTINAL INFLAMATÓRIA EM FELINO JOVEM: RELATO DE CASO
Autores
  • Isabelle Holanda Bezerra
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1382808-doenca-intestinal-inflamatoria-em-felino-jovem--relato-de-caso
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Doença intestinal inflamatória, felinos, enteropatia, histopatologia, corticoterapia.
Resumo
Introdução: A medicina felina tem se desenvolvido de maneira expressiva nas últimas décadas, acompanhando o aumento da população de gatos domésticos e a crescente demanda por atendimentos especializados. Esse avanço tem permitido a identificação de enfermidades antes subdiagnosticadas, especialmente as de caráter crônico que acometem o trato gastrointestinal. Entre essas enfermidades, destaca-se a Doença Intestinal Inflamatória (DII), uma condição inflamatória multifatorial e crônica que afeta o intestino de felinos, resultando em distúrbios digestivos persistentes e recorrentes. A DII é caracterizada por uma resposta inflamatória anormal da mucosa intestinal, levando à desregulação da barreira epitelial e ao aumento da permeabilidade intestinal. Essa alteração compromete o equilíbrio entre fatores ambientais, microbiota intestinal, epitélio e sistema imunológico, resultando em inflamação crônica. A etiologia ainda não está completamente elucidada, mas acredita-se que fatores genéticos, imunológicos, dietéticos, microbiológicos e ambientais possam estar envolvidos no desenvolvimento da doença. Os sinais clínicos mais frequentes incluem vômitos recorrentes, perda de peso progressiva, diarreia e anorexia, podendo evoluir de forma leve a severa, com períodos de melhora e recidiva. O diagnóstico é desafiador, visto que os sinais clínicos se sobrepõem a outras enteropatias crônicas, como linfoma intestinal, intolerância alimentar, parasitoses ou infecções bacterianas. Por essa razão, o diagnóstico definitivo depende da combinação entre avaliação clínica, exames laboratoriais, exames de imagem e, principalmente, da análise histopatológica intestinal, considerada o padrão ouro para confirmação. A DII felina é mais frequentemente relatada em animais de meia-idade ou idosos, sendo incomum em gatos jovens. Dessa forma, os estudos de casos que fogem ao padrão etário habitual contribuem para ampliar o conhecimento clínico sobre a doença e reforça a necessidade de diagnóstico diferencial criterioso em pacientes de diferentes faixas etárias. Objetivo: Relatar e discutir um caso de Doença Intestinal Inflamatória (DII) diagnosticada em um felino doméstico jovem, ressaltando a importância da associação entre exames laboratoriais, ultrassonográficos e histopatológicos para o diagnóstico definitivo, além de descrever a resposta clínica ao tratamento instituído. Metodologia: O presente estudo consiste em um relato de caso clínico realizado na Clínica Veterinária Focinhos Carinhosos, situada no município de Crato, Ceará, Brasil. O paciente atendido foi um gato sem raça definida (SRD), macho, castrado, com dois anos de idade e peso corporal de 3 kg. A tutora relatou histórico de hematêmese, sialorreia intensa e perda de peso progressiva há aproximadamente dois meses. O animal vivia em ambiente com cerca de vinte gatos semi-domiciliados, o que poderia representar um fator predisponente à exposição a agentes infecciosos e parasitários. Durante a anamnese e exame físico, observou-se um paciente desidratado, caquético, com escore corporal 3/9, mucosas oral e conjuntiva hipocoradas, presença de gengivite e estomatite, além de desconforto à palpação abdominal, principalmente na região cranial. Os demais parâmetros fisiológicos encontravam-se dentro da normalidade. Com base nesses achados, foi instituída conduta diagnóstica abrangente, com o objetivo de identificar a causa primária do quadro gastrointestinal. Foram realizados exames laboratoriais de rotina, incluindo hemograma completo e dosagem sérica de ureia, creatinina, AST e ALT, com a finalidade de avaliar o estado hematológico e a função hepatorrenal do paciente. Também foi aplicado o teste rápido para detecção de FIV e FeLV, a fim de descartar possíveis infecções virais imunossupressoras que pudessem interferir no quadro clínico. Em seguida, o paciente foi submetido a exame ultrassonográfico abdominal, com o intuito de verificar a integridade e espessura das alças intestinais, bem como a presença de conteúdo anormal ou alterações de ecotextura. Diante dos achados ultrassonográficos sugestivos de enteropatia inflamatória, optou-se pela realização de laparotomia exploratória para coleta de fragmento intestinal, posteriormente encaminhado para exame histopatológico, considerado o método padrão ouro para o diagnóstico definitivo da doença intestinal inflamatória. Após a confirmação diagnóstica, foi instituída terapêutica baseada em manejo alimentar com ração hipoalergênica de uso contínuo, antibioticoterapia e corticoterapia imunossupressora, além de suplementação vitamínica e acompanhamento clínico periódico a cada quatro meses para monitoramento da evolução. Resultados e Discussões: No hemograma foi observada redução do hematócrito, anisocitose, anisocromia e policromasia, características compatíveis com anemia regenerativa leve, além de neutrofilia com desvio à esquerda, indicativa de processo inflamatório crônico. A bioquímica sérica apresentou valores dentro dos parâmetros de normalidade, excluindo disfunções hepáticas ou renais. Esses resultados laboratoriais, associados à persistência dos sinais clínicos, reforçaram a necessidade de investigação por imagem. A ultrassonografia abdominal revelou espessamento das alças intestinais, principalmente em duodeno e jejuno, com medidas variando entre 0,29 e 0,54 cm. Foi observada perda parcial da estratificação parietal e aumento da ecogenicidade do mesentério adjacente, o que sugere inflamação crônica. O cólon apresentou conteúdo gasoso e fecal, porém com espessura preservada. Esses achados indicaram forte suspeita de doença intestinal inflamatória, tendo como principal diagnóstico diferencial o linfoma alimentar de baixo grau. Com base nos achados clínicos e ultrassonográficos, o paciente foi submetido à laparotomia exploratória para coleta de amostras do intestino delgado. O exame histopatológico revelou discreta distensão da lâmina própria intestinal por infiltrado inflamatório composto predominantemente por linfócitos, plasmócitos e ocasionais eosinófilos. Foram observadas ainda leve dilatação dos vasos linfáticos, discreta proliferação de tecido conjuntivo e atrofia de vilosidades intestinais, confirmando o diagnóstico de enterite linfoplasmocitária, a forma mais comum de DII em pequenos animais. Após a conclusão diagnóstica, foi instituído tratamento com amoxicilina associada ao ácido clavulânico na dose de 12,7 mg/kg, duas vezes ao dia, por 14 dias, além de prednisolona na dose de 1 mg/kg, duas vezes ao dia, durante 15 dias, com posterior redução gradual até a menor dose eficaz de 0,5 mg/kg ao dia. O protocolo terapêutico foi complementado com suplementação de cobalamina na dose de 100 mcg por animal, uma vez por semana, durante cinco semanas, e introdução de dieta hipoalergênica de uso exclusivo. Durante o tratamento, o animal apresentou melhora clínica progressiva, com diminuição dos episódios de vômito, aumento do apetite e recuperação gradual do peso corporal. No entanto, após a tentativa de suspensão da prednisolona, houve recorrência dos sintomas, sendo necessária a reintrodução do corticoide em dose de manutenção contínua. A estabilização do quadro foi alcançada após o restabelecimento da dose mínima eficaz e manutenção do manejo alimentar adequado. Esses resultados reforçam a natureza crônica e recidivante da DII, condição que requer acompanhamento constante e ajustes terapêuticos individualizados. A resposta favorável ao uso de corticosteroides evidencia o componente imunomediado da doença, enquanto a associação com dieta hipoalergênica e antibioticoterapia contribui para a modulação da microbiota intestinal e redução da inflamação. Apesar de a doença ser mais frequentemente descrita em felinos adultos e idosos, o presente relato demonstra sua ocorrência em um animal jovem, evidenciando a necessidade de considerar a DII como diagnóstico diferencial em pacientes de qualquer faixa etária. A literatura aponta que o prognóstico da DII felina é geralmente reservado, mas pode ser considerado favorável quando o tratamento é instituído precocemente e o acompanhamento clínico é mantido. A adesão do tutor ao protocolo alimentar e medicamentoso é determinante para o sucesso terapêutico e para a manutenção da qualidade de vida do paciente a longo prazo. Conclusão: A Doença Intestinal Inflamatória Felina representa um desafio diagnóstico e terapêutico na clínica veterinária, especialmente devido à semelhança de seus sinais clínicos com outras enteropatias crônicas e à ausência de um marcador diagnóstico específico. O caso relatado demonstra que a associação entre avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais, ultrassonografia e análise histopatológica é fundamental para a confirmação diagnóstica e definição do tratamento mais adequado. O relato de um caso em um felino jovem reforça que a DII não deve ser considerada exclusiva de animais adultos ou geriátricos, devendo ser incluída na lista de diagnósticos diferenciais em pacientes de qualquer idade que apresentem sinais gastrointestinais persistentes. A terapia multimodal, envolvendo manejo dietético, antibioticoterapia e corticoterapia, mostrou-se eficaz na estabilização clínica do paciente, embora exija acompanhamento constante e ajustes terapêuticos de longo prazo. Assim, o presente relato evidencia a importância da abordagem individualizada e do diagnóstico precoce na DII felina, além de destacar o papel essencial do tutor na manutenção do tratamento contínuo e no monitoramento da evolução clínica, fatores determinantes para o sucesso terapêutico e a qualidade de vida do animal acometido.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BEZERRA, Isabelle Holanda. DOENÇA INTESTINAL INFLAMATÓRIA EM FELINO JOVEM: RELATO DE CASO.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1382808-DOENCA-INTESTINAL-INFLAMATORIA-EM-FELINO-JOVEM--RELATO-DE-CASO. Acesso em: 14/03/2026

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