ARTEA: OFICINA DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA PARA FAMILIARES DE PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
ARTEA: OFICINA DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA PARA FAMILIARES DE PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
Autores
  • Luiza Maria Vieira de Lima
  • Débora Tavares Machado de Lucena
  • Lavínia Batista Soares de Sousa
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Educação e Formação em Saúde – metodologias inovadoras, ensino interprofissional, extensão e práticas pedagógicas
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1382561-artea--oficina-de-expressao-artistica-para-familiares-de-pessoas-com-transtorno-do-espectro-autista-(tea)
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Transtorno do Espectro Autista, família, apoio emocional, arte, projeto.
Resumo
Introdução O TEA tem se tornado um tema de crescente relevância no cenário mundial contemporâneo, especialmente em razão dos desafios que apresenta não apenas para as pessoas diagnosticadas, mas também para seus familiares e cuidadores. Em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, buscando incentivar a reflexão e a criação de estratégias voltadas à inclusão, ao acolhimento e ao entendimento social do TEA. Nesse contexto, o diagnóstico de autismo provoca repercussões significativas no ambiente familiar, exigindo reorganização de rotinas, desenvolvimento de novas habilidades e enfrentamento de impactos emocionais e sociais que afetam diretamente a qualidade de vida dos envolvidos. Pesquisas apontam que o diagnóstico do TEA pode gerar sentimentos de estresse, ansiedade, culpa e sobrecarga emocional nos familiares, especialmente nos cuidadores diretos. Collet (2016) destaca que tais fatores podem desencadear quadros de depressão, isolamento social e conflitos conjugais, refletindo na dinâmica familiar e nas relações interpessoais. Desse modo, torna-se essencial promover espaços de acolhimento e apoio que possibilitem às famílias compreender e lidar melhor com suas emoções, fortalecendo-as para o enfrentamento dos desafios cotidianos relacionados ao cuidado de uma pessoa com TEA. A proposta do projeto de extensão, intitulada “ArTEA: Oficina de Expressão Artística para Famílias de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista”, surgiu da percepção da necessidade de proporcionar momentos de escuta, troca de experiências e desenvolvimento de habilidades socioemocionais entre familiares e cuidadores. Assim, o projeto foi desenvolvido pelas acadêmicas do curso de Psicologia da Uninassau/Campus Triângulo na cidade de Juazeiro do Norte como prática de extensão da disciplina de Psicopatologia II no semestre de 2024.2 com a iniciativa de utilizar a arte como instrumento terapêutico e comunicativo, permitindo que os participantes expressem seus sentimentos, refletissem sobre suas vivências e construíssem coletivamente estratégias de enfrentamento e fortalecimento emocional. Além do caráter terapêutico, o projeto também se fundamenta em uma perspectiva educativa, uma vez que a oficina possibilitou o compartilhamento de informações sobre o TEA e sobre o papel da família no processo de cuidados da pessoa diagnosticada. Como destacam Carmo e Souza (2019), as oficinas voltadas para familiares de pessoas com TEA têm papel essencial na capacitação, na promoção da empatia e na criação de redes de apoio que contribuem para a inclusão e o bem-estar coletivo. Assim, o presente trabalho tem como foco apresentar a experiência do projeto em epígrafe, que aliou arte, escuta e apoio emocional como estratégias de promoção da saúde mental e fortalecimento familiar no contexto do autismo. Objetivo Objetivo Geral Proporcionar apoio emocional a famílias de pessoas com TEA por meio de atividades artísticas e expressivas com o uso de materiais manipuláveis não estruturados, promovendo espaços de acolhimento e troca de experiências. Objetivos Específicos Possibilitar a troca de experiências e vivências entre familiares de pessoas com TEA em um ambiente acolhedor e colaborativo; Estimular a comunicação, a criatividade e a sociabilidade por meio da expressão artística; Promover momentos de reflexão sobre o autocuidado e o papel do cuidador na dinâmica familiar. Metodologia O projeto foi desenvolvido em duas etapas principais: pesquisa bibliográfica e realização prática por meio de oficina. A primeira etapa consistiu em uma pesquisa bibliográfica, com base em autores como Gil (1991), Collet (2016), Bosa (2006), Carmo e Souza (2019), entre outros, abordando os impactos do diagnóstico do TEA sobre a família e as estratégias de apoio emocional possíveis. A pesquisa buscou compreender os efeitos psicológicos e sociais vivenciados por pais e cuidadores, as formas de adaptação às novas rotinas e a importância de práticas terapêuticas e educativas no processo de aceitação e enfrentamento do diagnóstico. A segunda etapa envolveu a execução prática por meio de oficina, planejada como um espaço de arteterapia e escuta emocional, voltado a familiares de pessoas com TEA. A metodologia adotada foi de caráter participativo e vivencial, tendo como princípio o uso da arte como meio de expressão subjetiva e de fortalecimento coletivo. De acordo com Reis (2014), a atividade artística possibilita o contato do sujeito com suas questões internas por meio de um viés criativo, permitindo não apenas a expressão de sentimentos, mas também a ressignificação de experiências. A partir dessa concepção, a oficina foi estruturada em quatro momentos principais com duração de 45 minutos para um grupo de 15 participantes. No primeiro, o acolhimento e a orientação iniciou com a recepção das famílias, explicação dos objetivos da atividade e breve fala introdutória sobre o papel da arte na expressão emocional. No segundo, a ambientação, ou seja, a preparação do espaço com fundo musical e disposição dos materiais manipuláveis não estruturados (papéis coloridos, lápis, colas, recortes, entre outros) para favorecer um clima de tranquilidade e abertura emocional. No terceiro, atividade artística em que cada participante foi convidado a expressar livremente seus sentimentos, emoções e percepções por meio da criação artística. Por fim, a roda de conversa, isto é, o momento de partilha das produções e reflexões sobre o processo criativo e a troca de experiências relacionadas aos desafios e aprendizados na convivência com o TEA. Resultados e Discussão Os resultados obtidos, por meio da roda de conversa e da atividade artística, apontaram que o uso da arte como meio de expressão proporcionou aos participantes momentos significativos de reflexão e partilha emocional. Muitos relataram sentimentos de alívio, acolhimento e identificação com as vivências dos demais familiares. A criação artística revelou-se uma forma de traduzir emoções que muitas vezes são difíceis de verbalizar, possibilitando um espaço simbólico para lidar com a sobrecarga e o estresse decorrentes do cuidado contínuo. Durante a roda de conversa, observou-se que a troca de experiências entre os familiares desempenhou papel fundamental no fortalecimento das relações interpessoais e na construção de uma rede de apoio, visto que os participantes relataram que se sentiram compreendidos e menos sozinhos em suas dificuldades, destacando que ouvir histórias semelhantes os ajudou a reduzir sentimentos de culpa e isolamento. Essa constatação reforça o que afirmam Carmo e Souza (2019), ao apontarem que oficinas e grupos de apoio voltados para familiares de pessoas com TEA são espaços privilegiados para o desenvolvimento de competências emocionais e sociais, além de favorecerem a aceitação do diagnóstico. Outro aspecto relevante foi o estímulo à criatividade e à empatia. Ao se expressarem artisticamente, os participantes puderam refletir sobre si mesmos e sobre a importância do autocuidado no cotidiano. A arte, nesse sentido, funcionou como instrumento de reconstrução simbólica da realidade e de ressignificação do papel de cuidador. A experiência prática demonstrou que o ambiente sensível e acolhedor é essencial para promover o bem-estar emocional e incentivar o desenvolvimento de atitudes mais positivas diante das dificuldades diárias. Os dados observados corroboram o que o National Autism Center (2015) ressalta sobre a importância das intervenções baseadas em evidências que ofereçam suporte emocional e informativo às famílias. A oficina, além de promover bem-estar e autoconsciência, mostrou-se eficaz para fomentar estratégias de enfrentamento e resiliência familiar, ampliando a capacidade dos cuidadores de lidar com situações desafiadoras. Do ponto de vista teórico, os resultados dialogam também com a perspectiva sociocultural de Vygotsky (1919), segundo a qual o desenvolvimento humano ocorre por meio da interação social e da mediação simbólica. Nesse sentido, a oficina “ArTEA: Oficina de Expressão Artística para Famílias de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista” proporcionaram um ambiente de aprendizagem coletiva, onde a partilha de experiências e o diálogo favoreceram o crescimento emocional e a ampliação de repertórios relacionais. De modo geral, os participantes expressaram satisfação com a atividade, destacando a relevância de espaços que valorizem a escuta, o acolhimento e a expressão artística como formas de cuidado emocional. A experiência evidenciou que, ao oferecer suporte psicológico e social aos familiares, contribui-se indiretamente para o fortalecimento da rede de apoio à pessoa com TEA e para a melhoria da convivência familiar. Conclusão O projeto demonstrou que o uso da arte como instrumento de expressão e reflexão pode ser uma estratégia eficaz de apoio emocional às famílias de pessoas com TEA. Pois, a oficina permitiu que os participantes se conectassem com suas emoções, compartilhassem experiências e desenvolvessem habilidades socioemocionais essenciais, como empatia, paciência e autoestima. Os resultados indicam que a promoção de espaços de escuta e acolhimento é fundamental para reduzir a sobrecarga emocional e fortalecer os vínculos familiares. A iniciativa reforça a importância de projetos de extensão voltados ao cuidado integral, não apenas das pessoas diagnosticadas com TEA, mas também de seus cuidadores e familiares, que desempenham papel central no processo de inclusão e cuidado. Conclui-se, portanto, que ações de extensão como o projeto aqui detalhado, contribuem de maneira significativa para o bem-estar emocional, a conscientização social e a formação de uma rede de apoio sólida e humanizada. Recomenda-se a continuidade e ampliação desse tipo de projeto, bem como o aprofundamento das pesquisas sobre o impacto das práticas artísticas e terapêuticas na saúde mental das famílias de pessoas com TEA.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LIMA, Luiza Maria Vieira de; LUCENA, Débora Tavares Machado de; SOUSA, Lavínia Batista Soares de. ARTEA: OFICINA DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA PARA FAMILIARES DE PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA).. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1382561-ARTEA--OFICINA-DE-EXPRESSAO-ARTISTICA-PARA-FAMILIARES-DE-PESSOAS-COM-TRANSTORNO-DO-ESPECTRO-AUTISTA-(TEA). Acesso em: 18/03/2026

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