O PAPEL DA FONOAUDIOLOGIA NA ATENÇÃO BÁSICA: REFLEXÕES SOBRE DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA PRÁTICA INTERDISCIPLINAR.

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
O PAPEL DA FONOAUDIOLOGIA NA ATENÇÃO BÁSICA: REFLEXÕES SOBRE DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA PRÁTICA INTERDISCIPLINAR.
Autores
  • Iris Marly Bezerra Leite Ferreira
  • Maria Georgia Alencar Callou De Figueiredo
  • Enilson Ferreira da Silva Júnior
  • Pastora Wilma Feitosa
  • Andreza da Silva
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1381362-o-papel-da-fonoaudiologia-na-atencao-basica--reflexoes-sobre-desafios-e-potencialidades-da-pratica-interdiscipli
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Fonoaudiologia; Atenção Primária à Saúde; Desafios; Potencialidades.
Resumo
INTRODUÇÃO A Atenção Básica à Saúde (ABS) ou Atenção Primária à Saúde (APS) constitui o primeiro nível de cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), tendo como atributos a universalidade, integralidade, longitudinalidade, coordenação do cuidado, e orientação familiar e comunitária (Brasil, 2008). A inserção de profissionais fonoaudiólogos nesse nível de atenção foi formalizada com a implementação dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), desde 2008, possibilitando apoio técnico, prevenção, promoção da saúde e atuação interdisciplinar junto às Equipes de Saúde da Família (ESF) (CFFa, 2015). No entanto, estudos mostram que, apesar do avanço da oferta, ainda persistem lacunas relevantes: desigualdade regional na disponibilidade de fonoaudiólogos, desconhecimento dos profissionais sobre o escopo fonoaudiológico na APS, dificuldades estruturais e administrativas, limitações de políticas públicas recentes, dentre outros (Pereira; Veloso, 2023). Este contexto demanda revisão e reflexão sobre os principais desafios e potencialidades da atuação fonoaudiológica na Atenção Básica, de modo a evidenciar caminhos para fortalecimento da prática, alinhamento com diretrizes do SUS, e melhores resultados em saúde para a população. OBJETIVO O presente estudo tem como objetivo revisar a literatura científica sobre a atuação do fonoaudiólogo na Atenção Básica no Brasil, identificando seus principais desafios e potencialidades, bem como estratégias e fatores que influenciam a efetividade dessa prática interdisciplinar e subsidiam aprimoramentos futuros na área. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa do tipo revisão bibliográfica integrativa, que consiste em um estudo sistematizado e crítico da literatura existente, com o objetivo de sintetizar evidências (Botelho; Cunha; Macedo, 2011), identificar padrões, lacunas e tendências sobre um determinado tema. Para tanto, foram contemplados artigos científicos, relatórios e teses/dissertações publicados nos últimos 7 anos (2018-2025) em bases de dados como SciELO, PubMed, Research Gate, Portal de Periódicos CAPES e Biblioteca Virtual em Saúde. Estão incluídos trabalhos que tratem da atuação fonoaudiológica na Atenção Básica ou APS, descreverem desafios ou potencialidades, em contexto brasileiro; artigos em português; estudos qualitativos, quantitativos ou mistos; também estudos de caso, experiências relatadas. Foram excluídos os trabalhos que foquem exclusivamente em níveis secundário ou terciário de atenção (hospitais, centros especializados) sem vínculo claro com APS e resenhas puramente teóricas sem dados empíricos ou análise de práticas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados encontrados entre os estudos evidenciam um conjunto de desafios e potencialidades inter-relacionados na atuação fonoaudiológica na Atenção Primária à Saúde (APS). Em relação aos desafios, a oferta insuficiente e a desigualdade regional se destacam. Viégas et al. (2018) identificaram que, entre 2005 e 2015, o número de fonoaudiólogos na APS passou de 1.717 para 4.124 profissionais, mas ainda assim havia um déficit estimado de 55,1% na oferta, concentrando-se em regiões com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). De modo semelhante, Rech et al. (2019) demonstraram que municípios com menores condições socioeconômicas tendem a apresentar menor presença de fonoaudiólogos nas equipes dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Outro desafio refere-se ao desconhecimento e à baixa valorização da atuação fonoaudiológica na APS. Guckert et. al., (2020) e Maschio e Maldonade (2023) observaram entre profissionais dos NASF uma percepção reducionista do trabalho fonoaudiológico, frequentemente limitado à fala e à linguagem infantil, com pouco reconhecimento de sua contribuição para ações interdisciplinares de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico situacional e orientação comunitária. Além disso, as políticas públicas e a instabilidade institucional representam importantes obstáculos. A revisão da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) em 2017 alterou o papel dos NASF, omitindo o termo “apoio matricial” e gerando incertezas quanto às atribuições e à cobertura da Fonoaudiologia na APS (Telles; Lopes, 2023). As limitações de recursos, estrutura e operacionalização também foram frequentemente destacadas. Assim como a falta de infraestrutura adequada, materiais, transporte, recursos humanos e financeiros compromete a efetividade da atuação fonoaudiológica, dificultando a realização de atendimentos coletivos, domiciliares e individuais (Guckert et al., 2020; Telles; Lopes, 2023). Em consonância, a formação profissional e a capacitação contínua insuficientes reforçam esses desafios, uma vez que os profissionais ainda relatam preparo limitado para atuar na APS, com conhecimento restrito sobre políticas públicas, trabalho interdisciplinar, apoio matricial, vigilância em saúde e gestão de redes, limitando sua atuação além do modelo curativo (Bispo, 2018; Telles; Lopes, 2023). Durante a pandemia de COVID-19 foi evidenciada a necessidade de adaptação das práticas, com uso de telefoneaudiologia, atendimentos remotos e educação em saúde virtual. (Dimer et al., 2020). Esse cenário revelou fragilidades, como limitação de acesso e preparo tecnológico, mas também destacou potencialidades de inovação na prática fonoaudiológica. Entre as potencialidades, destacam-se ações voltadas para promoção da saúde, prevenção e educação em saúde, sendo que atividades educativas junto à comunidade e aos profissionais da educação têm se mostrado de grande impacto. O trabalho em saúde vocal de professores realizado no contexto da APS é um exemplo de ação promotora realizada por fonoaudiólogos em território (Martins; Silva; Sousa, 2022). Fonsêca, Lopes e Telles (2025) apontam que a interface educação-saúde permite articulação intersetorial com o ambiente escolar, ampliando o alcance e a efetividade das práticas preventivas. A atuação em rede, a interdisciplinaridade e o apoio matricial do NASF também se revelam como estratégias essenciais para ampliar o alcance e a eficácia da Fonoaudiologia na APS, por meio de suporte técnico às equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), discussão de casos, planejamento e estratégias coletivas de cuidado (Bispo, 2018; Telles; Lopes, 2023). Nessa perspectiva, o trabalho conjunto entre o fonoaudiólogo e os demais profissionais da Atenção Básica, como médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e educadores físicos, configura-se como eixo estruturante para a integralidade do cuidado (Campos, 2000). Essa articulação interdisciplinar possibilita o desenvolvimento de práticas compartilhadas, como grupos de promoção da saúde vocal com a equipe de enfermagem, ações de prevenção de distúrbios alimentares com nutricionistas e intervenções integradas com psicólogos e terapeutas ocupacionais voltadas ao desenvolvimento infantil e à saúde mental (Brasil, 2017; Maschio; Maldonade, 2023). Além de ampliar o escopo das ações, essa colaboração favorece o vínculo com a comunidade, otimiza os recursos disponíveis e fortalece a resolutividade das equipes (Fonsêca; Lopes; Telles, 2025). Segundo Bispo (2018), a atuação articulada reforça o papel do fonoaudiólogo como mediador do cuidado e promotor da comunicação entre os diferentes núcleos de saber, contribuindo para a efetivação dos princípios de integralidade e equidade preconizados pelo SUS. O uso de tecnologias e práticas inovadoras representa outra potencialidade significativa. A pandemia estimulou a utilização da telefoneaudiologia e de atendimentos híbridos, com educação em saúde virtual, possibilitando maior acesso e superação de barreiras geográficas, especialmente em localidades remotas (Dimer et al. 2020). A construção de dados epidemiológicos, a vigilância e a gestão integrada também são destacadas na literatura como instrumentos que aumentam a visibilidade da atuação fonoaudiológica e subsidiam políticas públicas. Lima, Garcia e Amaral (2021) indicam que atividades de vigilância em saúde, construção de indicadores, diagnósticos situacionais e emissão de pareceres fonoaudiológicos fortalecem a integração entre prática clínica, gestão e território. Por fim, o fortalecimento das políticas públicas locais contribui para a consolidação da atuação, ou seja, municípios com apoio político, financiamento adequado e reconhecimento institucional apresentam maior oferta, melhor estrutura e inserção profissional mais consolidada, evidenciando que condições socioeconômicas favoráveis ampliam o impacto das ações fonoaudiológicas (Viégas et al., 2018; Rech et al., 2019). CONCLUSÃO A revisão evidenciou que a atuação da fonoaudiologia na Atenção Básica no Brasil apresenta potencialidades significativas, como contribuição à promoção da saúde, educação em saúde, articulação intersetorial, uso de tecnologias e vigilância epidemiológica. Contudo, esses potenciais têm sido parcialmente realizados, face a desafios estruturais, institucionais, formativos e políticos. Para fortalecer a atuação do fonoaudiólogo na Atenção Primária à Saúde, recomenda-se a ampliação da oferta desses profissionais, com atenção especial às regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e alta desigualdade social, por meio de políticas de dimensionamento nacional com metas claras. É fundamental também o fortalecimento do apoio matricial, com definição precisa de atribuições, capacitação contínua das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e sensibilização de gestores municipais para a valorização da Fonoaudiologia. Além disso, faz-se necessário investir em infraestrutura adequada, garantindo acesso à tecnologia, equipamentos, transporte e espaços apropriados para atendimentos individuais, coletivos e domiciliares. A capacitação contínua deve estar centrada na Atenção Primária à Saúde, contemplando temas como políticas de atenção básica, trabalho interdisciplinar, atuação comunitária, gestão e vigilância em saúde. Por fim, recomenda-se fomentar inovações, como a telefonoaudiologia e práticas híbridas adaptadas às realidades das comunidades, assegurando a inclusão digital e o acesso equitativo aos serviços. Assim, a Fonoaudiologia poderá se consolidar não apenas como especialidade de cuidado individual, mas como componente estratégico da Atenção Primária, contribuindo para a integralidade, equidade e resolutividade do SUS.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FERREIRA, Iris Marly Bezerra Leite et al.. O PAPEL DA FONOAUDIOLOGIA NA ATENÇÃO BÁSICA: REFLEXÕES SOBRE DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA PRÁTICA INTERDISCIPLINAR... In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1381362-O-PAPEL-DA-FONOAUDIOLOGIA-NA-ATENCAO-BASICA--REFLEXOES-SOBRE-DESAFIOS-E-POTENCIALIDADES-DA-PRATICA-INTERDISCIPLI. Acesso em: 18/03/2026

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