O PAPEL DA ENFERMAGEM NA ESPIRITUALIDADE E ESCUTA ATIVA EM CUIDADOS PALIATIVOS ONCOLÓGICOS

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
O PAPEL DA ENFERMAGEM NA ESPIRITUALIDADE E ESCUTA ATIVA EM CUIDADOS PALIATIVOS ONCOLÓGICOS
Autores
  • Ilary Maria Solino De Andrade
  • Neusa Maria
  • KAYLANE NAYARA DA SILVA TRAJANO
  • Francisca Odachara Machado Bezerra do Carmo
  • José Gledson Costa Silva
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Saúde Mental e Bem-Estar – abordagens interdisciplinares para promoção da saúde mental, prevenção e cuidado integral
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1379010-o-papel-da-enfermagem-na-espiritualidade-e-escuta-ativa-em-cuidados-paliativos-oncologicos
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
espiritualidade, escuta ativa, cuidados paliativos, enfermagem, oncologia
Resumo
INTRODUÇÃO Os cuidados paliativos são práticas de saúde voltadas à promoção da qualidade de vida de pacientes acometidos por doenças ameaçadoras da vida, independentemente do diagnóstico, idade ou estágio clínico da enfermidade. Essa abordagem, respaldada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), prioriza o alívio da dor, o controle de sintomas físicos e o suporte emocional, social e espiritual, promovendo um cuidado centrado na pessoa e em suas necessidades globais. No contexto oncológico, onde o sofrimento é frequentemente amplificado pela cronicidade, pelo medo e pela progressão das neoplasias, o cuidado humanizado torna-se ainda mais necessário e urgente. A espiritualidade e a escuta ativa emergem, nesse cenário, como dimensões fundamentais do cuidado paliativo integral. Enquanto a espiritualidade fornece sentido, esperança e resiliência frente à finitude e às incertezas do tratamento, a escuta ativa favorece uma comunicação empática, respeitosa e centrada nas necessidades individuais do paciente e de sua família. Ambas as práticas fortalecem o vínculo terapêutico, resgatam a dignidade e contribuem para uma assistência integral e ética, que reconhece o paciente como sujeito de direitos e não apenas como portador de uma doença. O profissional de enfermagem, por sua atuação direta, contínua e próxima aos pacientes em todos os estágios do processo de adoecimento, possui papel estratégico na incorporação dessas dimensões ao cuidado. Através de atitudes sensíveis, acolhedoras e comunicativas, o enfermeiro torna-se mediador entre a equipe multiprofissional, o paciente e seus familiares. Com base nesse cenário, este estudo visa refletir sobre a importância da espiritualidade e da escuta ativa nos cuidados paliativos oncológicos, destacando sua contribuição para a promoção do bem-estar, da autonomia e da dignidade dos pacientes em fase avançada da doença. OBJETIVO Analisar a relevância da espiritualidade e da escuta ativa como estratégias de cuidado humanizado implementadas pela enfermagem em pacientes oncológicos submetidos a cuidados paliativos, considerando sua influência no bem-estar físico, emocional e espiritual dos indivíduos. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e descritiva, elaborada com base no método proposto por Whittemore e Knafl (2005). Essa metodologia foi escolhida por permitir a síntese e integração de resultados de pesquisas distintas, contribuindo para a compreensão ampla e crítica do fenômeno investigado. A pesquisa foi conduzida em setembro de 2025, com levantamento bibliográfico nas bases de dados PubMed, Scopus, SciELO, Web of Science e LILACS. Foram utilizados descritores controlados e não controlados em português, inglês e espanhol, combinados com operadores booleanos: “espiritualidade”, “religiosidade”, “cuidados paliativos”, “enfermagem”, “escuta ativa”, “câncer” e “oncologia”. Os critérios de inclusão adotados foram: estudos publicados entre 2012 e 2025; pesquisas qualitativas, quantitativas, revisões integrativas ou sistemáticas; textos disponíveis na íntegra; e que abordassem especificamente a espiritualidade e/ou escuta ativa nos cuidados paliativos oncológicos. Foram excluídos editoriais, cartas ao leitor, estudos duplicados, publicações com mais de 10 anos e artigos que não abordassem diretamente o tema. A seleção dos estudos ocorreu em três etapas: leitura dos títulos, análise dos resumos e leitura integral dos textos elegíveis. Após essa triagem, os dados foram organizados em uma tabela sinóptica contendo variáveis como autores/ano, tipo de câncer, população estudada, instrumentos utilizados, objetivos e principais resultados. A análise dos achados foi realizada por meio de comparação temática e síntese narrativa entre os estudos selecionados, buscando convergências e divergências nos resultados apresentados. RESULTADOS A análise resultou em sete estudos que atenderam aos critérios previamente estabelecidos. De modo geral, os achados indicam que a espiritualidade está fortemente associada à melhora da qualidade de vida, à redução de sintomas psicológicos, como ansiedade, angústia e depressão, e ao aumento da resiliência emocional diante do sofrimento e da terminalidade. No estudo de Gutierrez-Rojas et al. (2025), realizado com 150 pacientes oncológicos na Espanha, observou-se que altos níveis de espiritualidade estavam correlacionados com maior resiliência psicológica e menor desespero existencial, funcionando como fator protetor durante o tratamento. Já a revisão de Neves et al. (2024) reforça que a espiritualidade proporciona suporte emocional, favorecendo o enfrentamento da doença e o fortalecimento das redes de apoio social. Outro exemplo relevante é o estudo do FCECON (2023), com mulheres amazonenses diagnosticadas com câncer do colo do útero, que demonstrou que a espiritualidade amenizou sintomas de ansiedade e depressão, elevando a percepção de qualidade de vida e promovendo maior adesão terapêutica. De forma semelhante, Brandes et al. (2023) observaram que, em mulheres com câncer de mama metastático, níveis elevados de espiritualidade estiveram associados à redução de sintomas depressivos e à aceitação da condição de saúde, ainda que não tenham impactado diretamente na dor física. Em Minas Gerais, Vaz et al. (2022) constataram níveis moderados a altos de espiritualidade e esperança em 100 pacientes oncológicos, indicando forte correlação com o bem-estar geral e a satisfação com o cuidado recebido. Carrijo et al. (2022) também destacam a espiritualidade como elemento promotor de qualidade de vida, especialmente nas dimensões social, emocional e espiritual, evidenciando que o fortalecimento da fé pode reduzir o sofrimento existencial. Além da espiritualidade, a escuta ativa surgiu como elemento-chave em estudos qualitativos, sendo apontada como uma ferramenta essencial para o cuidado centrado na pessoa. Guerrero e Silva (2023) demonstraram que a escuta ativa, aliada ao acolhimento e à empatia, facilita a expressão de sentimentos, fortalece a adesão ao tratamento e ressignifica a vivência do adoecimento. Os pacientes relataram que sentir-se ouvidos, compreendidos e respeitados pelos profissionais de enfermagem contribui para a construção de um cuidado mais humano, participativo e individualizado. Esses achados demonstram que a espiritualidade e a escuta ativa se complementam, formando um binômio essencial para o cuidado integral. Ambas reforçam a dimensão subjetiva do processo de cuidar, reconhecendo que a saúde envolve corpo, mente e espírito. CONCLUSÃO Os dados analisados evidenciam que a espiritualidade e a escuta ativa são componentes indispensáveis no cuidado de enfermagem a pacientes oncológicos em cuidados paliativos. A espiritualidade atua como recurso terapêutico e de enfrentamento, fortalecendo a resiliência, oferecendo sentido e promovendo suporte emocional e psicológico em um momento de profunda vulnerabilidade. Paralelamente, a escuta ativa favorece uma comunicação mais empática, eficaz e sensível, permitindo ao profissional de enfermagem compreender a integralidade do paciente, suas dores, crenças, expectativas e limitações. Ambas as práticas ampliam o olhar do cuidado, superando o modelo biomédico e aproximando-se de uma assistência mais ética, sensível e humanizada. Elas fortalecem os vínculos terapêuticos, proporcionam conforto emocional e melhoram a qualidade de vida, mesmo diante da terminalidade. No contexto da prática profissional, torna-se imprescindível que instituições de saúde, gestores e programas de formação continuada estimulem o desenvolvimento de competências relacionadas à escuta ativa, ao acolhimento e à valorização da dimensão espiritual do paciente. Capacitar a equipe de enfermagem para atuar com empatia, respeito, ética e sensibilidade diante do sofrimento amplia a efetividade do cuidado paliativo e contribui para uma abordagem verdadeiramente integral. Conclui-se, portanto, que integrar espiritualidade e escuta ativa ao processo de cuidado não é apenas desejável, mas essencial para garantir dignidade, bem-estar e acolhimento a pacientes oncológicos em fase avançada da doença. Trata-se de um compromisso ético e humano que reafirma a essência da enfermagem como profissão voltada ao cuidado integral e compassivo.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ANDRADE, Ilary Maria Solino De et al.. O PAPEL DA ENFERMAGEM NA ESPIRITUALIDADE E ESCUTA ATIVA EM CUIDADOS PALIATIVOS ONCOLÓGICOS.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1379010-O-PAPEL-DA-ENFERMAGEM-NA-ESPIRITUALIDADE-E-ESCUTA-ATIVA-EM-CUIDADOS-PALIATIVOS-ONCOLOGICOS. Acesso em: 13/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes