INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM MULHERES PRATICANTES DE CROSSFIT: ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM MULHERES PRATICANTES DE CROSSFIT: ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO
Autores
  • Elizangela Teixeira De Sousa
  • Viviane Pinheiro Oliveira
  • Ana Raquel Pereira De Sousa
  • Liziane Silva Ferreira dos Santos Cruz
  • Maria Luzia Pereira Domingos
  • claudia alves de alencar
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1374209-incontinencia-urinaria-em-mulheres-praticantes-de-crossfit--abordagens-fisioterapeuticas-na-prevencao-e-tratamen
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Assoalho pélvico, Incontinência urinária, CrossFit, Fisioterapia pélvica, Saúde da mulher.
Resumo
1. INTRODUÇÃO A incontinência urinária (IU) é uma disfunção caracterizada pela perda involuntária de urina, que acomete mulheres de diferentes faixas etárias e níveis de condicionamento físico. Segundo a International Continence Society (ICS), trata-se de um importante problema de saúde pública que impacta o bem-estar físico, emocional e social das mulheres, reduzindo sua qualidade de vida e, em muitos casos, a adesão à prática esportiva. Embora historicamente associada ao envelhecimento, gestação e pós-parto, estudos recentes têm demonstrado que a IU também é frequente em mulheres jovens e fisicamente ativas, sobretudo aquelas que realizam atividades de alta intensidade, como o CrossFit®. Essa modalidade esportiva, reconhecida por promover ganhos expressivos de força, resistência e potência, envolve movimentos explosivos e multiarticulares que geram aumento significativo da pressão intra-abdominal (PIA), podendo sobrecarregar a musculatura do assoalho pélvico (MAP) quando esta não apresenta força ou coordenação adequadas. A IU, especialmente a incontinência urinária de esforço (IUE), é o tipo mais observado em praticantes de CrossFit. Ela ocorre em situações que elevam a PIA, como saltos, levantamento de peso ou corrida intensa, levando à perda de urina involuntária. Apesar de sua alta prevalência, o tema ainda é cercado de tabus e desconhecimento, fazendo com que muitas mulheres normalizem os sintomas ou os tratem como algo inevitável da prática esportiva. Nesse cenário, a fisioterapia pélvica tem se consolidado como uma intervenção de primeira escolha, tanto preventiva quanto terapêutica, por meio de técnicas baseadas em evidências, como o treinamento muscular do assoalho pélvico (TMAP), biofeedback, eletroestimulação e reeducação respiratória. Tais recursos visam restabelecer a função muscular, promover controle pressórico adequado e garantir estabilidade pélvica durante o esforço físico. Dessa forma, o presente estudo busca compreender a relação entre a prática do CrossFit e a ocorrência de incontinência urinária em mulheres, bem como identificar as abordagens fisioterapêuticas mais eficazes na prevenção e no tratamento dessa disfunção, valorizando o papel do fisioterapeuta na promoção da saúde feminina no contexto esportivo. 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Analisar a influência da prática do CrossFit® no desenvolvimento da incontinência urinária feminine. 2.2 Objetivos específicos - Analisar a influência da elevação da pressão intra-abdominal decorrente dos exercícios de alta intensidade do CrossFit, sobre a musculatura do assoalho pélvico; - Identificar a prevalência e os principais fatores de risco da incontinência urinária em mulheres praticantes dessa atividade; - Descrever as intervenções fisioterapêuticas mais utilizadas, e suas evidências de eficácia no manejo dessa condição; 3. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter exploratório-descritivo, realizada por meio da análise de estudos publicados entre 2020 e 2025 nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed. Os descritores utilizados foram: Assoalho Pélvico, Incontinência Urinária de Esforço, Exercício Físico e Fisioterapia, nos idiomas português, inglês e espanhol. Critérios de inclusão: artigos que abordassem a incontinência urinária em mulheres praticantes de CrossFit e/ou o uso de técnicas fisioterapêuticas preventivas e terapêuticas; disponíveis na íntegra e publicados dentro do período estipulado. Critérios de exclusão: estudos duplicados, fora do recorte temporal, ou que analisassem outras modalidades esportivas sem relação direta com o CrossFit. Após triagem e leitura crítica, 10 estudos atenderam aos critérios. Os dados foram sintetizados em tabelas comparativas, destacando autor, ano, tipo de estudo, objetivos,metodologia e resultados. 4. RESULTADOS Foram encontrados 137 estudos, dos quais 10 foram selecionados após aplicação dos critérios de elegibilidade. As pesquisas apontam prevalência de IU entre 10,9% e 84% entre mulheres praticantes de CrossFit, com predominância do tipo de esforço (IUE). Entre os principais fatores de risco, destacam-se: idade superior a 35 anos, partos vaginais e multiparidade, prática de exercícios com saltos, levantamento de peso e movimentos explosivos, tempo de prática superior a 2 anos e fraqueza ou falta de coordenação do assoalho pelvic. Os estudos de Pisani et al. (2021) e Álvarez-García & Doğanay (2022) demonstraram que muitas praticantes relataram episódios leves de perda urinária, adotando medidas paliativas, como esvaziar a bexiga antes do treino (77%) ou uso de absorventes (18%),evidenciando desconhecimento sobre intervenções fisioterapêuticas. O ensaio clínico randomizado de Skaug et al. (2024) comprovou a eficácia do TMAP, revelando melhora de 64% dos sintomas de IUE no grupo intervenção, contra 8% no grupo controle, em 16 semanas de treinamento supervisionado. Estudos clínicos como o de Tamichi (2025) e observacionais como Machado et al. (2021) reforçam que a prática do CrossFit, quando realizada sem orientação adequada, aumenta a sobrecarga pélvica e reduz a força muscular dessa região. Machado et al. (2021) identificaram 60% de IU entre praticantes de CrossFit versus 9,5% no grupo controle. Por outro lado, Moura (2024) encontrou prevalência mais baixa (10,9%) entre mulheres jovens, sugerindo que fatores como técnica correta, acompanhamento profissional e condicionamento muscular podem reduzir a incidência da disfunção. O conjunto das evidências confirma que a fisioterapia pélvica é um método efetivo para o controle da IU, proporcionando não apenas melhora dos sintomas urinários, mas também da função sexual, estabilidade lombopélvica, respiração e qualidade de vida. 5. DISCUSSÃO Os resultados reforçam que a incontinência urinária é uma ocorrência frequente em mulheres que praticam CrossFit, sendo um tema de crescente interesse científico e clínico. Apesar das variações metodológicas e amostrais, a tendência é clara: exercícios de alta intensidade e impacto aumentam a pressão intra-abdominal, e, sem uma resposta adequada do assoalho pélvico, há risco significativo de perda urinária. A subnotificação é um fator relevante. Muitas mulheres não relatam os sintomas por vergonha, receio de julgamento ou por acreditarem que se trata de algo “normal” da prática esportiva. Essa invisibilidade dificulta o diagnóstico e retarda o início de intervenções fisioterapêuticas, que poderiam evitar a progressão da disfunção. Outro ponto observado é a discrepância entre os sintomas e o impacto percebido na qualidade de vida. Em estudos como os de Lopes et al. (2020) e Moura (2024), grande parte das participantes afirmou que a IU não interferia significativamente em suas atividades, possivelmente por adaptação comportamental ou minimização dos episódios. No entanto, essa percepção pode mascarar o problema e atrasar a busca por tratamento. A adoção de estratégias paliativas, como reduzir ingestão de líquidos, evitar determinados movimentos ou usar absorventes durante o treino, pode gerar riscos adicionais, como desidratação, infecções urinárias e desequilíbrios musculares, além de não solucionar a causa fisiológica do problema. Nesse contexto, a fisioterapia pélvica tem papel fundamental. O treinamento muscular do assoalho pélvico (TMAP), conforme comprovado por Skaug et al. (2024), apresenta resultados expressivos e duradouros. O fortalecimento dessa musculatura melhora a capacidade de resposta à PIA, reduz episódios de perda urinária e aumenta a estabilidade do core, o que contribui também para melhor desempenho esportivo. Intervenções complementares, como biofeedback, eletroestimulação, liberação miofascial e reeducação respiratória, ampliam os benefícios físicos e emocionais. Casos relatados por Tamichi (2025) mostraram melhora não apenas nos sintomas de IU, mas também na função sexual e no bem-estar psicológico, demonstrando que o cuidado fisioterapêutico impacta de forma integral a saúde da mulher. Além disso, é essencial considerar a educação postural e respiratória, visto que a sinergia entre diafragma, músculos abdominais e assoalho pélvico é determinante para o controle da pressão interna durante o esforço. Quando essa coordenação é comprometida, o corpo perde estabilidade e aumenta a sobrecarga sobre as estruturas pélvicas. Por isso, defende-se a integração entre fisioterapeutas, educadores físicos e treinadores, com a inserção de avaliações pélvicas preventivas em academias e boxes de CrossFit®. Essa parceria permite identificar precocemente disfunções e orientar práticas seguras, promovendo a saúde, a longevidade esportiva e a qualidade de vida das mulheres. 5. CONCLUSÃO A incontinência urinária é uma disfunção prevalente entre mulheres praticantes de CrossFit®, especialmente do tipo de esforço, associada ao aumento da pressão intra-abdominal durante exercícios de alta intensidade. Os resultados analisados demonstram que, embora muitos casos sejam leves, o problema é real e recorrente, e pode afetar o desempenho físico, a autoconfiança e a saúde global das praticantes. A fisioterapia pélvica é uma ferramenta essencial, tanto preventiva quanto terapêutica, que oferece resultados clínicos expressivos e melhora multidimensional física, emocional e funcional. Técnicas como o TMAP, a reeducação respiratória, a eletroestimulação e às retinas de avaliação feminina nas academias. Conclui-se que a atuação preventiva e integrada da fisioterapia dentro do contexto esportivo é indispensável para reduzir a incidência da IU, otimizar o desempenho atlético e fortalecer a consciência corporal das mulheres. Além disso, a educação em saúde pélvica deve ser estimulada, combatendo tabus e promovendo a autonomia feminine sobre o próprio corpo. Assim, investir em estratégias fisioterapêuticas e educativas não apenas trata a disfunção, mas transforma o ambiente esportivo em um espaço mais saudável, acolhedor e inclusivo, no qual a mulher possa atingir seu máximo potencial físico e emocional com segurança e qualidade de vida.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUSA, Elizangela Teixeira De et al.. INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM MULHERES PRATICANTES DE CROSSFIT: ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1374209-INCONTINENCIA-URINARIA-EM-MULHERES-PRATICANTES-DE-CROSSFIT--ABORDAGENS-FISIOTERAPEUTICAS-NA-PREVENCAO-E-TRATAMEN. Acesso em: 12/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes