RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA: FÉ, RESISTÊNCIA E IDENTIDADE NO BRASIL — RELATO DE UMA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO ENSINO MÉDIO

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA: FÉ, RESISTÊNCIA E IDENTIDADE NO BRASIL — RELATO DE UMA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO ENSINO MÉDIO
Autores
  • Maria Eduarda Pereira Leite
  • Eloíza Tábata Romão Matias
  • Gabriel Vitor Virgínio Barreto
  • Maria Eduarda Pereira Chaves
  • Eloiza Tabata Romão Matias
  • Natanael Marcolino de Brito
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Educação e Formação em Saúde – metodologias inovadoras, ensino interprofissional, extensão e práticas pedagógicas
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1373866-religioes-de-matriz-africana--fe-resistencia-e-identidade-no-brasil--relato-de-uma-intervencao-pedagogica-no-e
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Religiões de matriz africana, intolerância religiosa, extensão universitária, educação em direitos humanos, protagonismo juvenil.
Resumo
RESUMO O presente trabalho apresenta os resultados parciais de um projeto de extensão universitária desenvolvido por discentes do curso de Direito do Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), em Juazeiro do Norte – CE, cujo foco é o reconhecimento, a valorização e a defesa das religiões de matriz africana como patrimônio histórico-cultural e direito fundamental. A intervenção inicial ocorreu na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Amália Xavier, com estudantes líderes e vice-líderes de turma, tendo como objetivo promover reflexões críticas sobre diversidade religiosa e combate ao racismo religioso. A metodologia adotada foi participativa e dialógica, envolvendo dinâmicas de sensibilização, exposição dialogada, estudo de casos e produção coletiva de campanhas educativas. Os principais resultados apontam para o fortalecimento da empatia, a ampliação da compreensão crítica sobre o histórico de intolerância religiosa no Brasil, a valorização do protagonismo juvenil e a construção de compromissos coletivos de respeito à diversidade, registrados no “Mural do Respeito”. A ação mostrou-se potente como prática educativa transformadora, contribuindo para um ambiente escolar mais inclusivo e democrático, além de reforçar a importância da extensão universitária na promoção dos direitos humanos. Palavras-chave: Religiões de matriz africana; intolerância religiosa; extensão universitária; educação em direitos humanos; protagonismo juvenil. 1. INTRODUÇÃO As religiões de matriz africana constituem um dos mais expressivos exemplos de resistência cultural e espiritual no Brasil. Desde o período colonial, práticas religiosas afro-brasileiras foram perseguidas, invisibilizadas e criminalizadas, sendo associadas à feitiçaria ou curandeirismo (BASTIDE, 1971; FERRETTI, 1995). Apesar dos avanços constitucionais que asseguram a liberdade religiosa — como previsto no artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal de 1988 —, a efetivação desse direito ainda enfrenta obstáculos históricos, sociais e culturais, especialmente em relação a essas tradições. Em cidades como Juazeiro do Norte, marcada pela forte religiosidade popular católica, a presença dessas práticas permanece muitas vezes marginalizada, o que reforça a necessidade de promover espaços de diálogo e reconhecimento. No ambiente escolar, observa-se uma lacuna entre o previsto em lei e a prática cotidiana. Embora as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 determinem a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, o tema ainda é frequentemente abordado de forma superficial, perpetuando estigmas. Como apontam Mary (1999) e Campani (2001), essas religiões estão em constante processo de ressignificação simbólica, ora resistindo às tentativas de apagamento, ora dialogando com outras tradições religiosas. A ausência de debates qualificados contribui para a reprodução de visões estereotipadas e para o fortalecimento do racismo religioso como forma de discriminação estrutural. Diante disso, o projeto busca promover o reconhecimento e a valorização dessas religiões por meio de ações educativas e culturais, estimulando o protagonismo juvenil e articulando universidade, escola e comunidade religiosa. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Autores clássicos e contemporâneos analisam as religiões afro-brasileiras como práticas de resistência cultural, espiritual e política. Bastide (1971) destaca que seus símbolos preservam uma memória coletiva marcada pela diáspora e pela violência colonial, sendo reinterpretados em contato com o catolicismo imposto, num processo de sincretismo que assegurou sua continuidade. Ferretti (1995) aprofunda essa análise ao mostrar que essas tradições se constituem por dinâmicas de separação, mistura e adaptação, revelando sua capacidade de reinvenção sem perder fundamentos simbólicos e comunitários. Mary (1999) e Campani (2001) destacam que, no contexto contemporâneo, essas religiões permanecem em constante releitura, ora negociando com outras tradições, ora reafirmando seus valores ancestrais. Essa perspectiva evidencia que o racismo religioso é estrutural e se manifesta em práticas sociais e institucionais que invisibilizam essas tradições. No campo educacional, a abordagem do tema é sustentada por dispositivos legais como a Constituição Federal de 1988 e as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. No entanto, persiste um descompasso entre legislação e prática pedagógica. A intervenção realizada na Escola Amália Xavier atua sobre essa lacuna ao adotar metodologias participativas — rodas de conversa, dinâmicas de sensibilização e oficinas criativas — que estimulam reflexões críticas e fortalecem o protagonismo juvenil no enfrentamento ao racismo religioso. Assim, a fundamentação teórica oferece suporte tanto para compreender a relevância histórica dessas religiões quanto para orientar práticas pedagógicas transformadoras. 3. METODOLOGIA A pesquisa possui abordagem qualitativa, com caráter interventivo e de campo, inserida no contexto das atividades de extensão do curso de Direito da UNINASSAU, em Juazeiro do Norte – CE. A ação ocorreu em setembro de 2025, na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Amália Xavier (CREDE 19). Participaram 16 estudantes líderes e vice-líderes de turma, escolhidos por sua posição de representatividade escolar, o que favorece a multiplicação das reflexões no ambiente educativo. Foram utilizadas técnicas participativas e observacionais, com registros qualitativos das interações e produções dos alunos. A oficina teve duração de 1h30 e foi organizada em quatro momentos: dinâmica de sensibilização “Círculo da Diversidade”; exposição dialogada sobre história das religiões afro-brasileiras e legislação; estudo de casos reais seguido de debate; e oficina criativa “Campanha pelo Respeito”, que resultou na criação do Mural do Respeito. Os instrumentos incluíram recursos audiovisuais, cartolinas, post-its, panfletos e materiais de escrita. A análise dos resultados foi descritiva e interpretativa, buscando identificar mudanças nas percepções e evidências de protagonismo estudantil. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados evidenciam avanços significativos na sensibilização e compreensão crítica dos estudantes sobre diversidade religiosa e racismo estrutural. A dinâmica inicial promoveu um ambiente de escuta e empatia, estimulando os participantes a refletirem sobre preconceitos vividos e presenciados. Observou-se que muitos possuíam visões limitadas ou estereotipadas sobre religiões afro-brasileiras, revelando o distanciamento entre as determinações legais e as práticas pedagógicas. A exposição dialogada e o estudo de casos favoreceram a ressignificação desses saberes, articulando episódios reais de intolerância religiosa ao arcabouço jurídico existente. Essa relação entre teoria e prática levou os alunos a compreenderem a intolerância religiosa como expressão do racismo estrutural, em consonância com Bastide (1971) e Mary (1999), reforçando o caráter educativo da intervenção. A oficina criativa resultou no “Mural do Respeito”, um produto coletivo que expressa compromissos pessoais e grupais com a valorização da diversidade religiosa, permanecendo exposto na escola como registro pedagógico. Essa etapa consolidou aprendizagens e estimulou o protagonismo juvenil, com líderes e vice-líderes atuando como multiplicadores. Estudos sobre práticas antirracistas (FERRETTI, 1995; CAMPANI, 2001) indicam que metodologias participativas — que combinam escuta, reflexão crítica e produção coletiva — geram mudanças mais duradouras nas atitudes e no clima escolar. Assim, os achados demonstram que ações extensionistas desse tipo funcionam como instrumentos eficazes de educação em direitos humanos, fortalecendo práticas pedagógicas inclusivas e transformadoras. 5. CONCLUSÃO A intervenção alcançou seus objetivos ao promover o reconhecimento, o respeito e a valorização das religiões de matriz africana, estimulando reflexão crítica, protagonismo juvenil e enfrentamento ao racismo religioso. As contribuições concentram-se na articulação entre universidade, escola e comunidade, evidenciando o potencial da extensão como instrumento de educação em direitos humanos e transformação social. A ação ampliou a compreensão dos estudantes sobre diversidade religiosa e consolidou espaços de diálogo e produção coletiva. Como limitação, destaca-se a realização em um único momento e com grupo reduzido. Pesquisas futuras podem expandir o público e adotar ações continuadas para avaliar impactos a longo prazo.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LEITE, Maria Eduarda Pereira et al.. RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA: FÉ, RESISTÊNCIA E IDENTIDADE NO BRASIL — RELATO DE UMA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO ENSINO MÉDIO.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1373866-RELIGIOES-DE-MATRIZ-AFRICANA--FE-RESISTENCIA-E-IDENTIDADE-NO-BRASIL--RELATO-DE-UMA-INTERVENCAO-PEDAGOGICA-NO-E. Acesso em: 07/03/2026

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