OS BENEFÍCIOS DA CNAF E DO CPAP NO TRATAMENTO DE NEONATOS COM DESCONFORTO RESPIRATÓRIO AGUDO

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
OS BENEFÍCIOS DA CNAF E DO CPAP NO TRATAMENTO DE NEONATOS COM DESCONFORTO RESPIRATÓRIO AGUDO
Autores
  • Liziane Silva Ferreira dos Santos Cruz
  • Poliana Da Silva Almeida
  • Ana Raquel Pereira De Sousa
  • Maria Luzia Pereira Domingos
  • Elizangela Teixeira De Sousa
  • claudia alves de alencar
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1373499-os-beneficios-da-cnaf-e-do-cpap-no-tratamento-de-neonatos-com-desconforto-respiratorio-agudo
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Inalação de Oxigênio, Pressão Positiva Contínua de Vias Aéreas, Síndrome do Desconforto Respiratório do Recém-nascido, Terapia Respiratória.
Resumo
1. Introdução O desconforto respiratório neonatal representa um dos principais desafios da assistência fisioterapêutica em unidades de terapia intensiva neonatal (UTIN), especialmente entre recém-nascidos prematuros. A Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) é uma das condições mais frequentes e está associada à imaturidade pulmonar e à deficiência de surfactante, levando a falhas nas trocas gasosas e à hipóxia (Morais et al., 2025). Entre 2010 e 2020, o Brasil registrou 29.789 óbitos de recém-nascidos por SDR, sendo as regiões Sudeste e Nordeste as mais afetadas (Santos et al., 2023). A fisioterapia respiratória tem papel essencial na recuperação da função pulmonar desses pacientes, e nos últimos anos, métodos não invasivos de suporte ventilatório tornaram-se fundamentais na abordagem neonatal. Dentre esses, destacam-se o CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) e a CNAF (Cânula Nasal de Alto Fluxo). O CPAP atua mantendo as vias aéreas abertas por meio de pressão positiva contínua, prevenindo o colapso alveolar e melhorando a oxigenação (Almeida, 2022). Já a CNAF fornece oxigênio aquecido e umidificado em fluxos elevados, reduzindo o esforço respiratório e proporcionando conforto e estabilidade (Pereira et al., 2023). Apesar de ambas as modalidades apresentarem bons resultados, ainda há debate sobre qual seria a mais eficaz no manejo inicial da SDR neonatal. Assim, este estudo buscou analisar comparativamente os benefícios do CPAP e da CNAF, considerando desfechos clínicos, eficácia, tolerância e aplicabilidade em diferentes contextos hospitalares. 2. Objetivos 2.1 Objetivo Geral: Avaliar os benefícios do uso da Cânula Nasal de Alto Fluxo e da pressão Positiva (CPAP) no tratamento de neonatos com desconforto respiratório. 2.2 Objetivos Específicos: . Discorrer sobre os benefícios clínicos na oxigenoterapia e as indicações da Cânula Nasal de Alto Fluxo (CNAF) e da Pressão Positiva Contínua das Vias Aéreas (CPAP) no manejo do desconforto respiratório em neonatos; . Identificar os critérios diagnósticos para a escolha entre as duas abordagens. . Avaliar o impacto do uso dessas terapias na redução da necessidade de ventilação invasiva em recém-nascidos; . Considerar seus benefícios clínicos, incluindo impacto da oxigenação e redução da necessidade de ventilação invasiva. 3. Metodologia Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, de abordagem qualitativa e exploratória, desenvolvida a partir da análise de publicações científicas disponíveis nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed. Foram utilizadas as palavras-chave: Inalação de Oxigênio, Pressão Positiva Contínua de Vias Aéreas, Síndrome do Desconforto Respiratório do Recém-Nascido e Terapia Respiratória. Foram incluídos artigos de intervenção, publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português, espanhol e inglês. Excluíram-se trabalhos duplicados, indisponíveis ou anteriores a cinco anos da busca. Ao todo, 381 publicações foram inicialmente identificadas. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 10 artigos compuseram a amostra final, que foi sistematizada em uma tabela contendo autor, título, metodologia, objetivo e principais resultados. A análise dos dados baseou-se na comparação dos achados quanto à eficácia clínica, taxas de sucesso terapêutico, complicações e aplicabilidade das terapias nos diferentes contextos neonatais. 4. Resultados Os resultados apontam que tanto o CPAP quanto a CNAF apresentam benefícios significativos na oxigenação e estabilização respiratória de recém-nascidos com SDR, embora com diferenças quanto ao perfil ideal de aplicação. O estudo multicêntrico de Cresi et al. (2023) evidenciou melhor desempenho respiratório com o CPAP, com taxa de falha de apenas 4,8%, contra 73,9% no grupo CNAF. O CPAP promoveu maior relação SpO₂/FiO₂, indicando melhor recrutamento alveolar e eficiência na troca gasosa. Já o trabalho de Martinéz et al. (2022) mostrou equivalência clínica entre CNAF e CPAP em neonatos com taquipneia transitória, sem diferenças significativas em tempo de oxigenoterapia, internação ou complicações — ainda que o CPAP tenha apresentado maior incidência de lesões nasais. Em um estudo nacional, Aragão (2022) demonstrou que o uso da CNAF em bronquiolite reduziu sete vezes a necessidade de ventilação não invasiva e cinco vezes as transferências para UTI pediátrica, reforçando seu potencial em unidades de menor complexidade. Oliveira (2025) observou que, após a introdução da CNAF, houve redução no tempo de internação e melhora clínica significativa, com queda de 47% na frequência respiratória e melhora dos escores de desconforto. De forma semelhante, Lopes et al. (2025) relataram 80% de sucesso terapêutico com CNAF em UTIs neonatais, destacando boa tolerância e adaptação dos pacientes, embora os casos de falha tenham ocorrido principalmente em prematuros e neonatos de baixo peso. No que diz respeito ao CPAP, Ho, Subramaniam e Davis (2020) identificaram redução expressiva na mortalidade e necessidade de ventilação mecânica, com um NNT (Número Necessário para Tratar) de 6 para evitar um desfecho grave. Estudos como o de Fátima et al. (2020) e Mwatha et al. (2020) confirmaram a superioridade do CPAP em relação à oxigenoterapia convencional, apresentando menor taxa de falhas e melhor escore clínico respiratório. Entretanto, Dell’Orto et al. (2021) relataram falha terapêutica do CPAP em 44,8% dos casos, associada a valores elevados de FiO₂ nas primeiras horas de vida. Isso sugere a necessidade de monitoramento rigoroso para evitar hipoxemia e identificar precocemente os casos que exigem escalonamento. Por fim, Barbosa e Siqueira (2024) destacaram que a aplicação precoce do CPAP (até 120 minutos após o nascimento) aumentou em 1,4 vez o sucesso da terapia, reduzindo a necessidade de internação em UTI. 5. Discussão A literatura evidencia que o CPAP permanece como o padrão-ouro no tratamento inicial da SDR, especialmente em prematuros com maior instabilidade respiratória. Seu principal diferencial é a capacidade de manter pressão positiva contínua nas vias aéreas, prevenindo o colapso alveolar e otimizando a oxigenação (Dassios, 2024). Entretanto, o uso da CNAF vem crescendo devido à sua facilidade de aplicação, melhor conforto e menor risco de lesões nasais, tornando-se uma alternativa eficaz em unidades de menor complexidade ou em pacientes mais estáveis. O estudo de Cresi et al. (2023) reforça que o CPAP deve ser priorizado nos casos de SDR moderada a grave, enquanto Martinéz et al. (2022) e Aragão (2022) mostram que a CNAF pode substituir o CPAP em quadros leves e em ambientes sem suporte intensivo. A análise de Ho et al. (2020) e Mwatha et al. (2020) reforça o impacto positivo do CPAP na redução de mortalidade e da necessidade de ventilação mecânica invasiva, resultados fundamentais para minimizar complicações como a displasia broncopulmonar. Por outro lado, as pesquisas de Oliveira (2025) e Lopes et al. (2025) mostram que a CNAF melhora parâmetros cardiorrespiratórios e reduz o tempo de hospitalização, embora apresente falhas em prematuros extremos, sugerindo que sua indicação deve ser criteriosa. A falha terapêutica do CPAP, apontada por Dell’Orto et al. (2021), alerta para a importância da monitorização da FiO₂ e do reconhecimento precoce de sinais de instabilidade. O uso de ferramentas como o Boletim de Silverman-Anderson auxilia na detecção de piora clínica e na tomada de decisão quanto à necessidade de escalonamento. Do ponto de vista fisiológico, ambas as terapias atuam favorecendo a relação ventilação/perfusão (V/Q) e o recrutamento alveolar, porém o CPAP exerce pressão positiva constante, enquanto a CNAF gera um efeito semelhante de forma mais leve e contínua. Assim, o impacto hemodinâmico do CPAP pode ser mais expressivo, exigindo acompanhamento rigoroso. Os estudos analisados reforçam ainda que o tempo oportuno de intervenção é um fator decisivo. O uso precoce de suporte não invasivo nas primeiras horas de vida, como descrito por Barbosa e Siqueira (2024), aumenta as chances de sucesso e reduz complicações. Outro aspecto importante é o contexto assistencial. O CPAP demanda infraestrutura mais complexa e equipe treinada, enquanto a CNAF se mostra vantajosa em unidades intermediárias, reduzindo transferências desnecessárias e promovendo maior estabilidade clínica (Aragão, 2022). Em síntese, o conjunto das evidências aponta que: O CPAP é mais indicado para neonatos prematuros e com SDR moderada a grave, por garantir melhor recrutamento alveolar e reduzir mortalidade. A CNAF é eficaz em casos leves e em contextos com recursos limitados, sendo associada a maior conforto e menor incidência de lesões. A individualização da conduta, com base na gravidade clínica, idade gestacional e disponibilidade de recursos, é determinante para o sucesso terapêutico. 6. Conclusão Conclui-se que tanto o CPAP quanto a CNAF são modalidades eficazes no tratamento da Síndrome do Desconforto Respiratório em neonatos, cada uma com suas vantagens específicas. O CPAP permanece como a terapia não invasiva de escolha para casos de maior gravidade, promovendo melhor oxigenação e menor necessidade de ventilação mecânica invasiva. Já a CNAF apresenta-se como alternativa segura e confortável, especialmente em neonatos clinicamente estáveis e em unidades de menor complexidade. A escolha entre as duas abordagens deve ser pautada em critérios clínicos individualizados, considerando o perfil do paciente, a gravidade do quadro e a estrutura hospitalar disponível. A atuação integrada da equipe multiprofissional, o treinamento contínuo e o uso de protocolos baseados em evidências são fundamentais para otimizar os resultados e reduzir complicações respiratórias no período neonatal. Assim, o presente estudo reafirma a importância da fisioterapia respiratória no contexto neonatal e contribui para a construção de práticas clínicas mais seguras, eficazes e humanizadas no manejo do desconforto respiratório agudo em recém-nascidos.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CRUZ, Liziane Silva Ferreira dos Santos et al.. OS BENEFÍCIOS DA CNAF E DO CPAP NO TRATAMENTO DE NEONATOS COM DESCONFORTO RESPIRATÓRIO AGUDO.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1373499-OS-BENEFICIOS-DA-CNAF-E-DO-CPAP-NO-TRATAMENTO-DE-NEONATOS-COM-DESCONFORTO-RESPIRATORIO-AGUDO. Acesso em: 12/03/2026

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