FONOAUDIOLOGIA NA ONCOLOGIA: IMPACTOS, INTERVENÇÕES E HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
FONOAUDIOLOGIA NA ONCOLOGIA: IMPACTOS, INTERVENÇÕES E HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO
Autores
  • Rychardson Bruno Correia
  • Márcia Rejane Freire De Oliveira
  • Tayronne de Almeida Rodrigues
  • João Leandro Neto
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Educação e Formação em Saúde – metodologias inovadoras, ensino interprofissional, extensão e práticas pedagógicas
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1370499-fonoaudiologia-na-oncologia--impactos-intervencoes-e-humanizacao-do-cuidado
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Disfagia, Cuidados Paliativos, Reabilitação Funcional, Ética do Cuidado, Comunicação Terapêutica.
Resumo
Fonoaudiologia na Oncologia: Impactos, Intervenções e Humanização do Cuidado Introdução A Fonoaudiologia aplicada à Oncologia tem se consolidado como campo de estudo e prática clínica voltado à reabilitação de funções vitais relacionadas à comunicação, fala e deglutição. Pacientes acometidos por neoplasias, principalmente na região de cabeça e pescoço, enfrentam limitações que interferem em aspectos biológicos, psicológicos e sociais da existência. Cirurgias, radioterapia e quimioterapia alteram estruturas do trato aerodigestivo e exigem reestruturação funcional conduzida por profissionais especializados. Nesse contexto, torna-se necessário compreender como a atuação fonoaudiológica pode intervir na reabilitação funcional e no cuidado humanizado de pessoas em tratamento oncológico. O objetivo consiste em analisar estratégias terapêuticas e práticas clínicas da Fonoaudiologia em Oncologia, com ênfase na reabilitação e na ética do cuidado, integrando evidências científicas contemporâneas sobre o tema. Metodologia O estudo segue natureza qualitativa e descritiva, estruturado por revisão integrativa da literatura. A pesquisa foi realizada nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Redalyc, entre os anos de 2015 e 2025. Utilizaram-se os descritores “Fonoaudiologia”, “Oncologia”, “Cuidados Paliativos”, “Disfagia” e “Reabilitação Funcional”. Foram incluídos artigos e documentos técnicos que abordam a atuação fonoaudiológica em pacientes com câncer de cabeça e pescoço e em cuidados paliativos. Excluíram-se publicações sem dados clínicos, revisões narrativas e textos sem fundamentação científica verificável. Após triagem, dezessete estudos preencheram os critérios de inclusão. O exame do material seguiu leitura analítica e categorização temática, distribuída nos seguintes eixos: (1) avaliação funcional, (2) intervenções terapêuticas, (3) cuidado paliativo e (4) desafios éticos e sociais do exercício profissional. A metodologia empregada respeitou critérios éticos e não envolveu coleta de dados com seres humanos, sendo dispensada de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados e Discussão A literatura recente reconhece a importância da atuação fonoaudiológica em fases iniciais do tratamento oncológico. Rossi, Moraes e Molento (2021), em estudo publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, indicam que a avaliação da deglutição é etapa decisiva para o planejamento clínico. O diagnóstico funcional precoce possibilita adequar condutas terapêuticas às condições anatômicas e fisiológicas do paciente. Larré et al. (2020) analisaram prontuários de pacientes com disfagia decorrente de neoplasias e constataram evolução favorável nos níveis de ingestão oral após reabilitação baseada em escalas funcionais, como a Functional Oral Intake Scale. Rocha et al. (2025) investigaram o risco de disfagia em indivíduos submetidos a diferentes terapias antineoplásicas e identificaram comprometimento da via oral mesmo em tumores fora da região de cabeça e pescoço, o que reforça a amplitude das implicações clínicas para a Fonoaudiologia. A precisão na avaliação fonoaudiológica depende de exames complementares, como videofluoroscopia, nasofibrolaringoscopia e biofeedback ultrassonográfico, que permitem observar a mecânica da deglutição e o comportamento dos músculos envolvidos. Esses instrumentos técnicos possibilitam identificar padrões compensatórios e estabelecer metas terapêuticas mensuráveis. As terapias antineoplásicas afetam tecidos musculares e nervosos responsáveis por fala, mastigação e deglutição. A atuação fonoaudiológica nesse contexto requer conhecimento das alterações estruturais e dos impactos sobre o sistema estomatognático. Em estudo clínico apresentado na Universidade Estadual de Campinas, verificou-se que o uso de técnicas como crioalongamento e massoterapia facial auxilia na redução de trismo e fibrose pós-radioterápica, contribuindo para maior amplitude de movimento da mandíbula e adaptação alimentar. Nos casos de laringectomia total, o processo de reabilitação envolve reeducação da comunicação oral por meio de recursos como voz esofágica, prótese traqueoesofágica e laringe eletrônica. A escolha do método depende do perfil anatômico e psicológico do paciente, exigindo treinamento progressivo e apoio psicossocial. A atuação do fonoaudiólogo se estende à orientação familiar, pois o sucesso terapêutico requer ambiente de acolhimento e incentivo à comunicação. A literatura especializada evidencia que, nas fases paliativas, a Fonoaudiologia assume função de suporte comunicativo e alimentar. A revisão integrativa publicada na Revista Kairós (PUC-SP, 2021) analisou experiências clínicas e concluiu que o foco do cuidado deve recair sobre o conforto e a manutenção das funções vitais relacionadas à comunicação e deglutição, respeitando desejos e limites do paciente. O estudo de Santos et al. (2025), veiculado pela FOCO Publicações, observou que o atendimento fonoaudiológico em cuidados paliativos reduz desconfortos orais e restabelece interações familiares. O artigo “Atendimento fonoaudiológico para pacientes em cuidados paliativos”, disponível no portal Redalyc, documenta a atuação de profissionais que mantiveram via oral funcional em mais de metade dos pacientes internados, por meio de ajustes na consistência alimentar e manobras compensatórias. A Resolução nº 633/2021 do Conselho Federal de Fonoaudiologia determina diretrizes éticas para essa prática, assegurando autonomia ao paciente e integração da Fonoaudiologia às equipes multiprofissionais. Esse documento estabelece que o fonoaudiólogo deve avaliar riscos, orientar familiares e planejar condutas que preservem conforto e dignidade, considerando valores culturais e espirituais do paciente. Lopes e França (2024), na Revista Bioética, discutem os dilemas morais que permeiam a atuação fonoaudiológica em fim de vida, ressaltando a importância da deliberação compartilhada entre profissionais e familiares. A ética do cuidado emerge como componente essencial do processo terapêutico, assegurando respeito à vontade do indivíduo e coerência com os princípios da beneficência e da autonomia. A literatura evidencia desigualdade no acesso aos serviços de reabilitação fonoaudiológica, especialmente em contextos municipais de baixa cobertura assistencial. Estudos publicados em periódicos da área apontam carência de programas públicos voltados à reabilitação oncológica. Essa lacuna reforça a necessidade de políticas que incorporem o fonoaudiólogo às equipes de atenção primária e aos centros de referência oncológica. A pesquisa “Percepção de fonoaudiólogos sobre atuação em cuidados paliativos”, indexada no Redalyc, identificou que muitos profissionais percebem subvalorização institucional de seu trabalho e reconhecem a urgência de formação específica para lidar com demandas emocionais complexas. Esses resultados convergem com a análise de Calheiros e Albuquerque (2012), na Revista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, que abordou a inserção da Fonoaudiologia em equipes hospitalares e evidenciou a necessidade de capacitação contínua. O artigo “Valores e crenças relacionados à alimentação oral em cuidados paliativos”, publicado pela Revista Brasileira de Cancerologia, apresenta que a alimentação ultrapassa a dimensão fisiológica, assumindo significado simbólico ligado à convivência e à manutenção da identidade. A atuação fonoaudiológica deve, portanto, reconhecer o valor social da alimentação e adequar as condutas clínicas às preferências e crenças do paciente. Considerações Finais A análise da produção científica confirma que a Fonoaudiologia em Oncologia ocupa lugar indispensável no cuidado integral de pessoas com câncer de cabeça e pescoço. As intervenções precoces, a utilização de exames complementares e o acompanhamento contínuo ampliam as possibilidades de recuperação funcional e melhoram o convívio social e familiar dos pacientes. Nos cuidados paliativos, o fonoaudiólogo assume responsabilidade ética de garantir comunicação e alimentação seguras, respeitando a individualidade de cada pessoa. A formação acadêmica deve incluir conteúdos específicos sobre oncologia e terminalidade, de modo a preparar profissionais para situações complexas que envolvem sofrimento, decisão terapêutica e limites da intervenção clínica. A consolidação da Fonoaudiologia Oncológica depende de políticas públicas de inclusão e financiamento, integração das equipes multiprofissionais e estímulo à pesquisa aplicada. O fortalecimento dessa área reflete compromisso com a dignidade humana e com a valorização da comunicação como dimensão essencial da vida.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CORREIA, Rychardson Bruno et al.. FONOAUDIOLOGIA NA ONCOLOGIA: IMPACTOS, INTERVENÇÕES E HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1370499-FONOAUDIOLOGIA-NA-ONCOLOGIA--IMPACTOS-INTERVENCOES-E-HUMANIZACAO-DO-CUIDADO. Acesso em: 07/03/2026

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