A INSERÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: EXPANSÃO, DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA COMUNICAÇÃO HUMANA NA SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
A INSERÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: EXPANSÃO, DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA COMUNICAÇÃO HUMANA NA SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA
Autores
  • Janaina Pedrosa Dos Santos Sousa
  • Márcia Rejane Freire De Oliveira
  • Maria Georgia Alencar Callou De Figueiredo
  • João Leandro Neto
  • Tayronne de Almeida Rodrigues
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Educação e Formação em Saúde – metodologias inovadoras, ensino interprofissional, extensão e práticas pedagógicas
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1363513-a-insercao-da-fonoaudiologia-no-sistema-unico-de-saude--expansao-desafios-e-perspectivas-da-comunicacao-humana-
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Fonoaudiologia, Saúde Pública, Sistema Único de Saúde, Comunicação Humana, Integralidade do Cuidado.
Resumo
Introdução A Fonoaudiologia, inserida no campo das ciências da saúde, consolidou-se nas últimas décadas como uma área de intervenção e pesquisa comprometida com a complexidade da comunicação humana. O processo histórico de sua expansão reflete transformações nas políticas públicas brasileiras, nas concepções de saúde e nas demandas sociais que emergem da vida coletiva. A comunicação deixou de ser tratada como mera dimensão técnica ou individual, passando a ser compreendida como um direito humano que perpassa o exercício da cidadania, a inclusão social e a qualidade de vida. Essa perspectiva impulsionou a incorporação da Fonoaudiologia no Sistema Único de Saúde (SUS), modificando o perfil profissional e ampliando o alcance das práticas em atenção integral (Witwytzkyj & Tavares, 2017). Desde o final do século XX, o SUS tornou-se campo de inserção crescente da Fonoaudiologia, favorecendo a criação de políticas de inclusão e o desenvolvimento de práticas coletivas voltadas à prevenção e à promoção da saúde. O processo de interiorização dos serviços e a inserção do fonoaudiólogo nas equipes de atenção primária transformaram a compreensão da profissão, que passou a integrar ações de vigilância, educação em saúde, cuidado interprofissional e planejamento comunitário. Essa inserção também trouxe a necessidade de repensar os referenciais teóricos e metodológicos que orientam a prática, deslocando o foco do atendimento clínico individual para práticas voltadas à coletividade, às políticas sociais e à saúde integral (Chiodetto & Maldonade, 2018). A profissão passou, assim, a integrar diferentes níveis de complexidade assistencial — da atenção básica aos serviços especializados —, contribuindo para a estruturação de uma rede que busca atender às necessidades comunicacionais e de deglutição da população. O campo de atuação expandiu-se para instituições escolares, hospitais, unidades básicas, centros de reabilitação e espaços comunitários. Esse processo de expansão envolve dimensões éticas, políticas e formativas, que redefinem a compreensão do papel social do fonoaudiólogo no contexto da saúde pública. O presente artigo tem como propósito examinar o desenvolvimento da Fonoaudiologia no âmbito da saúde pública brasileira, analisando seus avanços, desafios e perspectivas contemporâneas. A reflexão baseia-se em publicações científicas que investigam a trajetória dessa inserção no SUS e os desdobramentos na formação e na prática profissional. Busca-se compreender como a consolidação dessa área no sistema público expressa a relação entre ciência, política e sociedade, ao considerar a comunicação como dimensão estruturante da existência humana e da vida coletiva. Metodologia A investigação adota o formato de revisão de literatura de natureza qualitativa, com o objetivo de compreender o percurso histórico, institucional e conceitual da Fonoaudiologia na saúde pública. Foram selecionadas produções científicas publicadas entre 2000 e 2024 em bases de dados reconhecidas, como SciELO, PubMed, LILACS e Google Scholar, considerando estudos descritivos, bibliométricos e revisões narrativas. O levantamento bibliográfico utilizou os descritores “Fonoaudiologia”, “Saúde Pública”, “SUS”, “Comunicação Humana” e “Integralidade do Cuidado”. Os critérios de inclusão envolveram publicações que tratam da inserção profissional no SUS, da formação em saúde coletiva e das políticas de comunicação e linguagem. Foram excluídos estudos voltados exclusivamente à clínica privada ou a contextos de pesquisa sem interface com a saúde pública. Após a leitura integral dos textos selecionados, foi realizada análise interpretativa, priorizando os eixos temáticos de expansão institucional, desafios de acesso, formação e inserção interprofissional. A metodologia qualitativa sustenta-se na compreensão da realidade social como processo dinâmico e histórico, no qual as práticas profissionais são mediadas por políticas públicas e por condições materiais de trabalho. Essa perspectiva permite identificar como a atuação fonoaudiológica se organiza em meio às contradições estruturais da saúde pública brasileira, reconhecendo os fatores culturais, educacionais e socioeconômicos que influenciam o cuidado em comunicação humana. Resultados e Discussão Os resultados apontam que a Fonoaudiologia passou por expressiva expansão dentro do SUS, especialmente entre 2000 e 2010, período em que os indicadores de cobertura triplicaram em diversos estados. Essa ampliação está associada à criação dos Núcleos e das Equipes eMulti, que incorporaram o fonoaudiólogo como profissional de referência na atenção básica, na reabilitação auditiva e nos programas de saúde do escolar (Miranda et al., 2015). Essa presença crescente nas redes públicas redefine o sentido da prática fonoaudiológica, tornando-a componente estruturante das ações voltadas à comunicação e à inclusão social. Contudo, as desigualdades territoriais permanecem evidentes. Em 2010, cerca de 90% dos municípios brasileiros ainda não registravam procedimentos fonoaudiológicos, o que demonstra concentração dos serviços em áreas urbanas e carência de profissionais em localidades de menor porte. Essa distribuição irregular reflete a insuficiência de políticas de provimento de recursos humanos e a limitação da formação voltada à saúde coletiva (Miranda et al., 2015). Tais lacunas comprometem a efetividade das ações e dificultam a consolidação de uma rede equitativa de atenção à comunicação humana. A formação profissional permanece como um dos principais desafios. Parte expressiva dos cursos de graduação ainda mantém currículos centrados em práticas clínicas individuais, o que reduz a compreensão da saúde como fenômeno coletivo e histórico. Esse modelo formativo restringe a participação do fonoaudiólogo em processos interdisciplinares e dificulta a integração com políticas intersetoriais. A necessidade de reformular os projetos pedagógicos e fortalecer os estágios em atenção primária é reiterada por autores que analisam a atuação em contextos públicos (Witwytzkyj & Tavares, 2017). Estudos recentes apontam que a atuação fonoaudiológica em políticas públicas deve contemplar não apenas o tratamento de distúrbios, mas a criação de ambientes comunicativos saudáveis, capazes de favorecer a inclusão e a autonomia dos sujeitos. Essa perspectiva envolve ações integradas com a educação, a cultura e os direitos humanos, reconhecendo a linguagem como mediadora das relações sociais (Pereira & Veloso, 2023). Projetos voltados à alfabetização, à acessibilidade comunicacional, à saúde vocal e à escuta qualificada em escolas e comunidades demonstram o potencial transformador da Fonoaudiologia no fortalecimento da cidadania. Em contexto internacional, Clegg et al. (2021) apontam que distúrbios de linguagem e comunicação interferem diretamente na trajetória escolar, no acesso ao emprego e na integração social. Esses achados confirmam a relevância da Fonoaudiologia como campo estratégico das políticas de saúde pública, ao considerar a comunicação um fator determinante para o desenvolvimento humano. A literatura internacional reforça que a intervenção fonoaudiológica deve ser compreendida como componente das estratégias de equidade e justiça social. A análise da produção científica nacional indica crescente reconhecimento da Fonoaudiologia nas redes de atenção, embora persistam obstáculos institucionais. A ausência de concursos públicos, a precarização dos vínculos laborais e a sobrecarga de equipes reduzem a continuidade dos programas. Tais condições fragilizam a consolidação de práticas sustentáveis e comprometem o desenvolvimento de projetos de longo prazo. O fortalecimento da atuação fonoaudiológica requer, portanto, políticas de gestão que assegurem infraestrutura, estabilidade e planejamento permanente de ações em comunicação e saúde. Considerações Finais A Fonoaudiologia consolidou-se como campo indispensável na estrutura do SUS, associando ciência, prática social e compromisso ético com o direito à comunicação. A inserção da profissão nas políticas públicas evidencia uma trajetória marcada por avanços institucionais, mas também por desafios estruturais que exigem enfrentamento contínuo. A consolidação desse percurso depende do fortalecimento da formação em saúde coletiva, da ampliação da pesquisa aplicada e do reconhecimento político da comunicação como dimensão constitutiva da vida social. A superação das desigualdades territoriais e a valorização do fonoaudiólogo na atenção básica são condições essenciais para a efetividade das ações em saúde pública. O investimento em educação permanente e em políticas de interiorização pode ampliar a presença da Fonoaudiologia em contextos rurais e periféricos, assegurando que o cuidado em comunicação humana alcance todas as populações. A consolidação de práticas interdisciplinares, o diálogo com a educação e a cultura e a inserção em programas de acessibilidade comunicacional podem ampliar a potência social e ética da profissão. A comunicação, compreendida como expressão do humano e mediação das relações sociais, precisa ser tratada como prioridade nas políticas públicas de saúde. Assim, a Fonoaudiologia se projeta não apenas como campo técnico, mas como área de produção de sentido, vínculo e cidadania, reafirmando seu compromisso com a vida coletiva e com a dignidade das pessoas.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUSA, Janaina Pedrosa Dos Santos et al.. A INSERÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: EXPANSÃO, DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA COMUNICAÇÃO HUMANA NA SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1363513-A-INSERCAO-DA-FONOAUDIOLOGIA-NO-SISTEMA-UNICO-DE-SAUDE--EXPANSAO-DESAFIOS-E-PERSPECTIVAS-DA-COMUNICACAO-HUMANA-. Acesso em: 15/03/2026

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