''HOJE EU ACORDEI COM MEDO MAS NÃO CHOREI, NEM RECLAMEI ABRIGO; DO ESCURO, EU VIA UM INFINITO'': A EXPERIÊNCIA DE CUIDADO INTEGRAL NOS “21 DIAS DE ATIVISMO” PELO FIM DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA UFRJ

Publicado em 17/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1576-9

Título do Trabalho
''HOJE EU ACORDEI COM MEDO MAS NÃO CHOREI, NEM RECLAMEI ABRIGO; DO ESCURO, EU VIA UM INFINITO'': A EXPERIÊNCIA DE CUIDADO INTEGRAL NOS “21 DIAS DE ATIVISMO” PELO FIM DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA UFRJ
Autores
  • Carolina Corbeceiri dos Reis
  • Marisa Chaves
  • Érika Fernandes Tritany
  • KARLA SANTA CRUZ COELHO
  • Blandina Babo de Oliveira Piccinini
  • Carina da Paixão Costa
  • Michele Ribeiro Sgambato
  • Paloma Pillar Dos Santos Ramos
  • Philipe Godoy dos Reis
  • Maria Tavares Cavalcanti
  • Thamyrez Luiza De Carvalho Ribeiro
  • Letícia Mangia
  • Gabriel Cardoso Mangia Corbeceiri
  • Maria Eduarda Pavão Peixoto
Modalidade
Resumo
Área temática
Humanidades
Data de Publicação
17/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-congresso-integrado-humanidades-pesquisa-ensino-medico/1099086-hoje-eu-acordei-com-medo-mas-nao-chorei-nem-reclamei-abrigo-do-escuro-eu-via-um-infinito--a-experiencia-d
ISBN
978-65-272-1576-9
Palavras-Chave
Violência de Gênero; Educação Médica; Direitos das Mulheres; Saúde Coletiva; Interseccionalidade.
Resumo
Introdução: O Brasil registrou 70.616 casos de estupro em 2022, sendo 81,8% contra mulheres, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A violência de gênero, estrutural e cotidiana, reflete uma sociedade marcada pelo machismo e pela cultura do silenciamento. Nesse contexto, o Centro de Referência para Mulheres Suely Souza de Almeida (CRMSA), sediado na UFRJ, atua há anos na promoção de direitos e combate à violência, muitos deles sob coordenação da assistente social Marisa Chaves. Este relato descreve a experiência discente na atividade “21 Dias de Ativismo”, refletindo sobre o papel da medicina na proteção integral de mulheres em vulnerabilidade. Objetivos: Descrever a atuação do Centro de Referência; analisar desafios no enfrentamento da violência de gênero; e discutir a importância da formação médica sensível às demandas das mulheres. Métodos: Desenvolveu-se um relato de experiência qualitativo a partir da participação discente nos “21 Dias de Ativismo” (novembro/2022), envolvendo observação participante, análise de materiais educativos e revisão bibliográfica sobre violência de gênero (Saffioti, 2015; Schraiber, 2022). A atividade desenvolvida contou com oficinas de dança, debates entre as participantes sobre vivências e perspectivas, além da análise posterio de políticas públicas e revisão bibliográfica. Nesse sentido, a abordagem multidisciplinar, coordenada pela assistente social Marisa Cahves, integrou conhecimentos de epidemiologia, saúde coletiva, saúde mental e ciências sociais para compreender e atuar nas vulnerabilidades, necessidades e demandas das usuárias do serviço. Resultados/Discussão: O Centro Suely Souza de Almeida promoveu debates, oficinas e atendimentos psicossociais durante os 21 dias. Nesse contexto, destacam-se a análise de 3 eixos principais, a saber: Barreiras socioculturais: o machismo estrutural, naturalizado em discursos como “briga de casal” ou “ciúme normalizado”, foi explicitado como dificultador das denúncias. Conforme Saffioti (2015), a violência simbólica precede a física, perpetuando desigualdades; Fragilidade das redes de apoio: mulheres relataram medo de represálias e descrença nas instituições. Apenas 10% dos casos de violência doméstica são denunciados (FBSP, 2023), dado que expõe falhas na articulação entre saúde, segurança e assistência social; Papel da medicina: A experiência evidenciou que profissionais de saúde frequentemente negligenciam sinais de violência, como lesões inconsistentes ou queixas psicossomáticas. Schraiber (2022) reforça que a escuta qualificada em consultas é ferramenta essencial para identificar e encaminhar vítimas. A iniciativa de Marisa Chaves, que integra acolhimento psicológico e advocacy política, mostrou-se vital para romper ciclos de violência. Oficinas de autonomia econômica e jurídica permitiram que mulheres reconstruíssem projetos de vida, alinhando-se às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021) para cuidado integral. Conclusões: Os “21 Dias de Ativismo” reforçaram que a violência de gênero é questão de saúde pública, exigindo respostas intersetoriais e formação médica antissexista. A vivência destacou a necessidade de os profissionais reconhecerem seu papel político na garantia de direitos, indo além do diagnóstico para atuar na proteção social. Recomenda-se a inclusão de disciplinas sobre gênero e direitos humanos nos currículos médicos, além da ampliação de centros de referência como espaços de cura coletiva e resistência.
Título do Evento
II Congresso Integrado Humanidades, Pesquisa e Ensino Médico
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do II Congresso Integrado Humanidades, Pesquisa e Ensino Médico
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

REIS, Carolina Corbeceiri dos et al.. ''HOJE EU ACORDEI COM MEDO MAS NÃO CHOREI, NEM RECLAMEI ABRIGO; DO ESCURO, EU VIA UM INFINITO'': A EXPERIÊNCIA DE CUIDADO INTEGRAL NOS “21 DIAS DE ATIVISMO” PELO FIM DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA UFRJ.. In: Anais do II Congresso Integrado Humanidades, Pesquisa e Ensino Médico. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Idomed Vista Carioca, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-congresso-integrado-humanidades-pesquisa-ensino-medico/1099086-HOJE-EU-ACORDEI-COM-MEDO-MAS-NAO-CHOREI-NEM-RECLAMEI-ABRIGO-DO-ESCURO-EU-VIA-UM-INFINITO--A-EXPERIENCIA-D. Acesso em: 31/08/2025

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