GRUPO DE ESTUDOS FOUCAULTIANOS E SUA CONTRIBUIÇÃO NA PESQUISA ACADÊMICA

Publicado em 28/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2654-3

Título do Trabalho
GRUPO DE ESTUDOS FOUCAULTIANOS E SUA CONTRIBUIÇÃO NA PESQUISA ACADÊMICA
Autores
  • Karina Pessoa de Queiroz
  • Dulcileide Azevedo de Araújo
  • Márcia Adriana Regis Alves Pinheiro
Modalidade
Resumo Expandido.doc
Área temática
Política e Gestão da Educação: relatos de experiências e vivências
Data de Publicação
28/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-simposio-de-ead-da-uern-554259/1183575-grupo-de-estudos-foucaultianos-e-sua-contribuicao-na-pesquisa-academica
ISBN
978-65-272-2654-3
Palavras-Chave
Grupo de estudos, Michel Foucault, Pesquisas acadêmicas.
Resumo
INTRODUÇÃO Este texto tem por objetivo relatar a experiência das autoras em um Grupo de Estudos, denominado “Estudos Foucaultianos”, carinhosamente alcunhado de “Sextou com Foucault”, e como as discussões desenvolvidas a partir da leitura compartilhada das obras do autor Michel Foucault, contribuíram para a reflexão dos objetos de pesquisa das autoras, durante o curso de mestrado em Educação pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). O Grupo de Estudos foi idealizado pela Professora Doutora Ciclene Alves da Silva, com o intuito de proporcionar aos seus orientandos da graduação e pós-graduação um espaço coletivo de discussão e aprendizagem acerca da abordagem foucaultiana como opção e referência de estudo na educação, incluindo o método arquegenealógico. A constituição do grupo contribui com a formação intelectual com discussões coletivas, o que favorece a permanência de seus membros por anos seguidos, mesmo que já concluintes de seus respectivos cursos. Cabe ressaltar que atualmente o grupo é constituído por participantes de várias regiões do país e de diferentes áreas do conhecimento e quanto ao nível de formação, tem desde estudantes de graduação até professores de instituições de educação superior. Para uma melhor compreensão do percurso do grupo e suas contribuições para a pesquisas discorremos no primeiro tópico sobre as leituras realizadas e seus desdobramentos para a compreensão do método arquegenealógico. No tópico seguinte apresentamos como a abordagem foucaultiana pode contribuir para pesquisas no campo educacional. DAS LEITURAS DO GRUPO, EXPERIÊNCIAS E SEUS DESDOBRAMENTOS NAS PESQUISAS ACADÊMICAS Os encontros do grupo de estudos acontecem a cada 15 dias, nas sextas-feiras, motivo pelo qual passou a ser conhecido como “Sextou com Foucault”. Os graduandos e pós-graduandos, orientados pela professora Dra. Ciclene, vivenciam um lugar de diálogo e reflexões a partir das leituras Foucaultianas, com debates acalorados sobre o que é discurso e o poder por meio de obras como: A Arqueologia do Saber, Nascimento da Biopolítica, Microfísica do Poder, Vigiar e Punir, A Ordem do Discurso, e outras. O contexto das discussões desenvolvidas fora aproximando os estudantes e, nesse caso, leitores, a “outros modos” de pesquisa, que escapasse do que estávamos habituados a fazer no campo da educação, a exemplo da conhecida pesquisa qualitativa, quantitativa, fenomenológica. Foi-se aos poucos percebendo-se que as questões postas também poderiam ser abordadas por ferramentas extraídas do método arquegenealógico, conduzindo a pensar a realidade a partir do discurso, dos enunciados que o compõe, dos referentes, das próprias formações discursivas e das materialidades que estes enunciados se fazem presentes. Este método, utilizado em nossas pesquisas, é a junção dos termos arqueologia e genealogia, trabalhados por Foucault em momentos de sua escrita/pesquisa nas décadas de 1960 e 1970, e possibilita a análise das condições de emergência e subsistência dos saberes, bem como as relações de poder substanciais a eles. Assim, entendemos que existem discursos calados e excluídos em determinados campos de saberes, pois não atendem aos dispositivos de controle do discurso, que deve responder à ordem histórica vigente. Para o autor, esse método pode contribuir na análise das condições de produção de determinados saberes e como eles se fincam na sociedade como verdades e tornam-se indispensáveis no cotidiano de nossas vidas, a exemplo do tipo de educação que entendemos necessária e o modo como esta deve ser desenvolvida na escola. Conforme Foucault (2014, p. 8), “sabe-se bem que não se tem o direito de dizer tudo em qualquer circunstância, que qualquer um, enfim, não pode falar de qualquer coisa”. Ao tomar por base esta interpretação do contexto contemporâneo, práticas sociais e uma relação com a teoria e, nesta situação, com a análise do discurso de Michel Foucault, o grupo pode avançar na discussão de temas importantes em contextos diversos como: pesquisas acadêmicas, realidades sociais e percepções pessoais sobre determinados objetos em análise. Dessa forma, podemos afirmar que o grupo de estudos se configura como um dispositivo de formação de subjetividades, ao considerarmos que cada membro se desfaz de suas percepções prévias, daquilo que compreendia a partir de um olhar superficial, passando a contemplar o mesmo objeto com uma análise profunda e sem considerar em definitivo. Assim, corroboramos com Foucault (2023, p. 17) quando diz: “rigorosamente falando, o poder não existe; existem práticas ou relações de poder”. Esta citação do autor sustenta a nossa compreensão de que é possível percorrer por outros caminhos quanto às pesquisas acadêmicas, abordando outros métodos investigativos. PERCURSO METODOLÓGICO A PARTIR DE MICHEL FOUCAULT Falar sobre os escritos de Foucault é fugir, em certa medida, dos padrões vigentes, pois seus pensamentos ultrapassam conceitos tidos como lógicos, a começar pela análise, que ele empreende dos discursos. Distante de procurar entender o que está por trás dos discursos, o que se quis dizer, Foucault sustenta que tudo é prática, por isso, a análise precisa ser feita dentro do próprio discurso. Na análise do discurso/AD, “[...] a materialidade da linguagem rompe com uma perspectiva exclusivamente linguística” (Marques, 2016, p. 263), portanto, para Foucault, na análise do discurso/AD, “[...] a materialidade da linguagem rompe com uma perspectiva exclusivamente linguística” (Marques, 2016, p. 263), portanto, o discurso é a própria prática do sujeito. Práticas construídas por meio das relações de poder. É importante considerar que o discurso não é estático, ele muda conforme as demandas e interesses apresentados em dado período. A partir do questionamento daquilo que está posto, empreende-se a pensar outras filosofias que não são aquelas já estabelecidas como verdadeiras. O discurso, na verdade, se constrói mediante sua relação com resistências, com as diferenças, o que justifica sua formação se dar por meio das relações de poder. Trabalhar a partir da ótica Foucaultiana incita uma outra visão acerca dos dados emergidos, pois esses são fruto de relações de poder e disputa, nesse sentido, o poder não é opressor, pelo contrário, para Foucault (2021, p. 45) ele deve ser considerado “como uma rede produtiva que atravessa todo o corpo social muito mais do que uma instância negativa que tem por função reprimir”. É imprescindível se considerar como algo concreto e efetivo os focos de resistência, que, conseguindo se acender ou não, existem e demonstram força dentro das engrenagens sociais. A análise do discurso foucaultiana faz pensar para além de um campo específico, mas como esses campos se constituem, o que os faz serem como são e quais os discursos predominantes em sua constituição e manutenção dentro de um meio social. Discutir o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, por exemplo, utilizando-se da AD, leva à compreensão de que vivemos em uma sociedade regida pelos números, pelo quantificável, do IDEB como um parâmetro da qualidade educacional, o que se delineou por meio dos moldes sociais, mas que, nem por isso, outros discursos não existam, como o do índice como reprodutor das desigualdades sociais, sem capacidade total de mensurar a qualidade da educação do país, o que se configura como um foco de resistência. É claro que o discurso que se sobressai é o do IDEB como parâmetro de qualidade, pois vivemos em uma sociedade capitalista regida pelos números, o que também se deu em um determinado contexto social, ou seja, através da historicidade de uma determinada época e o que se entendia como adequado/necessário para a dinâmica do período. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pensar a pesquisa acadêmica a partir de Michel Foucault, principalmente na área educacional, mostrou novas formas de como podemos fazer e refletir sobre elas, rompendo com paradigmas pré-estabelecidos por métodos específicos. Diferente de métodos analíticos que buscam possíveis causas para o acontecimento, Foucault propõe métodos que priorizam a descrição histórica das condições do contexto, possibilitando determinados discursos e práticas. Trabalhar a partir da análise do discurso é compreender o campo do enunciado em sua singularidade, as condições de sua existência, sua relação com outros enunciados e quais outras formas de enunciação são excluídas, o que amplia a visão de mundo e permite pensar e fazer de outras formas que não as convencionais ou tidas como únicas. É exercitar a reflexão situando o debate não na procura do que se quis dizer sobre isto, mas do que isto diz. O que permite a emergência de um discurso, aqui entendido como a própria prática, e não outro; por que a educação atual é induzida a uma busca incansável pelas métricas? Que condições favoreceram historicamente que este saber se tornasse prática e conduzisse o modo de ser de pensar e fazer educação na atualidade? REFERÊNCIAS FOUCAULT, Michel.A ordem do discurso: aula inaugural no Collége de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970/Michel Foucault; tradução Laura Fraga de Almeida Sampaio. - 24. ed. - São Paulo: Edições Loyola, 2014. _____________ Microfísica do Poder/Michel Foucault; 15ª ed. Organização, introdução e revisão técnica de Roberto Machado. - 15ª ed. - Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2023. 432pp. MARQUES, Welisson. O MÉTODO ARQUEGENEALÓGICO NA ANÁLISE DO DISCURSO: o potencial sujeito aprendiz e aprendizagem de língua inglesa no discurso publicitário-institucional. Linguagem em (Dis)Curso, [S.L.], v. 16, n. 2, p. 261-272, ago. 2016. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1982-4017-160204-3115 . Acesso em 01/09/2022.
Título do Evento
I SIMPÓSIO DE EAD DA UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Simpósio de educação a distância da UERN: Desafios à expansão e à qualidade da educação
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

QUEIROZ, Karina Pessoa de; ARAÚJO, Dulcileide Azevedo de; PINHEIRO, Márcia Adriana Regis Alves. GRUPO DE ESTUDOS FOUCAULTIANOS E SUA CONTRIBUIÇÃO NA PESQUISA ACADÊMICA.. In: Simpósio de educação a distância da UERN: Desafios à expansão e à qualidade da educação. Anais...Mossoró(RN) UERN, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-simposio-de-ead-da-uern-554259/1183575-GRUPO-DE-ESTUDOS-FOUCAULTIANOS-E-SUA-CONTRIBUICAO-NA-PESQUISA-ACADEMICA. Acesso em: 05/10/2026

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