PLATAFORMIZAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR: REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE O USO DA SISAEDUC NA REDE PÚBLICA DE APODI/RN

Publicado em 28/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2654-3

Título do Trabalho
PLATAFORMIZAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR: REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE O USO DA SISAEDUC NA REDE PÚBLICA DE APODI/RN
Autores
  • Leila Maia Custodio Dantas
Modalidade
Resumo Expandido.doc
Área temática
Política e Gestão da Educação: relatos de experiências e vivências
Data de Publicação
28/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-simposio-de-ead-da-uern-554259/1160714-plataformizacao-da-gestao-escolar--reflexoes-criticas-sobre-o-uso-da-sisaeduc-na-rede-publica-de-apodirn
ISBN
978-65-272-2654-3
Palavras-Chave
Plataformas digitais, diretores escolares, performatividade, gestão escolar, SISAEDUC
Resumo
PLATAFORMIZAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR: REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE O USO DA SISAEDUC NA REDE PÚBLICA DE APODI/RN Leila Maia Custódio Dantas Maia Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN leila20241000188@alu.uern.br INTRODUÇÃO Na contemporaneidade, a globalização tecnológica pode ser compreendida como o processo pelo qual as tecnologias da informação e da comunicação (TICs) se disseminam em escala mundial, promovendo a interconexão de pessoas, instituições e sistemas, e transformando profundamente as estruturas sociais, econômicas, culturais e educacionais. Segundo Castells (2003), essa nova configuração social, marcada pela emergência da sociedade em rede, reposiciona o conhecimento e a informação como os principais eixos estruturantes da vida social e produtiva. Nesse cenário, as plataformas digitais emergem como vetores centrais na reconfiguração da dinâmica global de circulação de dados, saberes e inovações tecnológicas, ultrapassando fronteiras geográficas e temporais e influenciando intensamente os modos de vida, o trabalho, a educação e as formas de sociabilidade. Dardot e Laval (2016), por sua vez, contribuem para esse debate ao destacar que a expansão das tecnologias digitais está intrinsecamente ligada à difusão da racionalidade neoliberal, que transforma os espaços sociais — incluindo a escola — em locais de avaliação constante, produtividade e controle. Nesse sentido, o uso das plataformas digitais não se limita a uma função técnica ou instrumental, mas passa a operar como um mecanismo de regulação social, moldando comportamentos e reorganizando práticas sob a lógica da eficiência, da performatividade e da responsividade institucional. Dessa forma fica evidente que, tais transformações exigem uma abordagem crítica e contextualizada, pois a adoção das plataformas não ocorre em um vácuo político ou educacional. Ao contrário, está inserida em um cenário de disputas e interesses, que muitas vezes impõem às escolas uma lógica de performatividade e controle. Este resumo expandido apresenta parte da conceituação dos pressupostos teóricos que embasam a pesquisa de mestrado em desenvolvimento, a qual tem como foco analisar o uso da plataforma SISAEDUC pelos diretores escolares da rede municipal de Apodi/RN. Trata-se de uma investigação fundamentada em aportes teóricos críticos, voltados à compreensão das implicações do uso de tecnologias digitais na gestão escolar, com ênfase nos conceitos de burocratização, vigilância, performatividade e plataformização. O estudo propõe um olhar reflexivo sobre a implementação da plataforma SISAEDUC, problematizando sua funcionalidade administrativa e os efeitos sobre o trabalho dos diretores e a autonomia das práticas escolares. Embora o uso dessas plataformas seja frequentemente associado à otimização do trabalho e à desburocratização da gestão, é necessário questionar em que medida tais promessas se concretizam. Supõe-se que, em vez de agilizar os processos, o uso da plataforma possa estar restringindo a atuação dos gestores, ao impor exigências constantes de preenchimento de dados administrativos — prática que pode estar vinculada a lógicas de controle e vigilância. Essa hipótese se aproxima da análise de Lima (2012), que denomina esse processo de “hiperburocratização”, ao afirmar que a digitalização, longe de simplificar, tende a intensificar as demandas formais sobre os profissionais da educação. Diante disso, o estudo busca analisar se a plataforma efetivamente contribui para qualificar o trabalho da gestão escolar ou se atua prioritariamente como um mecanismo de controle e fiscalização da atividade diretiva. A GESTÃO ESCOLAR DIANTE DA PLATAFORMIZAÇÃO: TENSÕES ENTRE INOVAÇÃO DIGITAL, BUROCRATIZAÇÃO E AUTONOMIA As plataformas digitais têm se consolidado como instrumentos de gestão escolar, impactando os processos administrativos. Embora muitas vezes apresentadas como soluções para modernizar a escola, elas carregam consigo riscos relacionados à intensificação da burocracia e à vigilância digital. Como destaca Zuboff (2021), o capitalismo de vigilância transforma a experiência humana em matéria-prima para fins comerciais, e esse modelo tem se infiltrado também nas políticas educacionais. Ao tratar dessas plataformas como ferramentas neutras, corre-se o risco de ignorar as estruturas de poder que sustentam sua implementação. Selwyn (2011) adverte que tecnologias educacionais frequentemente reforçam práticas burocráticas e centralizadoras, reduzindo a autonomia dos educadores. De modo semelhante, Lima (2012) denomina esse fenômeno de “hiperburocratização”, indicando que a digitalização dos processos escolares, em vez de simplificar, muitas vezes sobrecarrega os profissionais da educação, com ênfase, neste estudo, para o trabalho dos diretores escolares. A plataforma SISAEDUC, implementada em Apodi/RN em 2021, surge como uma proposta de modernização da gestão municipal. No entanto, sua efetividade depende da apropriação crítica por parte dos gestores escolares. Moran (2008) enfatiza que o uso das tecnologias precisa estar atrelado à formação e à cultura digital dos profissionais envolvidos, e não se limita à presença de equipamentos ou softwares nas escolas. A pesquisa parte de uma abordagem qualitativa e tem como sujeitos os diretores das escolas públicas do município. Seu objetivo central é analisar as implicações do uso da SISAEDUC na organização do trabalho da gestão escolar. A investigação busca compreender como os diretores utilizam a plataforma, quais são os desafios enfrentados e de que forma ela interfere na rotina administrativa das instituições. A ideia é não apenas identificar potencialidades, mas também refletir criticamente sobre as limitações e os riscos que essa ferramenta apresenta, especialmente quando utilizada sem formação adequada ou reflexão crítica. Autores como Feenberg (2002) e Apple (1995) sustentam que as tecnologias não são neutras, mas carregam valores e interesses. Por isso, é preciso entender os processos de plataformização da educação como parte de um projeto mais amplo, que envolve disputas sobre os sentidos da escola pública. Nesse sentido, a performatividade (Ball, 2012) torna-se uma lente importante para interpretar as pressões por resultados, metas e registros que atravessam o trabalho dos diretores escolares na era digital. É fundamental que a análise do uso das plataformas a digitais na gestão escolar considere de forma crítica as duas faces desse processo. De um lado, o discurso institucional e técnico costuma apresentar as plataformas digitais como ferramentas capazes de agilizar rotinas, promover maior organização e apoiar os gestores na tomada de decisões. Para os diretores escolares, essas promessas se traduzem, muitas vezes, na expectativa de um trabalho mais eficiente e menos burocrático. No entanto, a realidade que se impõe no cotidiano das escolas pode ser bastante distinta. Ao invés de simplificar as práticas de gestão, o uso dessas plataformas tem, em muitos casos, intensificado a burocratização, ampliando as exigências por registros constantes, monitoramento permanente e alimentação de dados administrativos. Essa lógica de controle, longe de favorecer a autonomia da gestão, tende a restringir o papel do diretor escolar a funções operacionais, deslocando o foco do acompanhamento pedagógico para o cumprimento de demandas tecnocráticas. Portanto, torna-se essencial considerar não apenas as possibilidades das tecnologias, mas também os efeitos concretos de sua implementação nas rotinas escolares, de modo a compreender se elas, de fato, contribuem para qualificar a gestão ou se vêm reproduzindo dinâmicas de controle que comprometem a intencionalidade administrativa do trabalho educativo. CONSIDERAÇÕES A análise da plataforma SISAEDUC no contexto da rede pública municipal de Apodi/RN evidencia a complexidade que envolve a incorporação das tecnologias na gestão escolar. Se por um lado essas ferramentas oferecem possibilidades de organização e acessibilidade, por outro lado, podem intensificar o controle, a padronização e a burocratização do trabalho escolar. Os dados preliminares indicam que a apropriação da plataforma pela gestão escolar ainda é desigual e marcada por tensões entre os objetivos da escola e as exigências técnico-administrativas das próprias plataformas. Portanto, é fundamental que a inserção de plataformas digitais seja acompanhada de um debate crítico e contextualizado, que considere as realidades locais, as condições de trabalho dos profissionais da educação e os princípios de uma escola democrática e inclusiva. A pesquisa em andamento pretende contribuir para esse debate, ao lançar luz sobre as práticas e percepções dos gestores escolares diante do avanço da plataformização da educação pública. REFERÊNCIAS APPLE, Michael W. Educação e poder. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. BALL, Stephen J. Diretrizes políticas globais e relações políticas locais em educação. Currículo sem Fronteiras, v. 12, n. 2, p. 99-116, 2012. CASTELLS, Manuel. A galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. Tradução de Mariana Echalar. São Paulo: Boitempo, 2016. FEENBERG, Andrew. Transformar a tecnologia: uma crítica substantiva ao determinismo técnico. Campinas: Unicamp, 2002. LIMA, Licínio C. Máquinas de administrar a educação: dominação digital e burocracia aumentada. Educação & Sociedade, Campinas, v. 42, e249276, 2021. MORAN, José Manuel. Mudanças na educação com as tecnologias. In: NOVA ESCOLA. São Paulo: Abril Educação, 2008. SELWYN, Neil. Education and technology: key issues and debates. London: Continuum, 2011. ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2021.
Título do Evento
I SIMPÓSIO DE EAD DA UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Simpósio de educação a distância da UERN: Desafios à expansão e à qualidade da educação
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DANTAS, Leila Maia Custodio. PLATAFORMIZAÇÃO DA GESTÃO ESCOLAR: REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE O USO DA SISAEDUC NA REDE PÚBLICA DE APODI/RN.. In: Simpósio de educação a distância da UERN: Desafios à expansão e à qualidade da educação. Anais...Mossoró(RN) UERN, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-simposio-de-ead-da-uern-554259/1160714-PLATAFORMIZACAO-DA-GESTAO-ESCOLAR--REFLEXOES-CRITICAS-SOBRE-O-USO-DA-SISAEDUC-NA-REDE-PUBLICA-DE-APODIRN. Acesso em: 05/10/2026

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