ATIVIDADE FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA EM UM CONTEXTO PANDÊMICO

Publicado em 03/01/2023 - ISBN: 978-85-5722-522-0

Título do Trabalho
ATIVIDADE FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA EM UM CONTEXTO PANDÊMICO
Autores
  • Guilherme Marques Cigerza
  • Renata Ramos
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Arquitetura e Urbanismo
Data de Publicação
03/01/2023
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conigran2022/502319-atividade-fisica-e-qualidade-de-vida-em-um-contexto-pandemico
ISBN
978-85-5722-522-0
Palavras-Chave
Arquitetura esportiva, Pandemia, Qualidade de vida.
Resumo
(i) Introdução: Esta pesquisa trata de um recorte do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre um Centro Esportivo Comunitário em Campo Grande - MS, requisito parcial para a conclusão de curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo. Sabe-se que a prática de exercício físico, sobretudo de forma esportiva, possui considerável importância na qualidade de vida de um ser humano. Nesse ponto, denota-se o caráter de transformação social presente no desporto, sobretudo na vida da população residente em periferias, os quais não possuem, comumente, acesso às políticas de desenvolvimento esportivas. Desta forma, o tema estudado justifica-se pela análise do panorama regional em que pouco é ofertado para a população o acesso à espaços esportivos comunitários. Além disso, em um contexto pandêmico, a necessidade da prática de exercícios físicos e convivência em áreas de lazer se mostrou cada vez mais pertinente diante da necessidade do enclausuramento. Os benefícios agregados pela prática destas atividades não somente ao corpo, mas também à mente, hoje, tornaram-se essenciais para a qualidade de vida no imaginário social. (ii) Objetivo: Este trabalho possui o objetivo de fundamentar os conceitos acerca das atividades físicas e qualidade de vida e suas relações em foco ao momento histórico marcado pela pandemia do COVID-19. (iii) Metodologia: O tema é investigado por meio de uma abordagem qualitativa de caráter exploratório, cujo levantamento bibliográfico se apresenta como instrumento fundamental para a viabilização da conceituação das temáticas, que por sua vez é definido por Gil (2008) como um tipo de pesquisa na qual seu desenvolvimento baseia-se na revisão de trabalhos já publicados, tornando-os fontes de conhecimento sobre determinados assuntos. Com a finalidade de realizar o levantamento de referências bibliográficas, utilizou-se o Google Acadêmico como ferramenta de busca para artigos científicos, teses e dissertações que abordam assuntos que se relacionam com os tratados neste trabalho. As palavras chaves para a realização da busca foram “arquitetura esportiva”, “pandemia” e “qualidade de vida”, e para um recorte mais específico, delimitou-se a data de publicação para a partir de 2013 e itens nos quais o resumo se ausenta foram desclassificados da seleção. (iv) Resultados: Os reflexos da prática de atividades físicas foram considerados, por muito tempo ao decorrer da história da humanidade, intrínsecos na relação com a vitalidade e longevidade. Entretanto, em um contexto histórico anterior, onde a maior parte das mortes resultavam-se de causas externas e acidentais, não era possível estabelecer a condição física como um parâmetro fundamental à saúde pública (NAHAS, 2017). Entretanto, com o avanço da sociedade, urge o debate acerca do conceito de qualidade de vida. Para Almeida, Gutierrez e Marques (2012), “existe uma íntima relação entre este campo de conhecimento, a área da saúde e a prática de atividade física.” (ALMEIDA, et al., 2012. p.40). De acordo com Nahas (2017), somente a partir do século passado, com o início das investigações científicas acerca das adaptações que o corpo humano sofre quando submetido a esforços físicos, foi possível compreender os impactos destas atividades quando praticadas regulamente, em destaque às grandes influências na saúde do indivíduo, independentemente da faixa etária. Segundo a OMS, (2006, apud ALMEIDA, et al., 2012, p. 38), define-se saúde como “um estado de amplo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de doenças e enfermidades”. Portanto, sob esta ótica, caracteriza-se como um estado instável do processo da relação do sujeito com o ambiente em que se insere e não como algo imutável e objetivo (ALMEIDA, et al., 2012). Estes estudos surgem diante da inserção do homem em uma conjuntura social prejudicial à saúde, com ritmos acelerados que se intensificam a partir da modernidade, marcados pela manifestação em aspectos ambientais e sociais que incluíram, entre outros: “a explosão populacional e a urbanização acelerada, o aumento significativo da expectativa de vida (envelhecimento populacional), a revolução tecnológica, que fez com que chegássemos à era dos labor saving devices (mecanismos que poupam energia muscular), predispondo à inatividade física e ao lazer passivo (NAHAS, 2017, p. 38). Desta forma, Nahas (2017) evidencia que para o homem da atualidade, os danos ao bem-estar resultantes da falta de exercícios tornam-se ainda mais recorrentes devido a expansão urbana desenfreada em que os espaços livres são suprimidos ou incapazes de exercer plenamente com suas vocações, além da constante evolução tecnológica que, embora facilite a vida no desempenho de tarefas cotidianas, incentiva um estilo de vida sedentário. Logo, torna-se necessário estratégias para contornar a constante inatividade física e consequentemente, as doenças para ela associadas. Portanto, passa-se a compreender as atividades físicas de uma maneira além do senso comum de somente como fonte de recreação, mas também como uma ferramenta de preservação da saúde ao prevenir doenças como também auxiliar em seus tratamentos. (v) Discussão: Ao decorrer dos anos, o ser humano enquanto agente de criação e desenvolvimento de uma sociedade sempre se destacou por sua constante capacidade de evolução e expansão populacional. Entretanto, em um mundo globalizado, este cenário torna-se caótico diante do surgimento de doenças infecciosas com alto risco de contágio. Assim como aconteceu em 2019, com origem chinesa, o coronavírus SARS-CoV-2 foi responsável por uma onda de infecções respiratórias que se espalhou por todo o planeta, doença altamente transmissível popularmente conhecida como COVID-19. Diante deste panorama, com o objetivo interromper avanço desenfreado da transmissão do vírus, foi necessária a adoção de medidas sanitárias de proteção da população em um contexto pandêmico. Entre elas, a adesão do isolamento social, uma imposição abrupta, embora necessária, que causou mudanças radicais no estilo de vida de toda a população. De acordo com Waclawovsky, Santos e Schuch (2021), apesar de eficaz na contenção do contágio, o distanciamento “provoca grandes mudança no estilo de vida e no comportamento humano, alterando o nível de atividade física e o tempo gasto em comportamento sedentário, em níveis populacionais.” (WACLAWOVSKY; SANTOS; SCHUCH, 2021, p. 145). Menezes et al. (2021) consideram fundamental para a qualidade de vida do ser humano durante o período pandêmico a prática de atividades físicas por seus efeitos fisiológicos, visando o fortalecimento do sistema imunológico. E complementam: “O exercício físico não imuniza as pessoas contra a COVID-19, mas auxilia na resposta imunológica do ser humano, ou seja, uma pessoa que tem uma vida mais ativa estará menos suscetível a doenças virais, entre outras.” (MENEZES et al., 2021, p. 5). Além disso, por trazer também outros benefícios a saúde do indivíduo como a prevenção de doenças cardiovasculares e obesidade, a frequência da prática de exercícios físicos é um indicador de melhoria em sua qualidade de vida na pandemia, portanto, partindo desta ideia, deve ser encorajada a mitigação de comportamentos sedentários e enfatizar a importância da prática de atividades físicas em casa ou em áreas livres. (MENEZES et al., 2021). Porém, não somente ao corpo a inatividade do enclausuramento traz malefícios, mas também a mente, identificado no aumento das ocorrências de sintomas de depressão e ansiedade. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (2022), “Solidão, medo de se infectar, sofrimento e morte de entes queridos, luto e preocupações financeiras também foram citados como estressores que levam à ansiedade e à depressão. Entre os profissionais de saúde, a exaustão tem sido um importante gatilho para o pensamento suicida.” (OPAS, 2022, s/p). De acordo com Menezes et al. (2021, p. 6) “ficar muito tempo em casa pode intensificar comportamentos que levam ao sedentarismo, acarretando ou agravando diversos problemas de saúde física ou psicológica.” Para aprofundar-se neste problema, uma revisão realizada por Waclawovsky et al., (2021) evidencia o seguinte cenário por meio de uma revisão de levantamento de dados: “Um estudo transversal, realizado com 45.161 participantes brasileiros, identificou que 40,4% (IC 95% 39,0 - 41,8) deles sentiram-se tristes ou deprimidos durante o distanciamento social e que 52,6% (IC 95% 51,2 - 54,1) relataram sentirem-se ansiosos sempre ou quase sempre durante o isolamento. Em um estudo longitudinal, que acompanhou 2.314 brasileiros, 51,3% dos participantes relataram piora nos sintomas de ansiedade e um a cada três participantes apresentaram sintomas depressivos agravados durante o período de distanciamento social.” (WACLAWOVSKY; SANTOS; SCHUCH, 2021, p. 145). Além disso, por meio de meta-análises de estudos longitudinais que incluem dados de mais de 260 mil e 70 mil sujeitos, revelou que 17% e 26% das pessoas com nível mais alto de atividades físicas apresentam menos chances de desenvolver depressão e ansiedade, respectivamente, em relação a população mais sedentária (WACLAWOVSKY; SANTOS; SCHUCH, 2021). Desta forma, no contexto atual em que a tendência de flexibilização das medidas restritivas é amplificada, as sequelas marcadas pelo momento mais crítico da pandemia ainda permanecem latentes na sociedade. Diante disso, surge a necessidade do incentivo de atividades físicas, ao que indica os estudos, por sua associação à diminuição da incidência de sintomas de doenças psíquicas. Por fim, Waclawovsky et al. complementam: Os achados são relevantes em termos de saúde pública pois sugerem que a promoção de atividade física pode ser uma estratégia segura e de baixo custo para mitigar o impacto da pandemia na saúde mental da população brasileira. (WACLAWOVSKY; SANTOS; SCHUCH, 2021, p. 151). (vii) Considerações finais: Esta pesquisa buscou elucidar a importância da prática de atividades físicas na pandemia, bem como a atuação do poder público em incentivar a oferta de espaços que forneçam suporte para a população desenvolver positivamente com a qualidade de vida por meio de práticas esportivas. Em sequência, para o desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso, serão analisadas obras correlatas sob aspectos funcionais, tecnológicos e estéticos que oferecerão estratégias de composição de um espaço esportivo bem como a legislação vigente pertinente a este tema. Posteriormente, será feita a interpretação da realidade local por meio de levantamento de dados de indicativos socioeconômicos, e por fim, a elaboração de um anteprojeto para o Centro Esportivo Comunitário. (vii) Referências: ALMEIDA, Marco Antonio Bettine de; GUTIERREZ, Gustavo Luis; MARQUES, Renato. QUALIDADE DE VIDA: definição, conceitos e interfaces com outras áreas de pesquisa. São Paulo: Escola de Artes, Ciências e Humanidades - Each/Usp, 2012. 142 p. Disponível em: http://www.each.usp.br/edicoes-each/qualidade_vida.pdf. Acesso em: 01 jun. 2022. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. 175 p. MENEZES, Ana Paula Vila Nova; SANTANA, Cleilton Lima de; OLIVEIRA, Cleiton Antonio de; SANTOS, Fredson Andrade dos; SILVA, Jeferson de Jesus; SOUZA, Josefa Ivanice dos Santos. A relevância da atividade física e exercício físico em tempos pandêmicos: Um olhar para a saúde e qualidade de vida. Research, Society and Development, [S. l.], v. 10, n. 16, p. 1-11, dez. 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i16.23907. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/23907. Acesso em: 1 jun. 2022. NAHAS, Markus Vinicius. Atividade Física, Saúde & Qualidade de Vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. 7. ed. Florianópolis: Markus Vinicius Nahas, 2017. 360 p. PANDEMIA DE COVID-19 DESENCADEIA AUMENTO DE 25% NA PREVALÊNCIA DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO EM TODO O MUNDO. Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/2-3-2022-pandemia-covid-19-desencadeia-aumento-25-na-prevalencia-ansiedade-e-depressao-em. Acessado em: 01 Jun 2022. WACLAWOVSKY, Aline Josiane; SANTOS, Eduarda Bitencourt dos; SCHUCH, Felipe Barreto. Atividade física e saúde mental durante a pandemia da COVID-19: uma revisão rápida de estudos epidemiológicos brasileiros. Revista Brasileira de Psicoterapia, Santa Maria, v. 23, n. 1, p. 143-155, abr. 2021.
Título do Evento
3º CONIGRAN - Congresso Integrado UNIGRAN Capital 2022
Cidade do Evento
Campo Grande
Título dos Anais do Evento
Anais do 3º CONIGRAN - Congresso Integrado da UNIGRAN Capital 2022.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CIGERZA, Guilherme Marques; RAMOS, Renata. ATIVIDADE FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA EM UM CONTEXTO PANDÊMICO.. In: Anais do 3º CONIGRAN - Congresso Integrado da UNIGRAN Capital 2022.. Anais...Campo Grande(MS) Rua Abrão Júlio Rahe, 325, 2022. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/conigran2022/502319-ATIVIDADE-FISICA-E-QUALIDADE-DE-VIDA-EM-UM-CONTEXTO-PANDEMICO. Acesso em: 31/08/2025

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