A REVITALIZAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO DE PATRIMÔNIO MODERNISTA- UM ESTUDO DE CASO DA EE. MARIA CONSTANÇA DE BARROS MACHADO.

Publicado em 03/01/2023 - ISBN: 978-85-5722-522-0

Título do Trabalho
A REVITALIZAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO DE PATRIMÔNIO MODERNISTA- UM ESTUDO DE CASO DA EE. MARIA CONSTANÇA DE BARROS MACHADO.
Autores
  • Suelise de Paula Borges de Lima Ferreira
  • Giovane Chaparro
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Arquitetura e Urbanismo
Data de Publicação
03/01/2023
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/conigran2022/502258-a-revitalizacao-de-uma-edificacao-de-patrimonio-modernista--um-estudo-de-caso-da-ee-maria-constanca-de-barros-ma
ISBN
978-85-5722-522-0
Palavras-Chave
Patrimônio Histórico, Patrimônio Modernista, Revitalização
Resumo
(i)Introdução. O termo revitalização configura diversas medidas que visam a criar uma nova vida a um objeto de maneira a trazer um olhar de eficiência e reabilitação. Esta comunicação retrata a possibilidade de revitalizar a edificação modernista de Oscar Niemeyer, implantada na década de 50 no município de Campo Grande, hoje capital do estado de Mato Grosso do Sul. A obra possui registro em livro tombo como mecanismo de proteção do patrimônio modernista da cidade. No entanto, requer uma nova forma de reuso do bem cultural, proporcionando espaços para formação de profissionais e, em seu espaço paisagístico, a proposição de instalações e exposições a céu aberto de obras de artistas regionais, como também de grupo de contadores de histórias. Para tanto, torna-se prudente analisar a inter-relação existente entre o processo de revitalização do patrimônio arquitetônico e a dinâmica urbana, sobretudo a utilização sócio-econômica e turística desse patrimônio modernista instalado na capital. O estudo tem como finalidade de atrair o público em geral (adolescentes, adultos e crianças) para contemplação de obras de artistas sul-mato-grossense e instruir, sobre a preservação do ambiente tombado de forma sustentável, além de utilizar suas dependências físicas para a formação de profissionais da educação e demais áreas de estudos. Como justificativa, para esse estudo, foi necessário fazer levantamento de dados históricos que registram o início da obra. A escola começou a ser construída em quatro de novembro de 1952 e foi inaugurada em 26 de agosto de 1954, por ocasião do aniversário do município de Campo Grande . Segundo historiadores, a edificação está configurada com uma fachada principal que lembra um livro aberto. Um palito branco, posicionado na entrada, traz a ideia de um lápis. No interior, o corredor extenso traz à mente uma régua. O prédio da escola foi tombado em 1995 como Patrimônio Histórico Estadual. É intitulada por ser a única obra projetada pelo arquiteto na cidade de Campo Grande. No entanto, é uma réplica da EE João Leite de Barros no município de Corumbá – MS. Na época, o governador, Fernando Corrêa, replicou o projeto para assim atender a demanda educacional dos dois municípios. Para essa comunicação serão reportados apenas os aspectos referente a edificação implantada em Campo Grande. Hoje a edificação encontra-se em perímetro urbano sito a rua Mal. Rondon, 451 - Amambaí, Campo Grande - MS, CEP 79008-000. Apesar do perímetro onde se instala ter sofrido requalificações, nenhuma intervenção adentrou aos portões da escola. Portanto requer revitalização de seus espaços para atender ao público educacional. (ii) Objetivo. Estudar a viabilidade da revitalização da unidade escolar tombadas como estratégia e reintegração do patrimônio modernista à vida cotidiana da área central da cidade de Campo Grande MS. (iii) Metodologia. Por meio da revisão da literatura, foi traçado um paralelo entre o desenvolvimento urbano de Campo Grande e o seu efeito sobre o substrato histórico existente de forma a levantar mapas e laudos da edificação para fins de revitalização da arquitetura tombada, a qual pretende-se preservar, promovida por meio de um planejamento e apoio legal e técnico adequados. Para este propósito, foi usado uma abordagem qualitativa seguida de pesquisa bibliográfica, consultas em revistas técnicas especializadas, além de material disponibilizado na internet, bem como nas bases de dados do Google acadêmico, Scielo, entre outras, buscando elementos que fizessem sentido ao revisitar a história local. Portanto, a pesquisa traz como pressuposto metodológico a construção de conhecimento arquitetônico e urbanístico em diálogo com o valor histórico-cultural relevante à memória da formação da cultura sul mato-grossense. (iv) Resultado. Essa comunicação se estrutura na temática histórica do patrimônio modernista tombado e as legislações que o amparam para o desenvolvimento de uma proposta de revitalização. O edifício da EE Maria Constança de Barros Machado é detentor de valor histórico-cultural, por conter na sua arquitetura e história, elementos relevantes à memória da formação da cultura sul-mato-grossense. É um imóvel de valor significativo portador de memórias que devem ser transmitidas às gerações futuras, com uma abordagem de realizar obras sem degradar e mascarar sua história. Reconhecer e fazer com que a população se sinta parte da história, eleva o sentimento de pertencimento a cidade e constrói o sentido de identidade coletiva. Embasado na Carta de Veneza - Carta Internacional do Restauro (1964) oriunda da Carta de Atenas (1931), surgem as discussões referentes a racionalização em arquitetura em relação às normas e condutas de preservação e conservação dos edifícios, considerados históricos. Às várias cartas tem recomendações e sugerem leis que propõe atitudes em relação aos bens patrimoniais, sendo necessário analisar conceitos e atitudes consciente na adoção de políticas preservacionistas do patrimônio, em especial do patrimônio modernista quando emerge a teoria de Cesare Brandi (2004), ao manifestar a sistematização de suas ideias no livro de sua produção Teoria da Restauração (1963), sinalizando que cada obra possui compreensão individual. Portanto, o processo de restauro não pode ser adotado de forma arbitrária, sem base em seu caminho histórico-crítico, deve-se defender a prevalência da instância estética sobre a histórica em duas ramificações sendo uma apenas da restauração da matéria e a outra do restabelecimento da unidade potencial da obra de arte. Brandi, cita também, que a restauração é um "momento metodológico do reconhecimento da obra de arte na sua consciência física e na sua dupla polaridade estética e histórica, com vista sua transmissão ao futuro." (BRANDI, 2004 página 30). O autor nos aponta, ainda, da necessidade do poder público em desenvolver planos de gestão da conservação do patrimônio arquitetônico que vive sem monitorar o funcionamento e a integridade de bens históricos por meio da atuação técnica especializada. Assim, há redução da necessidade de grandes intervenções ou maior espaçamento de tempo de uma para outra evitando intervenções emergenciais. A cidade é um produto da história que nela se manifesta e se cristaliza um sistema de comunicação e de informação. Ela tem uma função educativa e cultural. Os monumentos, ao comporem e conterem essa espécie de narrativa urbana nos oferecem matéria de caráter didático, psicológico e sentimental, contribuindo na constituição de nossa memória da cidade e dos lugares. A chancela patrimonial a um bem é um ato localizado historicamente e implica necessariamente atitudes de juízo de valor. Em seu percurso temporal a conservação do patrimônio vem passando de uma atividade técnica, com predomínio dos valores científicos, para uma atividade sociocultural e política, pautada por valores contextuais. Diante desse quadro, colocam-se algumas questões: Qual o sentido do patrimônio histórico para a formação do cidadão? Quais as especificidades para a compreensão e a conservação do patrimônio histórico modernista? Quais desafios se apresentam para Campo Grande – MS, a restauração, revitalização e reuso de uma obra de Oscar Niemeyer (exemplo de materialização da arquitetura e urbanismo modernos) como bens com valores patrimoniais tombados oficialmente reconhecidos? Essas são perguntas sobre as quais o presente trabalho pretende efetuar reflexões e indicar caminhos possíveis de atuação. (v) Considerações. A história recente da conservação do patrimônio evidencia, ser esta edificação, um dado constituinte de uma temporalidade vivida (BRANDI, 2004). Preservá-lo significa disponibilizá-lo, no presente e no futuro, para a reelaboração de seus significados como novas sínteses potencializadoras de nossa capacidade de criar e recriar, como repositora das energias para a transformação do mundo e da vida. No momento, os grupos artísticos e culturais não possuem espaços adequados de aprendizagem, ensaio e apresentação. Portanto, o local em que o projeto ocorrerá têm grande valor para proposta pois está no centro da cidade e, possui historicidade considerável, que faz com que as pessoas tenham um elo com o edificação modernista que abrigará as atividades de capacitação aos profissionais da educação como também às atividades de lazer e cultura para todos, proporcionando espaços aberto para contação de histórias, Museu à céu aberto de esculturas de artistas regionais, dentre outras atividades mediadas pela Secretaria de Estado de Educação e pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS. Deste modo, se faz concluir que a conservação do patrimônio cultural pode ser de competência federal, estadual ou municipal, mas também conta com a atuação da comunidade apoiando a preservação e realizando fiscalização efetiva da edificação. (vi) Referências - ARRUDA, Ângelo Marcos Vieira de. O Colégio Estadual de Oscar Niemeyer em Campo Grande MS: uma análise compositiva. Disponível em http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/01.006/960. Acessado em 06/05/2022. BRANDI, Cesare. Teoria da Restauração. Cotia. São Paulo. 2004. p.25-33. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. seção II da Cultura, artigo 216. Brasília, Senado Federal, 1988. [online]. Disponível em: . Acesso em: 20 maio, 2022. KOWALTOWSKI, Doris C. C. K.; Arquitetura escolar: o projeto do ambiente de ensino. São Paulo. Oficina de Textos, 2011. https://diarionline.com.br/?s=noticia&id=52305 acessado em 25/03/2022; https://matulacultural.wordpress.com/2010/05/07/701/ acessado em 25/03/2022
Título do Evento
3º CONIGRAN - Congresso Integrado UNIGRAN Capital 2022
Cidade do Evento
Campo Grande
Título dos Anais do Evento
Anais do 3º CONIGRAN - Congresso Integrado da UNIGRAN Capital 2022.
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FERREIRA, Suelise de Paula Borges de Lima; CHAPARRO, Giovane. A REVITALIZAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO DE PATRIMÔNIO MODERNISTA- UM ESTUDO DE CASO DA EE. MARIA CONSTANÇA DE BARROS MACHADO... In: Anais do 3º CONIGRAN - Congresso Integrado da UNIGRAN Capital 2022.. Anais...Campo Grande(MS) Rua Abrão Júlio Rahe, 325, 2022. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/conigran2022/502258-A-REVITALIZACAO-DE-UMA-EDIFICACAO-DE-PATRIMONIO-MODERNISTA--UM-ESTUDO-DE-CASO-DA-EE-MARIA-CONSTANCA-DE-BARROS-MA. Acesso em: 29/08/2025

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