A PROBLEMATIZAÇÃO DO DISCIPULADO COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA LIBERTADORA: UM EXAME DO TEMA A PARTIR DE PAULO FREIRE

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A PROBLEMATIZAÇÃO DO DISCIPULADO COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA LIBERTADORA: UM EXAME DO TEMA A PARTIR DE PAULO FREIRE
Autores
  • Marcio Divino de Oliveira
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271989-a-problematizacao-do-discipulado-como-pratica--pedagogica-libertadora--um-exame-do-tema-a-partir-de-paulo-freire
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Discipulado; Igreja Metodista; Discipulado Libertador; Paulo Freire
Resumo
A presente pesquisa investiga o discipulado como prática pedagógica libertadora, tendo como objeto de estudo o programa de discipulado da Igreja Metodista do Brasil. O objetivo central é examinar o programa à luz das teorias educacionais de Paulo Freire, analisando se este se configura como uma práxis pedagógica libertadora. O discipulado é frequentemente compreendido em círculos cristãos como um processo pedagógico de transmissão da fé às novas gerações de cristãos, no qual um mestre transmite saberes a um discípulo, em uma dinâmica que não se resume apenas à transmissão de conteúdos, embora ela exista. É uma prática de longa tradição cristã, inspirada na relação entre Jesus e seus discípulos (Bonhoeffer, 2016; Silva, 2022). Nesta pesquisa, sob a ótica das ciências da religião, investiga-se o tema do discipulado, privilegiando uma abordagem pedagógica. Metodologicamente, a pesquisa é qualitativa, fundamentada em análise bibliográfica. Assim, constata-se que o discipulado, mais do que uma definição eclesiástica ou teológica, constitui uma prática pedagógica empregada pelas igrejas cristãs para educar na fé seus fiéis. Nos dias atuais, o discipulado tem assumido contornos pragmáticos, caracterizados pela emergência de metodologias de crescimento eclesiástico baseadas em células, adotadas tanto por igrejas (neo)pentecostais quanto protestantes históricas (Dias, 2009; Mazzeo, 2020). As igrejas em células, dentro das novas expressões do protestantismo contemporâneo, representam uma estratégia de crescimento eclesiástico que tem no discipulado seu fundamento e prioriza a multiplicação de células como elemento fundamental de sua organização. As células são reuniões organizadas em pequenos grupos, realizadas em ambientes domésticos ou outros espaços, com o objetivo de estudo bíblico, oração, comunhão e evangelização. As igrejas que adotam esse sistema criam inúmeras dinâmicas de captação de novos fiéis, em um processo de retroalimentação constante, no qual o objetivo é envolver esse novo fiel em sua rede de liderança para a captação de novos fiéis à organização (Dias, 2009; Mazzeo, 2020). Essas estratégias têm sido abraçadas pela Igreja Metodista na contemporaneidade. A propósito, a Igreja Metodista é uma denominação do campo protestante histórico que chegou ao Brasil na segunda metade do século XIX, em 1867, por meio da ação missionária norte-americana – Igreja Metodista Episcopal do Sul (Josgrilberg, 2005). Com a consolidação do trabalho, sobreveio a autonomia da igreja na década de 1930, seguida pelo desenvolvimento de estratégias de ação missionária encarnacionais, voltadas à inserção na cultura brasileira. Já no século XXI, o discipulado tem assumido predominância nas ações pastorais da igreja Metodista. Para uma problematização do discipulado como prática pedagógica, a pesquisa se apoia na teoria de Paulo Freire, renomado educador brasileiro, nascido em Recife-PE em 1921 e falecido em 1997. Freire revolucionou a teoria educacional ao questionar os processos pedagógicos tradicionais vigentes no Brasil em sua época, baseados na concepção do aluno como mero receptor passivo de informações (Silva, 2009; Streck, 1991). Em contrapartida, propôs uma abordagem educacional libertadora, com implicações profundas para a prática educacional, seja ela secular ou religiosa. Nesse contexto, as teorias de Freire (1974) são fundamentais para analisar a temática do discipulado, uma vez que todo projeto educacional ou prática pedagógica pode se tornar uma ação reprodutora de conteúdo, caso não seja problematizado criticamente. Refletindo sobre os resultados da pesquisa, é possível constatar que o processo de discipulado, associado às dinâmicas das igrejas em células, tem trazido impactos significativos à Igreja Metodista, não apenas em sua doutrina soteriológica social (Renders, 2010; Lope, 2013), mas também em termos pedagógicos, no que concerne ao seu programa de discipulado, caracterizado por uma formação reducionista do indivíduo cristão, restrita à esfera privada e eclesiástica. Isso explica, em parte, o distanciamento da igreja em relação a organismos ecumênicos e à promoção da justiça social, valores historicamente presentes em sua tradição. O estudo da Igreja Metodista foi fundamental para demonstrar como uma igreja do campo protestante histórico organiza seu processo de discipulado e como esse processo reflete transformações mais amplas no campo religioso ao longo das últimas décadas (Igreja Metodista, 2003). Pensando nesse fenômeno da Igreja Metodista e nas contribuições das teorias freireanas para enriquecer projetos eclesiais de discipulado na contemporaneidade, temos que uma práxis pedagógica discipular libertadora apresenta marcas de:1) um discipulado humanizador, que ajuda as pessoas a desenvolver uma espiritualidade que lhes permita assumir sua condição de ser humano, imerso na historicidade da vida e engajado na construção do mundo; 2) um discipulado problematizador, que reconheça os fiéis como seres de conhecimento e ativos na produção dos saberes da fé, não meros receptáculos de doutrinas ou cumpridores de tarefas; 3) um discipulado dialógico (marcado por amor, humildade, esperança, fé e confiança, pensar verdadeiro), que sua práxis pedagógica é interativa e contempla intencionalidade no processo ensino-aprendizagem por parte do mestre/educador e discipulo/educando; e 4)) um discipulado libertador, que eduque as pessoas para a fé e para o envolvimento com os dramas e problemas que afetam a sociedade (Freire, 1974; Silva, 2009; Streck, 1991). Concluindo, a presente pesquisa bibliográfica se debruçou no exame do discipulado, privilegiando seu exame como prática pedagógica. Vale registro que, embora existam múltiplas perspectivas para refletir sobre o tema, a abordagem do discipulado como práxis pedagógica libertadora destaca-se como um tópico relevante na sociedade brasileira, profundamente marcada por uma trajetória histórica de dor, sofrimento e opressão. Por isso da escolha da abordagem dessa pesquisa. BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 1ªed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016. 256p. DIAS, Caroline luz e Silva. Os Neopentecostais em Feira de Santana: Da Visão Celular no Modelo dos 12 ao Mover Celular do Fruto Fiel. 2009. Dissertação (Mestrado em História – UEFS), Feira de Santana, 2009. FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra S.A, 1974. RENDERS, Helmut. Andar como Cristo andou: a salvação social em John Wesley. São Bernardo do Campo: Editeo, 2010, p. 22. IGREJA METODISTA. Manual do Discipulado. São Paulo: Editora Cendro, 2003. LOPES, Nicanor. Identidade Missionária em Perspectiva Wesleyana: Pregação, Educação, Responsabilidade Social. São Bernardo Campo: Editeo, 2013. BARRO, Jorge. Façam Discípulos, indo e onde estiverem. In: WRIGHT, N.T. et al. Discipulado e Transformação: desafio de um novo tempo. Viçosa-MG: Ultimato, 2022. MAZZEO, Ricardo Alves Moreira. Um novo jeito de ser igreja: a experiência religiosa das comunidades celulares. Dissertação (Mestrado Acadêmico) – Universidade Federal de Juiz de Fora, Instituto de Ciências Humanas. Programa de Pós Graduação em Ciência da Religião, Juiz de Fora-MG, 2020. SILVA, Leandro. Discipular: um retorno à Grande Comissão da Igreja. In: WRIGHT, N.T. et al. Discipulado e Transformação: desafio de um novo tempo. Viçosa-MG: Ultimato, 2022. SILVA, Noemia dos Santos. Amor e Revelação na Pedagogia dialógica: Dialogo entre Paulo Freire E Juan Luis Segundo. Dissertação (Mestrado Ciências de Religião), UMESP, São Bernardo do Campo-SP, 2009. STRECK. Danilo R. Paulo Freire: uma leitura a partir da educação cristã. Estudos Teológicos, v. 31, n. 3 (1991). Disponível em < http://periodicos.est.edu.br/index.php/estudos_teologicos/article/view/1009/972 > Acesso em 02 de fev. 2025.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Marcio Divino de. A PROBLEMATIZAÇÃO DO DISCIPULADO COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA LIBERTADORA: UM EXAME DO TEMA A PARTIR DE PAULO FREIRE.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271989-A-PROBLEMATIZACAO-DO-DISCIPULADO-COMO-PRATICA--PEDAGOGICA-LIBERTADORA--UM-EXAME-DO-TEMA-A-PARTIR-DE-PAULO-FREIRE. Acesso em: 07/03/2026

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