A "RELIGIÃO DO DESEJO" E A FORÇA DE TRABALHO IMIGRANTE: UMA ANÁLISE ENTRE MARX E HAYEK

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A "RELIGIÃO DO DESEJO" E A FORÇA DE TRABALHO IMIGRANTE: UMA ANÁLISE ENTRE MARX E HAYEK
Autores
  • Fabio Fonseca do Nacimento
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271886-a-religiao-do-desejo-e-a-forca-de-trabalho-imigrante--uma-analise-entre-marx-e-hayek
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Imigração; Liberalismo Econômico; “Religião do Desejo”; Mais-Valia;
Resumo
Este estudo se propõe fazer uma análise da força de trabalho imigrante, utilizando um diálogo teórico entre a crítica marxista e a teoria do liberalismo de Friedrich Hayek. O ponto de partida da reflexão é a tese de que o imigrante, ao se inserir no mercado de trabalho, o faz motivado por um impulso individual de ascensão social e melhoria das condições de vida, agindo dentro da lógica do capital, a “religião do desejo”. Essa busca, por sua vez, transforma sua força de trabalho em uma mercadoria crucial para a dinâmica do sistema neoliberal. A base teórica desta reflexão é construída a partir de um levantamento bibliográfico que, inicialmente, explora a crítica marxista. Nessa perspectiva, o foco está em como o modo de produção capitalista se sustenta na exploração da classe trabalhadora. O conceito de mais-valia é central: ele explica que o valor gerado pelo trabalho excede o valor do salário pago ao trabalhador, e esse excedente é apropriado pelo capitalista como lucro. No contexto da imigração, a força de trabalho imigrante, muitas vezes desvalorizada, flexível e em situação de vulnerabilidade, torna-se uma fonte abundante de mais-valia. Ao aceitar salários mais baixos e condições de trabalho precárias, o imigrante não apenas sustenta o lucro de setores econômicos, mas também contribui para a desvalorização da força do trabalho em geral, afetando o conjunto da classe trabalhadora. Em contrapartida, a reflexão se aprofunda na teoria de Friedrich Hayek, especialmente sua visão de liberalismo. Para Hayek, a ordem social não é resultado de um planejamento racional, mas de um processo de evolução espontânea de regras e instituições. A liberdade econômica, nesse sentido, não é um meio para a igualdade, mas a condição fundamental para a inovação, o progresso e a prosperidade. O mercado é visto como uma ordem espontânea, um sistema complexo e descentralizado que se autorregula a partir das ações individuais. Nessa lógica, as desigualdades de renda e riqueza são vistas não como um problema a ser corrigido, mas como um resultado inevitável e até mesmo funcional do processo de mercado, que recompensa o mérito e a produtividade. A análise é enriquecida pela incorporação do conceito hayekiano de “conceito de liberdade”. Este termo explica a força motriz por trás da ação individual no capitalismo. Trata-se do anseio por bens materiais, por status social e por uma vida melhor, que impulsiona o ser humano a participar ativamente do mercado. O desejo por ascensão, por uma casa própria, por educação para os filhos, é o combustível que move a economia. Nesse contexto, a mobilidade do trabalho, especialmente a migração, é a manifestação mais visível dessa religião. O imigrante, ao se deslocar para outro país, não busca apenas trabalho; ele persegue um ideal de vida que é constantemente exibido e valorizado pela sociedade de consumo. Ele age como um agente irracional em busca de sua própria liberdade e progresso individual, exatamente como o liberalismo de Hayek prega. No entanto, a conclusão do estudo aponta para um paradoxo. A mobilidade do trabalho, impulsionada por essa "religião do desejo", ao mesmo tempo que beneficia a economia de mercado neoliberal, também perpetua e amplia as desigualdades. O deslocamento de imigrantes, muitas vezes para ocupar posições de baixo salário e pouca qualificação, contribui diretamente para a acumulação de capital e o aumento da mais-valia. A dinâmica do mercado, em vez de garantir um progresso uniforme, cria um ciclo de desigualdade, onde o sucesso de uma minoria inspira a maioria a buscar um avanço que é, na prática, lento e desigual. A liberdade individual de escolha no mercado, elogiada por Hayek, não garante a equidade social. Assim, o estudo conclui que a dialética entre as duas teorias é fundamental para uma compreensão completa do fenômeno. O liberalismo de Hayek ajuda a entender a força motriz individual por trás da migração, a busca por liberdade econômica e progresso pessoal. Por outro lado, a crítica marxista revela as consequências sistêmicas desse movimento, expondo como a mais-valia extraída do trabalho imigrante é o pilar de uma economia que, enquanto avança, aprofunda as disparidades sociais. O trabalho aponta, portanto, a necessidade de se repensar sistemas econômicos que possam distribuir oportunidades de forma mais justa, para que a busca por melhores condições de vida não se torne um ciclo de exploração e desigualdade. A fetichização do trabalho, vista como a celebração da autonomia individual e da capacidade de empreender, reforça a lógica de que o desejo pessoal é o único motor do progresso, mascarando a lógica de exploração que permite ao sistema capitalista se sustentar e prosperar.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NACIMENTO, Fabio Fonseca do. A "RELIGIÃO DO DESEJO" E A FORÇA DE TRABALHO IMIGRANTE: UMA ANÁLISE ENTRE MARX E HAYEK.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271886-A-RELIGIAO-DO-DESEJO-E-A-FORCA-DE-TRABALHO-IMIGRANTE--UMA-ANALISE-ENTRE-MARX-E-HAYEK. Acesso em: 14/03/2026

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