MONTANHÃO-UMESP - JUSTIÇA CLIMÁTICA SOB A TRANSVERSALIDADE DE CONHECIMENTOS E SABERES

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
MONTANHÃO-UMESP - JUSTIÇA CLIMÁTICA SOB A TRANSVERSALIDADE DE CONHECIMENTOS E SABERES
Autores
  • CILENE VICTOR
  • Lilian Moreira de Lima
  • Maria Filomena Salemme
  • Daniela da Cunha Lopes
  • Thaís ReginaAiello
  • Francisco Marcio Marques dos Santos
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Extensão Acadêmica
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271551-montanhao-umesp---justica-climatica-sob-a-transversalidade-de-conhecimentos-e-saberes
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Justiça climática; Comunicação de riscos; Resiliência comunitária; Saberes periféricos; Direitos humanos.
Resumo
As mudanças climáticas têm provocado impactos desproporcionais sobre a população de territórios periféricos, exigindo ações e iniciativas capazes de promover a justiça climática ao longo do ciclo de vida dessa assimetria. Nesse contexto, o projeto de extensão “Montanhão-UMESP – Justiça Climática sob a Transversalidade de Conhecimentos e Saberes” conecta diferentes cursos e áreas da Universidade Metodista de São Paulo aos saberes e experiências locais do Montanhão, território periférico localizado em São Bernardo do Campo (SP), com cerca de 90 mil habitantes. Historicamente marcado por desigualdades socioambientais, vulnerabilidades acumuladas e invisibilidade política e midiática, o território está exposto aos riscos associados aos extremos climáticos, como deslizamentos de terra e ilhas de calor. O projeto tem como objetivo geral promover a troca de saberes e conhecimentos entre a UMESP e o Montanhão, fortalecendo o protagonismo e a resiliência da comunidade frente aos impactos das mudanças climáticas, com ênfase na justiça climática e no reconhecimento da luta de seus moradores como sujeitos de direitos e de produção de conhecimento. Parte-se da premissa de que a justiça socioambiental exige a escuta ativa e a amplificação de vozes periféricas nos processos de diagnóstico, planejamento e construção de respostas sociais aos desastres e às desigualdades. A proposta articula dimensões educativas, comunicacionais e políticas com estratégias de intervenção comunitária. Entre as ações desenvolvidas desde 2023, destacam-se: produção de minidocumentário e peças de comunicação audiovisual; oficinas e rodas de conversa sobre racismo ambiental, memória, identidade cultural e comunicação de riscos; levantamento de dados sobre saúde física e mental da população afetada por desastres; mapeamento dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde animal; e ampliação do acervo da biblioteca comunitária. O projeto mobiliza estudantes e docentes dos cursos de Jornalismo, Psicologia, Direito, Medicina Veterinária e Publicidade e Marketing, assim como pesquisadores vinculados ao grupo de pesquisa Jornalismo Humanitário e Media Interventions (HumanizaCom), também responsável por articulações internacionais sobre o projeto. Do ponto de vista metodológico, o projeto opera em ciclos semestrais compostos por cinco fases: diagnóstico, planejamento, execução, avaliação e devolutiva pública. Utiliza abordagens participativas como observação participante e produção colaborativa de conteúdos, sempre em diálogo com a liderança comunitária local e com as instituições públicas parceiras. A metodologia é fundamentada na política do pertencimento (Yuval-Davis), na comunicação dialógica e no jornalismo de paz, buscando reconhecer os territórios como espaços de resistência e produção de soluções. O projeto também está ancorado em referenciais da comunicação de riscos (Victor, Beling, Sandman, 2009; Slovic, 2000), da justiça ambiental e das pedagogias decoloniais. O conceito de risco é abordado a partir de sua dimensão comunicacional, emocional e social, considerando as relações entre percepção, linguagem, pertencimento e políticas públicas. No plano legal e institucional, o projeto se alinha a uma série de marcos nacionais e internacionais, como a Lei 12.608/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, o Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas, o Projeto Periferia Sem Riscos (Secretaria Nacional de Periferias), o Marco de Sendai (2015–2030), a Agenda 2030 e o Acordo de Paris. Também dialoga com as diretrizes do Grupo de Trabalho de Redução de Riscos de Desastres do G20 e com compromissos multilaterais firmados pelo BRICS. Nesse sentido, o projeto integra-se a redes de colaboração ampliadas, como o projeto internacional From Catastrophe to Community: A People’s History of Climate Change, aprovado em 2025 pelo governo do Canadá, com participação ativa da professora responsável por este projeto de extensão. Os impactos observados no território incluem: fortalecimento do protagonismo comunitário; maior visibilidade política, midiática e científica das lideranças locais; ampliação da percepção de riscos e das práticas de cuidado coletivo; criação de instrumentos de prevenção baseados em saberes locais; e formação crítica de estudantes da graduação e da pós-graduação, especialmente no desenvolvimento de competências em comunicação pública, ética, cidadania e justiça social. A escuta da comunidade, articulada ao desenvolvimento de soluções comunicacionais, permitiu a identificação de pistas para elaboração de protocolos comunitários de prevenção e resposta, centrados na memória coletiva e nos afetos como dispositivos políticos. A dimensão formativa do projeto é um de seus principais diferenciais. A experiência no território do Montanhão amplia sua compreensão sobre as desigualdades ambientais, o racismo estrutural e os processos de deslegitimação de saberes populares. Ao mesmo tempo, fortalece sua capacidade de atuar em rede, de construir narrativas contra-hegemônicas e de propor políticas públicas em articulação com a comunidade. O projeto foi apresentado em eventos científicos como o Congresso Sudeste da Intercom (Campinas, 2025), o Congresso Latino-Americano da SRA – Society for Risk Analysis (Curitiba, 2025), e na Mostra de Extensão da UMESP em 2023 e 2024. Com base na articulação entre comunicação, direitos humanos e justiça climática, o projeto Montanhão reafirma a importância das práticas extensionistas como instrumentos de transformação social. Ao reconhecer o saber como um campo de disputa e o território como lugar de construção de resiliência, o projeto contribui para a formação de sujeitos engajados e críticos, capazes de incidir sobre os rumos das políticas públicas e sobre as narrativas que sustentam os privilégios e as exclusões no contexto da emergência climática. A extensão universitária, nesse sentido, não é apenas um espaço de aplicação do conhecimento, mas um território de reconfiguração do próprio papel social da universidade.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VICTOR, CILENE et al.. MONTANHÃO-UMESP - JUSTIÇA CLIMÁTICA SOB A TRANSVERSALIDADE DE CONHECIMENTOS E SABERES.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271551-MONTANHAO-UMESP---JUSTICA-CLIMATICA-SOB-A-TRANSVERSALIDADE-DE-CONHECIMENTOS-E-SABERES. Acesso em: 15/03/2026

Trabalho

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