EXPERIÊNCIAS DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
EXPERIÊNCIAS DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO
Autores
  • Beatriz Rolim Horcel
  • Valéria Calipo
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271510-experiencias-de-estagio-em-psicologia-organizacional-e-do-trabalho
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Psicologia Organizacional; Estágio supervisionado; Subjetividade do trabalhador; Saúde e bem-estar no trabalho
Resumo
Ao longo do primeiro semestre de 2025, no meu nono semestre da graduação em Psicologia, iniciei meu estágio em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Inicialmente, precisei realizar um levantamento das organizações em que eu tinha interesse de estagiar ou que acreditava que teria mais possibilidade de ingressar por conta de conexões pessoais. Depois de algumas tentativas frustradas, finalmente encontrei a empresa na qual estou realizando o estágio até o presente momento. A empresa está no ramo de alimentação escolar, fornecendo refeições saudáveis para dezenas de escolas na região do ABC e zona sul de São Paulo. Este resumo tem como propósito apresentar de maneira sintetizada as atividades desenvolvidas ao longo deste estágio supervisionado, buscando refletir criticamente sobre as experiências vivenciadas e os conhecimentos adquiridos. O estágio em Psicologia Organizacional vem se configurando como uma experiência de extrema relevância para minha formação, não apenas por possibilitar o contato com práticas de gestão e desenvolvimento humano no contexto das organizações, mas também por permitir observar, na vivência cotidiana, como a subjetividade, o comportamento e o sofrimento dos trabalhadores se manifestam nesse espaço. Inserida em uma empresa de alimentação escolar, pude acompanhar a forma como se estruturam as relações interpessoais, as demandas institucionais e os modos de enfrentamento diante das adversidades do ambiente de trabalho. Logo no início do estágio, vivenciei um processo de integração marcado por informalidade, o que contrasta com o modelo mais rígido de acolhimento esperado em muitas organizações. A recepção envolveu um ambiente de descontração, permeado por piadas e comentários espontâneos dos trabalhadores sobre saúde mental e sobre as próprias condições laborais. Essa situação, embora carregada de humor, trouxe elementos importantes de análise: de um lado, pode ser entendida como mecanismo de defesa frente às dificuldades enfrentadas no trabalho, tal como aponta Christophe Dejours ao discutir as estratégias coletivas para lidar com o sofrimento; de outro, remete às reflexões freudianas sobre o chiste, que permitem compreender o riso como via de expressão de conteúdos latentes, possibilitando tanto o alívio da tensão quanto a comunicação de críticas de forma velada. Assim, o acolhimento inicial revelou não apenas o funcionamento cultural da empresa, mas também a maneira como os trabalhadores elaboram suas experiências subjetivas em meio ao cotidiano organizacional. Ao longo das semanas seguintes, o estágio possibilitou a observação do clima organizacional e da cultura presente na empresa. Percebi um ambiente de relações predominantemente próximas, com forte influência da figura do proprietário, cuja postura conciliava a autoridade necessária à gestão com certa abertura ao diálogo. Essa centralidade do líder, ainda que possa favorecer uma comunicação mais direta, também indica riscos relacionados à personalização excessiva dos processos, o que se conecta com as reflexões de Edgar Schein acerca da cultura organizacional como um conjunto de pressupostos básicos que se consolidam a partir da liderança. Nesse contexto, tornou-se possível refletir sobre como a cultura influencia diretamente a satisfação, a motivação e até mesmo os modos de sofrimento dos trabalhadores. Outra vivência significativa ocorreu nas conversas informais com funcionários e na realização de entrevistas, que permitiram compreender tanto os aspectos objetivos do trabalho quanto a forma como cada indivíduo se percebe inserido no coletivo. Surgiram relatos sobre cansaço físico, dificuldades de comunicação entre setores e limitações estruturais, que evidenciam a necessidade de se pensar em estratégias de intervenção voltadas ao bem-estar. Paralelamente, também emergiram falas que demonstravam senso de pertencimento e orgulho em relação à função social da empresa, já que a alimentação escolar envolve impacto direto na vida de crianças e adolescentes. Essa ambivalência entre sofrimento e realização confirma a importância de olhar para o trabalho não apenas como fonte de desgaste, mas também como espaço de construção de sentido e identidade, como apontam estudos de Dejours e da Psicodinâmica do Trabalho. No plano normativo, foi possível perceber o quanto as exigências legais, como a NR-1, ainda são pouco apropriadas pelos trabalhadores no cotidiano. A falta de clareza em relação às normas de segurança e saúde no trabalho revela um campo de atuação importante para a Psicologia Organizacional, especialmente no que diz respeito à promoção de treinamentos, programas de conscientização e práticas educativas que fortaleçam a autonomia dos funcionários diante das normas. Essa constatação trouxe à tona a relevância de articular teoria e prática, reconhecendo que o papel do psicólogo não se restringe à análise do comportamento organizacional, mas também envolve a mediação entre sujeito, instituição e regulamentações. De modo geral, a experiência do estágio até o momento tem possibilitado um aprendizado que ultrapassa o campo técnico. A cada situação observada, emerge a necessidade de exercitar a escuta sensível e a análise crítica, compreendendo o trabalhador não como peça de um sistema produtivo, mas como sujeito atravessado por desejos, defesas, limites e potências. O contato com a realidade concreta de uma empresa de alimentação escolar revelou tanto os desafios quanto as possibilidades de atuação da Psicologia Organizacional, seja na promoção da saúde, na mediação de conflitos, no desenvolvimento de políticas de gestão mais humanas ou na criação de espaços de fala que legitimem a experiência subjetiva dos trabalhadores. Em síntese, o estágio tem se configurado como campo fértil de reflexões e aprendizados, permitindo vivenciar na prática o que a teoria anuncia: a organização não é apenas lugar de produção e resultados, mas também espaço de vínculos, afetos e sentidos. A cada observação e análise, fortalece-se a compreensão de que a atuação do psicólogo organizacional exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade ética e humana para lidar com as complexas dinâmicas que atravessam o cotidiano de trabalho. Assim, a experiência até aqui representa não só um exercício acadêmico, mas também um passo fundamental para minha constituição como futura profissional da Psicologia. Trata-se de um percurso em construção, que segue se consolidando a cada nova vivência no campo organizacional. Referências: BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora NR-1: Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília: Ministério do Trabalho, 2019. DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2015. FREUD, Sigmund. Os chistes e sua relação com o inconsciente (1905). In: FREUD, Sigmund. Obras completas, v. 7. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. SCHEIN, Edgar H. Organizational culture and leadership. 4. ed. San Francisco: Jossey-Bass, 2010.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

HORCEL, Beatriz Rolim; CALIPO, Valéria. EXPERIÊNCIAS DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271510-EXPERIENCIAS-DE-ESTAGIO-EM-PSICOLOGIA-ORGANIZACIONAL-E-DO-TRABALHO. Acesso em: 13/03/2026

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