BANCO DE SANGUE: DESAFIOS NA GESTÃO E QUALIDADE DO HEMOCOMPONENTE

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
BANCO DE SANGUE: DESAFIOS NA GESTÃO E QUALIDADE DO HEMOCOMPONENTE
Autores
  • Stefanie Cristina
  • Maria Aparecida Ribeiro da Cruz Rodrigues Itiuba
  • Evandro Milton Rodrigues
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Biomedicina
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271441-banco-de-sangue--desafios-na-gestao-e-qualidade-do-hemocomponente
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Banco de sangue, Hemocomponentes, Gestão da qualidade, Segurança transfusional, Doação de sangue
Resumo
A transfusão de sangue constitui uma das maiores conquistas da medicina moderna, sendo indispensável em cirurgias de grande porte, emergências traumáticas, doenças hematológicas e tratamentos oncológicos. Estima-se que milhões de transfusões sejam realizadas anualmente em todo o mundo, configurando-se como prática de grande impacto para a saúde pública. No Brasil, a doação é voluntária, gratuita e regulamentada pelo Ministério da Saúde. Em 2023, aproximadamente 1,6% da população brasileira doou sangue, resultando em mais de 3,2 milhões de bolsas coletadas. Embora esse índice atenda ao mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (1% da população doadora), ainda se encontra abaixo do ideal, que varia entre 1% e 3%, refletindo desafios relacionados à captação e fidelização de doadores. Embora a quantidade de bolsas coletadas seja um indicador relevante, a segurança transfusional não pode ser reduzida a um aspecto meramente quantitativo, pois, para a obtenção dos hemocomponentes os serviços de hemoterapia devem ser estruturados em rede, sendo nos mais completos que se executam todas as etapas do ciclo do sangue, desde a captação de doadores, passando pela triagem clínica, coleta de sangue, processamento de sangue em hemocomponentes, análises sorológicas e imuno-hematológicas no sangue do doador, armazenamento, distribuição destes produtos até transfusão (Ministério da Saúde, 2015). A aptidão do doador é assegurada em cada etapa do ciclo do sangue, a partir da anamnese, exames sorológicos e demais etapas iniciais, avançando até a fase de coleta, que deve seguir padrões rigorosos de qualidade. Erros na triagem, seja por informações incompletas ou falhas laboratoriais, aumentam o risco de descarte de bolsas e de transmissão de doenças. Falhas nesse percurso podem comprometer a viabilidade do hemocomponente, gerar descartes desnecessários e, em situações mais críticas, colocar em risco a vida do receptor (Anvisa, 2014), pois no Brasil, todas as bolsas (100%) devem ser “processadas de acordo com a legislação vigente”. O processamento das bolsas atualmente permite a produção e o armazenamento de diferentes hemocomponentes em condições adequadas para que sejam preservadas suas características terapêuticas, possibilitando que o paciente receba, em menor volume, somente elementos sanguíneos que necessita, o que minimiza os riscos inerentes à terapêutica transfusional. Portanto, a partir de uma única doação, “vários pacientes poderão ser beneficiados de forma mais segura” (Guia de Uso de Hemocomponentes, 2015). E para a obtenção dos hemocomponentes, o sangue total passa por processos físicos, como centrifugação e congelamento, que permitem a separação e a utilização de componentes específicos. Um dos principais produtos gerados é o plasma fresco congelado (PFC), que consiste na porção acelular do sangue e pode ser obtido também a partir do processamento em equipamentos automáticos de aférese. O PFC é constituído essencialmente por água, proteínas (como albumina, globulinas e fatores de coagulação), além de carboidratos e lipídios. Quando congelado entre –25 °C e –18 °C, mantém-se viável por até 12 meses; entretanto, se armazenado a temperaturas inferiores a –25 °C, sua validade pode alcançar até 24 meses. O congelamento adequado preserva fatores de coagulação, proteínas do sistema fibrinolítico, componentes do complemento, imunoglobulinas e sais minerais, mantendo assim suas propriedades terapêuticas (ANVISA, 2014). Nos concentrados de hemácias, avaliam-se critérios como volume final, hematócrito adequado e concentração mínima de hemoglobina. Nas plaquetas, monitoram-se a contagem celular, o pH em faixa fisiológica e a capacidade funcional de manter a hemostasia. A mensuração desses parâmetros envolve análises laboratoriais específicas, como hematologia automatizada, testes de coagulação e monitoramento físico-químico das condições de conservação. Entre as etapas críticas para garantir a qualidade destaca-se a prova cruzada (crossmatch), que consiste em verificar a compatibilidade imunológica entre as hemácias do doador e o soro do receptor. Esse procedimento é imprescindível para evitar reações hemolíticas graves, muitas vezes fatais. De igual importância, a triagem clínica e sorológica busca detectar fatores de risco, identificar doenças transmissíveis e avaliar a aptidão do doador, funcionando como barreira primária para assegurar a segurança transfusional (Saúde - RS, 2019). Metodologicamente, a presente pesquisa aborda esses aspectos técnicos a partir de uma revisão bibliográfica e documental, com análise de normas regulatórias e estudos científicos nacionais e internacionais. Foram consultadas bases de dados como SciELO, PubMed e CAPES Periódicos, além de documentos oficiais da ANVISA e da Organização Mundial da Saúde, que estabelecem parâmetros de qualidade e condições de armazenamento dos hemocomponentes. Disso, esta pesquisa tem por objetivo demonstrar que a qualidade dos hemocomponentes não se restringe apenas aos critérios laboratoriais, mas deve ser compreendida como a capacidade do sistema hemoterápico em garantir produtos seguros, eficazes e disponíveis no momento oportuno. Nesse contexto, gestão e qualidade configuram-se como dimensões complementares e indissociáveis: apenas um sistema bem gerido, aliado a parâmetros de qualidade rigorosos, pode assegurar a efetividade do tratamento transfusional. Portanto, verifica-se que a gestão eficiente e a qualidade dos hemocomponentes constituem pilares interdependente, diante da segurança transfusional, do fortalecimento da confiança social e da consolidação do direito universal à saúde. Referências ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 34, de 11 de junho de 2014. Dispõe sobre as Boas Práticas no Ciclo do Sangue. Brasília: ANVISA, 2014. Disponível em: https://antigo.anvisa.gov.br/legislacao. Acesso em: 23 ago. 2025. DAS, S. S. et al. Innovations in platelet storage and quality monitoring: global perspectives. Journal of Blood Medicine, v. 13, p. 45–56, 2022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11277025/. Acesso em: 23 ago. 2025. LIMA, R. S. et al. Desafios da hemoterapia no Brasil: análise da gestão e qualidade dos serviços. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 44, n. 3, p. 210–218, 2022. DOI: 10.1016/j.rbhe.2022.05.003. RBAC – Revista Brasileira de Análises Clínicas. Segurança transfusional no Brasil: dos primórdios ao NAT. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 55, n. 2, 2023. Disponível em: https://www.rbac.org.br/artigos/seguranca-transfusional-no-brasil-dos-primordios-ao-nat/. Acesso em: 23 ago. 2025. 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Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CRISTINA, Stefanie; ITIUBA, Maria Aparecida Ribeiro da Cruz Rodrigues; RODRIGUES, Evandro Milton. BANCO DE SANGUE: DESAFIOS NA GESTÃO E QUALIDADE DO HEMOCOMPONENTE.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271441-BANCO-DE-SANGUE--DESAFIOS-NA-GESTAO-E-QUALIDADE-DO-HEMOCOMPONENTE. Acesso em: 16/03/2026

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