CULTURA WOKE E PAUTAS IDENTITÁRIAS: UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA DA COBERTURA MIDIÁTICA E AS IMPLICAÇÕES SOBRE TRABALHO E GÊNERO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
CULTURA WOKE E PAUTAS IDENTITÁRIAS: UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA DA COBERTURA MIDIÁTICA E AS IMPLICAÇÕES SOBRE TRABALHO E GÊNERO
Autores
  • Thaís ReginaAiello
  • Adriana Cristina Alves do Amaral
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271025-cultura-woke-e-pautas-identitarias--uma-analise-exploratoria-da-cobertura-midiatica-e-as-implicacoes-sobre-traba
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Comunicação, Cultura Woke, mundo do trabalho, gênero, diversidade e inclusão.
Resumo
O presente trabalho busca problematizar o tema da diversidade e da inclusão como prática corporativa, tendo como recorte a cultura Woke, Pretérito do verbo inglês “to wake”, que significa acordar despertar, estar vigilante, tornar-se ativo, Woke adquiriu um sentido político no início dos anos 1960, quando comunidades afro-americanas passaram a utilizar essa designação como mote para a tomada de consciência e o combate à discriminação e ao racismo. Em 2013, o Movimento Black Lives Matter reavivou o ideal Woke, que foi inserido Dicionário Oxford em 2017, relacionado à consciência e a ação ativa contra injustiças sociais de vários espectros, não apenas o racial. Dicionários também passaram a incluir acepção depreciativa do termo, com referência a que ou aquele que “fomenta o politicamente correto e a cultura de cancelamento” (Dicionário infopedia, [em linha]). Na contenda entre forças conservadoras e progressistas, o Woke tem se tornado campo de batalha, e as consequências resvalam nas políticas empresariais de diversidade, equidade e inclusão, bem como nas práticas de responsabilidade socioambiental. É possível inferir que a ascensão de forças da extrema direita e de um pensamento fundado na hegemonia branca, cisgênera e patriarcal já delineavam o terreno que vem se revelando de maneira mais explícita a partir da reeleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Com o flanco aberto a partir de sua posse, entra em cena o “capitalismo desnudado” e, nesse bojo, as empresas também se despem de pruridos e abandonam bandeiras anteriormente exaltadas como caminho para conciliar lucratividade e justiça social. Na Sociedade do Cansaço (Han, 2017), a exigência de fazer cada vez mais com menos, ou seja, entregar níveis crescentes de produtividade em menos tempo, com menos recursos e em prazos mais exíguos, parece cada vez mais distante de um discurso corporativo antes imbuído de compromisso com políticas e práticas de reconhecimento e empoderamento de minorias. Nossa hipótese é que o recuo do compromisso das empresas com diversidade e inclusão se assenta em manifestações dos movimentos político-partidários voltados ao conservadorismo, movimentos esses que se intensificam com a reeleição Trump, alargando o caminho para políticas excludentes, com potencial para produzir forte retrocesso em termos de igualdade e justiça social. Em nosso estudo, o recorte adotado prioriza a questão de gênero, notadamente no que diz respeito ao trabalho da mulher, incluindo a mulher trans. Inicialmente, foi realizada uma revisão bibliográfica, seguida de análise exploratória de reportagens publicadas tanto pela mídia hegemônica quanto pela anti-hegemônica, reunida no estudo como Mídia Radical (Downing, 2004). Aqui, nos ocuparemos dessa análise exploratória, segundo a qual foram identificadas 19 matérias no período de 2023 e 2025. Palavras como batalha, guerra cultural, disputa, controvérsia estão presentes em vários títulos, denotando o campo de tensão que alimenta a animosidade e a polarização entre forças políticas e sociais. Das 9 matérias identificadas nos veículos hegemônicos, a maioria busca um enfoque neutro e informativo, enquanto três adotam posicionamento de franca oposição, perceptível desde o título, conforme os exemplos de Veja e Estadão, respectivamente: Onda ‘woke’ ganha força, e reproduz a intolerância que diz combater (Péchy, 2024) e A era da lacração e da cultura woke chegou ao fim? Tomara, estamos com saudade de rir (Silvestre, 2024). Com relação à mídia anti-hegemônica, das 10 matérias analisadas, duas trazem abordagem pró-Woke e, na outra ponta, 6 matérias adotam pauta anti-Woke, como a intitulada A falácia da cultura woke e o seu desserviço à humanidade (Gomes, 2024), publicada pelo veículo Brasil Paralelo. Nosso referencial inclui autores como Federici (2021), Hooks (2018), Dardot e Laval (2016), Harvey (2014), Fraser (2006, 2022), Honneth (2003), Figaro (2008) e Chaui (2021). Enquanto pesquisa em andamento, prevê-se a articulação do diálogo com esses teóricos, bem como novas abordagens metodológicas para aprofundar os estudos, incluindo a análise de conteúdo do material apurado. REFERÊNCIAS AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidades. São Paulo: Pólen, 2019. CHAUI, Marilena. A ideologia da competência. Organizador: André Rocha. São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2021. DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016. 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Brasil Paralelo, São Paulo, 12 jun. 2024. Disponível em: https://www.brasilparalelo.com.br/colunas/a-falacia-da-cultura-woke-e-o-seu-desservico-a-humanidade. Acesso em: 10 maio 2025. HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2017. HARVEY, David. O Neoliberalismo: História e Implicações. São Paulo: Edições Loyola, 2014. HONNETH, A. Luta por Reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. São Paulo: Editora 34, 2003. HOOKS, Bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras / bell hooks; tradução Ana Luiza. Libânio. – 1. ed. - Rio de Janeiro: Rosa os Tempos, 2018. PÉCHY, Amanda. Onda ‘woke’ ganha força, e reproduz a intolerância que diz combater. Veja, São Paulo, 4 jun. 2024. Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/onda-woke-ganha-forca-e-reproduz-a-intolerancia-que-diz-combater. Acesso em: 10 maio 2025. SILVESTRE, Lusa. A era da lacração e da cultura woke chegou ao fim? Tomara, estamos com saudade de rir. Estadão, São Paulo, 16 maio 2024. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/a-era-da-lacracao-e-da-cultura-woke-chegou-ao-fim-tomara-estamos-com-saudade-de-rir/. Acesso em: 10 maio 2025.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

REGINAAIELLO, Thaís; AMARAL, Adriana Cristina Alves do. CULTURA WOKE E PAUTAS IDENTITÁRIAS: UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA DA COBERTURA MIDIÁTICA E AS IMPLICAÇÕES SOBRE TRABALHO E GÊNERO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271025-CULTURA-WOKE-E-PAUTAS-IDENTITARIAS--UMA-ANALISE-EXPLORATORIA-DA-COBERTURA-MIDIATICA-E-AS-IMPLICACOES-SOBRE-TRABA. Acesso em: 18/03/2026

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