PERSPECTIVAS JUNGUIANAS E TEORIAS DE GÊNERO SOBRE SOFRIMENTO PSÍQUICO LGBTQIAPN+

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
PERSPECTIVAS JUNGUIANAS E TEORIAS DE GÊNERO SOBRE SOFRIMENTO PSÍQUICO LGBTQIAPN+
Autores
  • Andreia da Fonseca Araujo
  • Maria do Carmo Fernandes
  • Clarissa De Franco
  • Valquíria Aparecida Rossi
  • Fernanda Nogueira Lobato Marques
  • Kleber Willian Eloi
  • Rosa Frugoli
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271024-perspectivas-junguianas-e-teorias-de-genero-sobre-sofrimento-psiquico-lgbtqiapn
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Psicologia Junguiana, teorias de gênero, LGBTQIAPN+, sofrimento psíquico, riscos psicossociais.
Resumo
A Psicologia Junguiana, enquanto abordagem voltada à compreensão profunda da psique humana, oferece conceitos estruturantes como complexos, arquétipos, anima e animus, que permitem investigar a experiência subjetiva em sua multiplicidade e riqueza simbólica. Entretanto, historicamente, muitos desses conceitos foram interpretados de forma essencialista e binária, especialmente a distinção entre anima e animus, reforçando normas culturais e sociais que privilegiam a heteronormatividade e a cisnormatividade, impactando negativamente indivíduos que se identificam como LGBTQIAPN+. Esse olhar reducionista não apenas limita a compreensão do potencial psíquico humano, mas também contribui para a invisibilização e patologização de subjetividades diversas. O presente estudo, derivado da tese de doutorado da autora principal, que resultou na construção da Escala de Avaliação de Riscos Psicossociais e Sofrimento Psíquico em Diversidade Sexual e de Gênero – ESOP, buscou integrar reflexões da Psicologia Junguiana com perspectivas das Teorias de Gênero, especialmente a Teoria Queer a partir de Foucault, Butler, Beauvoir, Connell e autores contemporâneos, como Franco, Maffia, Haraway e outros, com o objetivo de compreender de que maneira normas heterocisnormativas estruturam e intensificam o sofrimento psíquico de pessoas LGBTQIAPN+. A ESOP foi aplicada a 493 participantes LGBTQIAPN+, abrangendo diversidade de orientações sexuais, identidades de gênero, raças, classes sociais e contextos culturais, permitindo uma análise interseccional do sofrimento psíquico. Os resultados evidenciaram que a pressão para conformidade social, a expectativa de adequação aos padrões normativos e a vivência constante de discriminação e rejeição geram múltiplos riscos psicossociais. Entre eles, destacam-se: medo persistente de rejeição e violência, internalização de estigmas e preconceitos (LGBTfobia), além de manifestações clínicas significativas, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, hipervigilância e pensamentos acelerados. Tais indicadores demonstram que o sofrimento psíquico na população LGBTQIAPN+ não pode ser compreendido de maneira homogênea, devendo ser analisado em sua complexidade e em relação à interseção entre fatores individuais, sociais e culturais. A articulação teórica entre Psicologia Junguiana e teorias de gênero possibilitou uma releitura do binarismo tradicional de anima/animus, sugerindo um movimento em direção à fluidez psíquica, na qual a identidade psíquica se manifesta de forma plurissignificativa, não limitada por papéis ou normas rígidas. Nesse contexto, os complexos pessoais, coletivos e culturais emergem como categorias analíticas cruciais para compreender as marcas psíquicas deixadas por experiências de exclusão, violência, opressão e invisibilização social. A integração de arquétipos e complexos com a perspectiva de gênero permite identificar como a subjetividade LGBTQIAPN+ negocia entre pressões normativas externas e necessidades internas de autenticidade e integração psíquica. Além disso, observou-se que práticas de cuidado psicológico orientadas por uma leitura inclusiva e interseccional, que combinam o conhecimento junguiano com a sensibilidade às questões de gênero e sexualidade, ampliam o alcance clínico e social da Psicologia. Ao desconstruir visões rígidas e normativas, é possível oferecer espaços psicoterapêuticos mais seguros, respeitosos e efetivos, promovendo a saúde mental e o bem-estar da população LGBTQIAPN+. Nesse sentido, a pesquisa aponta para a necessidade de diálogo contínuo entre psicologia analítica e teorias de gênero, reafirmando a importância de práticas profissionais que considerem a diversidade como parte da dinâmica psíquica humana. Conclui-se que a Psicologia Junguiana, quando articulada às Teorias de Gênero, destacadamente a Teoria Queer, e à análise dos riscos psicossociais e sofrimento psíquico de pessoas não-heterocisnormativas, expande sua capacidade de compreensão e intervenção, permitindo não apenas o cuidado clínico, mas também a contribuição social para a redução de preconceitos e discriminações estruturais. A pesquisa reafirma que o sofrimento psíquico da população LGBTQIAPN+ é produto de múltiplos fatores interativos e que uma abordagem integrativa, simbólica e interseccional é essencial para promover saúde mental inclusiva e emancipatória. As referências utilizadas para este estudo foram ARAUJO, A. F. Escala de Avaliação de Riscos Psicossociais e Sofrimento Psíquico em Diversidade Sexual e de Gênero. [Tese de Doutorado em Psicologia da Saúde, Universidade Metodista de São Paulo – UMESP], 2025; ARAUJO, A. F. O Sofrimento de Gays e Lésbicas Vítimas de Violência: Um Estudo do Fenômeno na Perspectiva da Psicologia Junguiana. [Dissertação de Mestrado em Psicologia da Saúde, Universidade Metodista de São Paulo – UMESP], 2022; BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980; BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003; BUTLER, J. Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do “sexo”. In: LOURO, G. L. (org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2002; BUTLER, J. A vida psíquica do poder: teorias da sujeição. Belo Horizonte: Autêntica, 2017; BUTLER, J. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018; BUTLER, J. Corpos que importam: os limites discursivos do “sexo”. Belo Horizonte: Autêntica, 2019; CONNELL, R. W. Masculinidades. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007; CONNELL, R. W. 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Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ARAUJO, Andreia da Fonseca et al.. PERSPECTIVAS JUNGUIANAS E TEORIAS DE GÊNERO SOBRE SOFRIMENTO PSÍQUICO LGBTQIAPN+.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1271024-PERSPECTIVAS-JUNGUIANAS-E-TEORIAS-DE-GENERO-SOBRE-SOFRIMENTO-PSIQUICO-LGBTQIAPN. Acesso em: 13/03/2026

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