INTERSECCIONALIDADE, SAÚDE MENTAL E RISCOS PSICOSSOCIAIS EM PESSOAS LGBTQIAPN+

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
INTERSECCIONALIDADE, SAÚDE MENTAL E RISCOS PSICOSSOCIAIS EM PESSOAS LGBTQIAPN+
Autores
  • Andreia da Fonseca Araujo
  • Maria do Carmo Fernandes
  • Clarissa De Franco
  • Valquíria Aparecida Rossi
  • Giovanna de Freitas Menezes
  • Lucas De Moraes Hamasaki
  • Rosa Frugoli
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270987-interseccionalidade-saude-mental-e-riscos-psicossociais-em-pessoas-lgbtqiapn
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Interseccionalidade, LGBTQIAPN+, sofrimento psíquico, riscos psicossociais, ESOP.
Resumo
A experiência de sofrimento psíquico da população LGBTQIAPN+ não pode ser compreendida de maneira homogênea, pois ela se insere em uma rede complexa de fatores sociais, culturais, históricos e individuais que se inter-relacionam na produção e perpetuação de desigualdades. Raça, classe social, religião, gênero, orientação sexual e níveis de escolaridade, entre outros, atuam simultaneamente e interdependente, intensificando o sofrimento psíquico enfrentado por pessoas não-heterocisnormativas. A perspectiva interseccional, conforme proposta por Crenshaw (1989, 1991) e expandida por Collins (2000), oferece um arcabouço teórico capaz de captar essas múltiplas dimensões de opressão, permitindo uma compreensão profunda e precisa das experiências de sofrimento psíquico vividas pela população LGBTQIAPN+. A interseccionalidade revela que as discriminações não são meramente aditivas, mas interativas, produzindo efeitos específicos que variam conforme a posição social, o contexto cultural e a história de vida do indivíduo. Este estudo tem como base a tese de doutorado da autora principal, que desenvolveu a Escala de Avaliação de Riscos Psicossociais e Sofrimento Psíquico em Diversidade Sexual e de Gênero – ESOP, instrumento concebido com o objetivo de identificar e mensurar fatores de risco psicossociais e o impacto do sofrimento psíquico em pessoas LGBTQIAPN+. A ESOP foi desenvolvida a partir da pesquisa de mestrado da autora principal e de uma análise cuidadosa da literatura existente sobre discriminação, violência, estigmatização e marginalização, considerando não apenas os elementos de vulnerabilidade individuais, mas também os contextos estruturais que perpetuam a desigualdade social. A ESOP permite a avaliação de diferentes dimensões do sofrimento, incluindo ansiedade, depressão, retraimento social, medo de violência, insegurança no ambiente familiar e comunitário, além de experiências de rejeição e exclusão em espaços públicos e privados. A população-alvo deste estudo foi composta por 493 participantes LGBTQIAPN+ residentes no Brasil, abrangendo diversas faixas etárias, classes sociais, níveis educacionais, religiões e localizações geográficas. A amostra adveio de bola de neve (snowball) e reflete a diversidade da população LGBTQIAPN+, incluindo pessoas negras, pardas e brancas, indivíduos homossexuais, bissexuais, pansexuais e outras orientações, bem como pessoas com expressões de gênero binárias e não binárias. Para além da ESOP, foram aplicadas escalas validadas de sofrimento psicológico e afetivo, como o Inventário de Depressão de Beck – BDI, Questionário Psicossocial de Copenhagen – COPSOQ, Escala de Afetos Positivos e Negativos – PANAS-20, visando uma análise convergente dos dados e a validação da escala desenvolvida. As análises estatísticas realizadas, incluindo ANOVA e Kruskal-Wallis, revelaram padrões significativos que demonstram a importância de se considerar as interseccionalidades na compreensão do sofrimento psíquico. Entre os achados mais relevantes, observou-se que pessoas negras apresentaram níveis significativamente mais elevados de sofrimento psíquico em comparação às pessoas brancas, o que evidencia a intersecção entre racismo estrutural e opressão baseada na orientação sexual e identidade de gênero. Este resultado corrobora estudos prévios que apontam para o impacto cumulativo da discriminação racial e da LGBTfobia na saúde mental, intensificando sintomas depressivos, ansiosos e de retraimento social. No contexto da Psicologia Junguiana, pode-se compreender que o ego dessas pessoas se encontra em constante tensão, precisando lidar com conteúdos inconscientes relacionados à rejeição e ao preconceito, ampliando o desgaste psíquico e a dificuldade de integração de experiências afetivas e sociais complexas. Refere-se à orientação sexual, verificou-se que homossexuais apresentavam níveis mais elevados de sofrimento psíquico em relação a bissexuais. Este dado sugere que, apesar da bissexualidade também enfrentar formas específicas de estigmatização, o preconceito direcionado aos homossexuais possui maior visibilidade social e institucional, amplificando a pressão social, discriminação e potencial isolamento. Tal fenômeno, na perspectiva junguiana, sugere que na medida em que a integração de aspectos da sombra torna-se mais complexa quando o indivíduo é constantemente confrontado por normas heterocisnormativas, cria-se conflito interno entre a autoimagem e a percepção social. Pertinente à expressão de gênero, pessoas com identidades não binárias demonstraram níveis mais elevados de sofrimento psíquico do que aquelas com expressão de gênero binária. Essa evidência reforça a importância de compreender como normas sociais rígidas de gênero, quando internalizadas, geram sofrimento emocional intenso. A teoria junguiana sugere que animus e anima, enquanto arquétipos do inconsciente coletivo, podem se manifestar de maneiras multifacetadas, e quando a expressão de gênero do indivíduo não se alinha às expectativas normativas, sobrecarrega-se a psique, podendo manifestar ansiedade, depressão, insônia e retraimento social. A religião também emergiu como fator determinante no sofrimento psíquico. Observou-se que participantes evangélicos relataram maior medo de violência e rejeição em comparação a adeptos de outras tradições religiosas ou pessoas sem filiação religiosa. Este achado é coerente com estudos que indicam que formas de fundamentalismo religioso podem atuar como mecanismos de opressão simbólica, reforçando normas heterocisnormativas e promovendo sentimentos de culpa, vergonha e medo. A intersecção entre religião e orientação sexual ou identidade de gênero, portanto, cria situações de vulnerabilidade específicas, nas quais a pressão por conformidade às normas religiosas aumenta o risco de sofrimento psíquico. Na ótica junguiana, tais experiências podem ser interpretadas como manifestações de conflitos entre ego, self e arquétipos internalizados, resultando em fragmentação subjetiva que compromete a saúde mental e emocional. A análise interseccional demonstrou que as experiências de opressão não se limitam à soma de fatores individuais, mas sim à interação complexa entre diferentes dimensões sociais. Por exemplo, indivíduos negros, homossexuais e evangélicos enfrentam impactos mais severos na saúde mental devido à confluência de racismo, heterocisnormatividade e fundamentalismo religioso. Essa combinação de fatores amplifica a ansiedade, depressão, medo de violência, retraimento social e sentimentos de exclusão, configurando quadro de vulnerabilidade psicossocial que exige atenção diferenciada no cuidado clínico e na formulação de políticas públicas. O conceito de interseccionalidade, portanto, é fundamental para compreender a intensificações de diferentes formas de opressão, somadas, no sofrimento psíquico de pessoas que não se conformam às normas heterocisnormativas. As referências utilizadas para este estudo foram ARAUJO, A. F. Escala de Avaliação de Riscos Psicossociais e Sofrimento Psíquico em Diversidade Sexual e de Gênero. [Tese de Doutorado em Psicologia da Saúde, Universidade Metodista de São Paulo – UMESP], 2025; ARAUJO, A. F. O Sofrimento de Gays e Lésbicas Vítimas de Violência: Um Estudo do Fenômeno na Perspectiva da Psicologia Junguiana. [Dissertação de Mestrado em Psicologia da Saúde, Universidade Metodista de São Paulo – UMESP], 2022; COLLINS, P. H. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. São Paulo: Boitempo Editorial, 2019; CRENSHAW, K. W. The Intersectionality of Race and Gender Discrimination. In: United Nations Committee on the Elimination of Racial Discrimination, Gender Dimensions of Racial Discrimination, 2000; JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo – OC 9/1. Petrópolis: Vozes, 2014.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ARAUJO, Andreia da Fonseca et al.. INTERSECCIONALIDADE, SAÚDE MENTAL E RISCOS PSICOSSOCIAIS EM PESSOAS LGBTQIAPN+.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270987-INTERSECCIONALIDADE-SAUDE-MENTAL-E-RISCOS-PSICOSSOCIAIS-EM-PESSOAS-LGBTQIAPN. Acesso em: 13/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes