BEM-ESTAR PSICOLÓGICO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DO ABC PAULISTA: UMA COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS DE IDENTIDADE DE GÊNERO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
BEM-ESTAR PSICOLÓGICO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DO ABC PAULISTA: UMA COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS DE IDENTIDADE DE GÊNERO
Autores
  • Lucas De Moraes Hamasaki
  • Andreia da Fonseca Araujo
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270874-bem-estar-psicologico-de-estudantes-universitarios-do-abc-paulista--uma-comparacao-entre-grupos-de-identidade-de
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
transfobia, exclusão social, saúde mental, universidade, apoio social
Resumo
O presente projeto de pesquisa tem como objetivo mensurar e comparar níveis de depressão, ansiedade e estresse em estudantes universitários cisgêneros e trans/não-binários do ABC Paulista, visando compreender de que forma fatores psicossociais e institucionais se articulam no bem-estar psicológico desses grupos. A relevância deste estudo se ancora na crescente evidência de que a população transgênera e não-binária apresenta índices mais elevados de sofrimento psíquico, diretamente relacionados às condições sociais, políticas e institucionais que estruturam a vida cotidiana. Pesquisas internacionais têm demonstrado que políticas públicas e legislações restritivas podem afetar diretamente a saúde mental de pessoas transgêneras e não-binárias. Exemplo disso é o estudo publicado na revista Nature Human Behaviour, em 2024, que apontou um aumento de 72% nas tentativas de suicídio entre jovens de 13 a 24 anos que se identificavam como transgêneros ou não-binários, após a implementação de 48 leis antitrans nos Estados Unidos, em um período de quatro anos (LEE et al., 2024). Este dado evidencia o caráter estruturante das normas legais e sociais sobre a saúde mental de minorias de gênero, sugerindo que o ambiente institucional pode funcionar tanto como fator de risco quanto de proteção. No Brasil, o cenário também apresenta preocupações significativas. Um estudo conduzido em Natal (RN) identificou que 27,6% das pessoas participantes apresentaram níveis moderados ou graves de depressão, enquanto 43,1% relataram ter sofrido algum tipo de violência no ambiente escolar (SILVA et al., 2024). Esses resultados ressaltam que a violência de gênero, o preconceito e a exclusão nos espaços educacionais impactam diretamente na saúde mental, especialmente de estudantes LGBTQIAPN+, para os quais a universidade deveria constituir-se como um espaço de acolhimento, inclusão e possibilidade de desenvolvimento integral. Para operacionalizar a pesquisa, será utilizada a Depression Anxiety and Stress Scale (DASS-21), instrumento validado no Brasil, de aplicação rápida e eficiente, que possibilita a mensuração de sintomas em três dimensões fundamentais do sofrimento psíquico. Além disso, será aplicada a Escala de Apoio Social, revisada para eliminar itens redundantes, de forma a captar a percepção da rede de suporte nos diferentes grupos investigados (cisgêneros, transgêneros e não-binários). Também será testado um piloto de uma escala original para mensurar a percepção de suporte institucional em universidades, composta por três a cinco perguntas em formato Likert (1-Discordo Totalmente a 5-Concordo Totalmente), tomando como base metodológica a proposta de Martins e Cornacchione (2021). A coleta de dados será realizada pela plataforma Google Forms, iniciando-se com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), garantindo anonimato e o direito à não resposta em itens sensíveis. O formulário trará ainda, ao final, uma lista de recursos disponíveis na região (apoio social, jurídico, psicológico e de saúde), reforçando o compromisso ético de não apenas coletar informações, mas oferecer caminhos de cuidado e proteção àqueles que eventualmente se reconheçam em situações de vulnerabilidade. O engajamento de participantes seguirá a técnica de snowball, reconhecida como eficaz em pesquisas com grupos de difícil acesso (VINUTO, 2014), com oversample direcionado para coletivos e organizações ligadas à comunidade universitária LGBTQIAPN+. Os critérios de inclusão serão: ter 18 anos ou mais e estar matriculado em curso de graduação em instituições do ABC Paulista. A análise dos dados buscará identificar relações entre a presença de sintomas em contextos aversivos (marcados por preconceito, punição, discriminação e exclusão institucional) e a diminuição desses sintomas em contextos reforçadores (apoio social, políticas inclusivas, atendimento psicológico acessível e suporte acadêmico). Essa abordagem dialoga com o modelo analítico-comportamental do desamparo aprendido e da incontrolabilidade como fatores de risco para a depressão (FERREIRA; TOURINHO, 2013), oferecendo, portanto, uma leitura teórica consistente para compreender como o contexto acadêmico pode intensificar ou mitigar o sofrimento psíquico. Finalmente, pretende-se não apenas realizar a mensuração e comparação entre grupos, mas também propor a criação e futura validação de uma Escala de Percepção de Suporte Institucional Universitário, que permita mensurar o grau em que universidades funcionam como ambientes protetores ou geradores de vulnerabilidade para estudantes de diferentes identidades de gênero. Tal instrumento poderá se tornar ferramenta útil tanto para pesquisas futuras quanto para a formulação de políticas públicas e institucionais voltadas ao bem-estar e à saúde mental da população universitária, contribuindo com práticas de inclusão efetiva e equidade no ensino superior. As referências utilizadas para este trabalho foram FERREIRA, D. C.; TOURINHO, E. Z. Desamparo aprendido e incontrolabilidade: relevância para uma abordagem analítico-comportamental da depressão. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 29, n. 2, p. 211–219, jun. 2013; LEE, W. Y. et al. State-level anti-transgender Laws Increase past-year Suicide Attempts among Transgender and non-binary Young People in the USA. Nature Human Behaviour, v. 8, n. 8, p. 1–11, 26 set. 2024; MARTINS, G.; CORNACCHIONE, E. Editorial. Contabilidade Vista & Revista, v. 32, n. 1, p. 1–5, 2 mar. 2021; SILVA, S. et al. Sintomas depressivos e fatores associados entre travestis e transexuais: estudo transversal. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, n. suppl 3, 1 jan. 2024; VINUTO, J. A amostragem em bola de neve na pesquisa qualitativa. Temáticas, v. 22, n. 44, p. 203–220, 30 dez. 2014.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

HAMASAKI, Lucas De Moraes; ARAUJO, Andreia da Fonseca. BEM-ESTAR PSICOLÓGICO DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DO ABC PAULISTA: UMA COMPARAÇÃO ENTRE GRUPOS DE IDENTIDADE DE GÊNERO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270874-BEM-ESTAR-PSICOLOGICO-DE-ESTUDANTES-UNIVERSITARIOS-DO-ABC-PAULISTA--UMA-COMPARACAO-ENTRE-GRUPOS-DE-IDENTIDADE-DE. Acesso em: 16/03/2026

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