ESTRELAS NUNCA MORREM: IDENTIDADE-METAMORFOSE DA PESSOA EM CUIDADOS PALIATIVOS

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
ESTRELAS NUNCA MORREM: IDENTIDADE-METAMORFOSE DA PESSOA EM CUIDADOS PALIATIVOS
Autores
  • Renan Lamberti
  • João Amâncio do Rêgo Junior
  • Joice Passos Da Silva
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270641-estrelas-nunca-morrem--identidade-metamorfose-da-pessoa-em-cuidados-paliativos
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Identidade-Metamorfose, História de Vida, Cuidados Paliativos, Luto.
Resumo
A morte, apesar de certa, é cada vez menos vivida e aceita, devido à solidão, desumanidade e mecanicidade atual (Kubler-Ross, 1992, p. 19). O medo da morte aumentou devido à banalidade das perdas da pandemia do Covid-19 (Ribas et al., 2022, p. 10), com exclusão de dignidade sobre o morrer. A certeza da morte expõe a incerteza da vida. Apesar da finitude de um paciente terminal despertar empatia, a morte é reafirmada e perpetua-se como um tabu, velado e impronunciável, de tal forma que a presença dos cuidados paliativos se faz imprescindível, a fim da melhora da qualidade de vida diante da doença que ameaça a vida (WHO, 2002 apud Brasil, 2022). É fundamental que os cuidados paliativos promovam dignidade à pessoa (Kovács, 2008, p. 552) até o fim, o que não é confirmado na realidade. A relevância deste estudo para a ciência e a prática da Psicologia está em levar humanidade àqueles que, muitas vezes, são tratados como objetos diante do próprio morrer (Kubler-Ross, 1992, p 26), bem como verificar como a morte é vivida e como ressignificar o morrer com a presença da Psicologia. Objetificou-se, de forma central, compreender a metamorfose identitária na perspectiva de finitude frente à personagem do sujeito-que-morre que se aproxima por uma doença em estado terminal. Além disso, buscou-se entender como ocorrem metamorfoses na identidade de uma pessoa em estado terminal diante da morte simbólica/biológica; conhecer a perspectiva da pessoa em relação a morte e ao morrer e como influencia no processo de metamorfose identitária; apreender as diversas personagens vividas pela pessoa no decorrer da metamorfose de sua identidade; explorar as metamorfoses identitárias presentes na história de vida e perspectivas de futuro a partir do diagnóstico terminal atual; analisar como a pessoa lida com as relações mais próximas que viverão a perda; identificar aspectos relacionados a busca de sentido e esperança do indivíduo diante de um sofrimento que ele não tem controle ou resolução aparente. Utilizou-se o método narrativa de história de vida, pesquisa de campo, estudo qualitativo e descritivo através de entrevista aberta, desenvolvido por Antônio da Costa Ciampa no livro “A estória do Severino e a história da Severina”, publicado em 1987 (1995) como tese de Doutorado em Psicologia Social, aprofundando-se na história de vida do sujeito, onde o universal concretiza-se no singular (ibid., p. 125). Realizou-se a pesquisa com a aprovação do comitê de ética da UMESP de número 83892524.3.0000.5508. A pesquisa foi realizada na Associação beneficente sem fins lucrativos Instituto de Amor Oncoamigo para Reabilitação e Promoção da Saúde. Contou com a participação de três pessoas com diagnóstico de câncer atual ou anterior em entrevistas individuais, na qual foi escolhida uma história como centralizadora para o desenvolvimento do estudo, aprofundando-se com mais duas entrevistas. A fins de sigilo, nomeou-se a participante de Estrela. A partir da narração de sua história de vida, foram identificadas as personagens assumidas (Ciampa, 1995, p. 198). Sua história começa no parto. Estrela nasce Estrela-sofredora, e a partir disso surge Estrela-lutadora que sobrevive ao parto, Estrela-sobrevivente. Na relação com o mundo, ainda recém nascida, se torna Estrela-forte-sobrevivente. A lutadora se metamorfoseia em Estrela-opositora-negadora, e posteriormente em Estrela-opositora-desafiadora. Essa é sua maior estratégia identitária para concretizar a identidade desejada filha-amada. Em dado momento, ela assume a Estrela-passiva encapsulando a opositora-desafiadora, ainda na busca por concretizar Estrela-filha-amada. Estrela-milagre aparece quando sua potência contra a morte é validada objetivamente através da sobrevivência improvável a dois acidentes graves. A opositora-desafiadora volta quando se torna Estrela-mãe e, na relação com a filha, sua nova família, concretiza a filha-amada na filha enquanto ela mesma é Estrela-mãe-que-ama. Filha, esta, que possui o transtorno opositor-desafiador, como extensão da identidade da mãe. Na descoberta do câncer surge Estrela-que-tem-câncer, mas não o aceita. Ao perceber-se em cuidados paliativos, surge Estrela-em-cuidados-paliativos. É neste momento, diante da iminência da morte, que Estrela dá o maior salto qualitativo de sua história e se torna Estrela-que-não-está-de-acordo, um claro momento emancipatório em ser-si-mesma. A representação de morte para Estrela foi desde o parto uma Morte-vencível (Kovács, 2002, p. 6), caracterizada por um movimento constante de oposição e desafio. Ao entrar em cuidados paliativos, a Morte é metamorfoseada, dando lugar à Morte-implacável, que não pode ser vencida (Kovács, 2002, p. 8). Diante desta, Estrela dá seu maior salto qualitativo e se torna Estrela-que-não-está-de-acordo, não mais se opondo e desafiando a realidade, mas a aceita e faz o possível para mudá-la e viver. Como diz Estrela, “enquanto há vida, há esperança” (p. 121). Ao traçar um paralelo com Macabéa de “A hora da estrela” (Lispector, 1998) e Estrela, demonstrou-se a influência da representação de morte no processo de metamorfose identitária. Destaca-se o papel da sociedade-opositora-desafiadora-da-morte na identidade-metamorfose da pessoa que lida com o morrer, confirmando a necessidade da promoção de condições favoráveis à metamorfose e emancipação nos cuidados paliativos diante da terminalidade iminente. As impossibilidades da vida de Estrela refl etem a impossibilidade da sociedade (Ciampa, 1995, p. 227), presa em sua mesmice e re-pondo a desumanidades em má-infinidade, sem autonomia, sem mesmidade, sem emancipação. A identidade da sociedade cria, para as identidades humanas que a formam, uma vida-sobrevivida, não-vivida e, portanto, sem vida não há morte que se mereça viver. Impossibilita-se assumir o Sujeito-que-morre ao destituir o Sujeito-que-vive de sua própria vida. Produz-se morte-macabéa, tão sem dignidade e sem ajuda quanto viveu. Uma sociedade que nos impede de morrer nos mata todos os dias. Estrela, tal como a Severina de Ciampa (1995), reflete a realidade de sofrimento, exclusão e vulnerabilidade da mulher brasileira, trabalhadora, sofredora, mas que não abandona a luta e sonha com seu momento de brilhar. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer – INCA. Cuidados Paliativos. 2022. Disponível em <Cuidados paliativos — Instituto Nacional de Câncer - INCA>. Acesso em 20 de junho de 2024. CIAMPA, A. C. A estória do Severino e a história da Severina: um ensaio de Psicologia Social. 4. ed. 1ª reimpressão. São Paulo: EDITORA BRASILIENSE S.A. 1987-1995. KOVÁCS, M. J. Morte e desenvolvimento humano. 4ª ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1992-2002. KOVÁCS, M. J. A Morte no Contexto dos Cuidados Paliativos. In: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Cuidado Paliativo. São Paulo: 2008. KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer: o que os doentes têm para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes. 5ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1969-1992. LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. RIBAS, A, S; ARAUJO, F de; PORTO, L, G. O luto e a morte na perspectiva do contexto brasileiro de pandemia: uma revisão da literatura. Centro universitário UNA contagem. Curso de Psicologia. 2022.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LAMBERTI, Renan; JUNIOR, João Amâncio do Rêgo; SILVA, Joice Passos Da. ESTRELAS NUNCA MORREM: IDENTIDADE-METAMORFOSE DA PESSOA EM CUIDADOS PALIATIVOS.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270641-ESTRELAS-NUNCA-MORREM--IDENTIDADE-METAMORFOSE-DA-PESSOA-EM-CUIDADOS-PALIATIVOS. Acesso em: 15/03/2026

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