A PRESENÇA DAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS NAS MISSÕES DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA COMUNICAÇÃO EM CAMPO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A PRESENÇA DAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS NAS MISSÕES DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA COMUNICAÇÃO EM CAMPO
Autores
  • Kamila Ágatha Lovizon
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270596-a-presenca-das-forcas-armadas-brasileiras-nas-missoes--desafios-e-potencialidades-da-comunicacao-em-campo
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Jornalismo humanitário; Desastres socioambientais; Operações militares humanitárias; Jornalismo incorporado; Embedded journalism.
Resumo
Este trabalho investiga o papel do jornalista civil incorporado às tropas militares brasileiras em operações de caráter humanitário, especialmente aquelas desencadeadas por crises climáticas extremas. A pesquisa parte da hipótese de que a presença do jornalista embedded pode contribuir para ampliar a transparência, fortalecer a comunicação de risco e atuar como agente de educação climática e mobilização social. O estudo dialoga com referenciais teóricos do jornalismo humanitário (Scott; Wright; Bunce, 2023) e da comunicação de risco (Amaral; Loose; Girardi, 2024), além de considerar debates contemporâneos sobre a militarização da ajuda humanitária (American Security Project, 2012) e a importância da comunicação em missões militares (Nasser, 2012). O ponto de partida é a intensificação dos eventos climáticos extremos e seus efeitos desproporcionais sobre populações vulneráveis. Nesse cenário, o jornalismo assume função estratégica ao informar, contextualizar e mobilizar a sociedade, contribuindo para a resiliência comunitária e para a justiça climática (Victor, 2021). No Brasil, as Forças Armadas têm desempenhado papel central em operações de apoio humanitário, sob coordenação do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), com missões de resgate, logística e assistência emergencial, distintas das atividades estritamente militares de defesa. Estruturas especializadas — como o Esquadrão Pelicano, na Força Aérea, voltado a busca e salvamento — ilustram a complexidade logística dessas operações. É nesse ambiente que emerge a figura do jornalista incorporado, cuja atuação exige novos olhares sobre os limites éticos, técnicos e políticos da prática jornalística. A metodologia proposta adota abordagem qualitativa, estruturada em três eixos complementares: (1) revisão bibliográfica sobre jornalismo humanitário e comunicação de risco; (2) entrevistas semiestruturadas com jornalistas militares e civis, bem como comandantes envolvidos em operações humanitárias; e (3) observação participante da pesquisadora enquanto jornalista incorporada a uma missão real das Forças Armadas. A triangulação desses métodos busca oferecer uma análise aprofundada das práticas, lacunas e desafios na cobertura jornalística em cenários de emergência climática. Quatro questões norteiam a investigação: (1) Quais desafios enfrentam os jornalistas na cobertura de eventos climáticos extremos? (2) Como as narrativas jornalísticas podem influenciar a percepção pública sobre mudanças climáticas e justiça ambiental? (3) De que modo o jornalista embedded contribui para a conscientização social sobre a atuação militar em contextos de desastre? (4) Quais caminhos podem fortalecer uma cobertura ética, inclusiva e socialmente comprometida nesse campo? O estudo também se ancora em definições institucionais: segundo o Manual de Campanha de Operações de Ajuda Humanitária do Exército Brasileiro (Brasil, 2023), desastres e catástrofes representam fenômenos naturais ou antrópicos que impactam gravemente sociedades e ecossistemas, demandando resposta imediata. Nesse contexto, as Forças Armadas são frequentemente mobilizadas, o que desperta debates sobre a tensão entre apoio e militarização da ajuda. Parte da literatura defende que o suporte militar é essencial em ambientes instáveis, enquanto outros alertam que a condução militarizada pode comprometer a neutralidade humanitária e a confiança das comunidades.A pesquisa identifica ainda uma lacuna significativa: a produção acadêmica sobre jornalistas civis integrados às tropas é incipiente, em contraste com a vasta documentação institucional produzida pelas próprias Forças Armadas. A comunicação oficial, embora tecnicamente estruturada, tende a enfatizar a construção da imagem institucional, ao passo que a cobertura jornalística independente busca problematizar, escutar e contextualizar. Cobrir missões humanitárias não pode restringir-se à emissão de boletins ou imagens institucionais; exige compromisso ético com a pluralidade de vozes, especialmente as das populações afetadas. Estudos recentes reforçam esse caminho. Scott, Wright e Bunce (2023) mostram que o jornalismo humanitário rompe normas tradicionais ao priorizar crises negligenciadas e dar visibilidade a grupos marginalizados. Victor (2021) defende que o foco do jornalismo em cenários de desastre deve ser o “como” se narra, respeitando a dignidade das vítimas e ampliando seus direitos. Já o Manual de Amaral, Loose e Girardi (2024) recomenda práticas de comunicação de risco que evitem a espetacularização e a revitimização, valorizando narrativas éticas e socialmente comprometidas. A análise preliminar do campo aponta para uma cobertura ainda escassa e frequentemente pautada por discursos oficiais. O imediatismo e a espetacularização reduzem a compreensão pública sobre os impactos sociais e ambientais das crises, além de invisibilizar o cotidiano das populações atingidas. Nesse contexto, o jornalista incorporado apresenta potencial estratégico para ampliar a transparência das operações, aproximar as Forças Armadas da sociedade e qualificar a narrativa pública sobre desastres. Sua presença pode romper barreiras históricas entre imprensa e militares, fortalecendo a confiança social e garantindo o direito à informação. A contribuição original desta pesquisa está na articulação entre teoria, prática e experiência vivida, incorporando o relato da própria pesquisadora como jornalista integrada a uma missão. A inclusão da observação participante amplia a compreensão sobre a interface entre jornalismo, ajuda humanitária e justiça climática, fornecendo subsídios para protocolos, práticas e diretrizes que qualifiquem a cobertura de desastres no Brasil. Ao propor caminhos para uma comunicação mais transparente e inclusiva, o estudo busca consolidar o jornalismo embedded como ferramenta essencial de mediação entre Estado, Forças Armadas e sociedade em tempos de emergência climática.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LOVIZON, Kamila Ágatha. A PRESENÇA DAS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS NAS MISSÕES DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA COMUNICAÇÃO EM CAMPO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270596-A-PRESENCA-DAS-FORCAS-ARMADAS-BRASILEIRAS-NAS-MISSOES--DESAFIOS-E-POTENCIALIDADES-DA-COMUNICACAO-EM-CAMPO. Acesso em: 16/03/2026

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