ANÁLISE COMPARATIVA DA BUSCA POR TERAPIA INDIVIDUAL NO SUS: DIFERENÇAS ENTRE HOMENS E MULHERES NO ESTADO DE SÃO PAULO (2020-2024)

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

DOI
10.29327/9788578146337.1270509  
Título do Trabalho
ANÁLISE COMPARATIVA DA BUSCA POR TERAPIA INDIVIDUAL NO SUS: DIFERENÇAS ENTRE HOMENS E MULHERES NO ESTADO DE SÃO PAULO (2020-2024)
Autores
  • Caique Pala Silvestre
  • Ana Carolina Bressanin
  • Ana Claudia Scatigno Bruno de Paula
  • Juliana Risso Pariz
  • Valéria Calipo
  • Eliana Isabel de Moraes Hamasaki
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270509-analise-comparativa-da-busca-por-terapia-individual-no-sus--diferencas-entre-homens-e-mulheres-no-estado-de-sao-
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Psicologia, Saúde Pública, Gênero, Sistema Único de Saúde (SUS)
Resumo
A psicoterapia individual no SUS representa importante dispositivo de cuidado singularizado capaz de enfrentar desigualdades estruturais na saúde mental (BAPTISTA FILHO, 2000). A pandemia de COVID-19 intensificou demandas emocionais, agravando desigualdades de gênero preexistentes (ROCHA et al., 2023; BROOKS et al., 2020). A masculinidade hegemônica, caracterizada por autossuficiência, invulnerabilidade e resistência emocional, constitui barreira ao acesso masculino aos serviços de saúde mental (SANTOS et al., 2021; SILVA, 2006). Durante a pandemia, a interrupção de espaços tradicionalmente masculinos e o confinamento doméstico confrontaram esses estereótipos, resultando em resistência ao cuidado (SANTOS et al., 2021). As mulheres enfrentaram sobrecarga adicional nos cuidados, redução no acesso a serviços reprodutivos e aumento da violência doméstica (REIS et al., 2021). Este estudo quantitativo, comparativo e retrospectivo analisou diferenças entre homens e mulheres na busca por psicoterapia individual no SUS paulista (2020-2024), investigando como construções de gênero e impactos pandêmicos influenciaram padrões de acesso. Utilizaram-se dados secundários do DataSUS de indivíduos de 20-59 anos (CERVO et al., 2006). Foram excluídos registros incompletos, atendimentos grupais e dados sem indicação de gênero. Aplicou-se análise descritiva e teste t de Student (p < 0,05). Analisaram-se 50.476 atendimentos, revelando predominância feminina significativa (65,4% vs 34,6% masculino). A disparidade foi maior em 40-49 anos (70,0% mulheres) e menor em 20-29 anos (57,3% mulheres). Observou-se crescimento expressivo: de 5.879 atendimentos (2020) para 15.417 (2024). A diferença de gênero permaneceu constante durante todo o período. A estatística descritiva confirmou: média feminina de 1.650 versus 874 masculina por faixa etária. O teste t demonstrou diferença estatisticamente significativa [t(38) = -4.46, p < 0.001]. Entre homens, maior procura concentrou-se em 50-59 anos, sugerindo fragilização da masculinidade hegemônica diante do envelhecimento. Os resultados corroboram literatura sobre construções de gênero e comportamento de busca por cuidado (REIS et al., 2021). A masculinidade hegemônica afasta homens do cuidado emocional, refletindo internalização de normas sociais prejudiciais (SANTOS et al., 2021; SILVA, 2006). O crescimento da demanda (2020-2022) alinha-se aos efeitos pandêmicos: isolamento, luto coletivo, insegurança econômica (BROOKS et al., 2020; ROCHA et al., 2023). A manutenção das diferenças de gênero sob pressão emocional reforça que barreiras culturais atuam consistentemente como obstáculos ao cuidado masculino (SANTOS et al., 2021). Este estudo evidencia como estruturas sociais, papéis de gênero e crises coletivas moldam o acesso ao cuidado psicológico público. A persistente predominância feminina e baixa adesão masculina apontam para barreiras culturais que demandam intervenções específicas. É fundamental desenvolver políticas públicas sensíveis ao gênero, desconstruindo lógicas de invulnerabilidade masculina e fomentando acolhimento que considere subjetividades masculinas. A psicoterapia individual no SUS oferece potencial para enfrentamento de sofrimentos agravados por desigualdades estruturais (BAPTISTA FILHO, 2000), mas sua efetividade depende de transformações nas bases que produzem desigualdades de gênero na saúde mental. REFERÊNCIAS AMARAL, M. dos S.; GONÇALVES, C. H.; SERPA, M. G. Psicologia Comunitária e a Saúde Pública: Relato de experiência da prática Psi em uma Unidade de Saúde da Família. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 32, p. 484-495, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-98932012000200015. Acesso em: 01/03/2025. BAPTISTA FILHO, E. As psicoterapias no contexto de saúde pública. 2000. 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Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

SILVESTRE, Caique Pala et al.. ANÁLISE COMPARATIVA DA BUSCA POR TERAPIA INDIVIDUAL NO SUS: DIFERENÇAS ENTRE HOMENS E MULHERES NO ESTADO DE SÃO PAULO (2020-2024).. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1270509-ANALISE-COMPARATIVA-DA-BUSCA-POR-TERAPIA-INDIVIDUAL-NO-SUS--DIFERENCAS-ENTRE-HOMENS-E-MULHERES-NO-ESTADO-DE-SAO-. Acesso em: 05/03/2026

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