“PEQUENOS SUJEITOS, GRANDE MERCADO”: APONTAMENTOS SOBRE O CAPITALISMO COMO RELIGIÃO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
“PEQUENOS SUJEITOS, GRANDE MERCADO”: APONTAMENTOS SOBRE O CAPITALISMO COMO RELIGIÃO
Autores
  • Thales Martins dos Santos
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1269955-pequenos-sujeitos-grande-mercado--apontamentos-sobre-o-capitalismo-como-religiao
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Capitalismo; Religião; Mercado; Psicanálise
Resumo
A partir de Walter Benjamin e outros teóricos, em diálogo com a teoria psicanalítica, apresentamos a tese do capitalismo como religião, uma vez que o sistema de mercado capitalista assumiu as funções que no passado pertenciam à religião, tais como a de dar um universo de significado comum à toda comunidade, o sentido último à vida e às mortes e sacrifícios demandados pela dinâmica própria da ordem social, e legitimar a totalidade da ordem social através de mecanismos de sacralização ou de absolutização dos seus fundamentos. Nosso trabalho pretende problematizar a absolutização do mercado num contexto de aumento da desigualdade, onde milhares vítimas são consideradas culpadas em razão de sua vulnerabilidade. O mercado se tornou o critério ético, e toda a vida humana está submetida às suas leis, por isso, trabalhamos com a hipótese de que o mercado foi divinizado na sociedade atual. A partir disto, recorremos à Max Weber que, na obra Ciência e Política: Duas Vocações, afirma: “Quem governa os deuses é o destino e não uma ciência, seja esta qual for. O máximo que podemos compreender é o que o ‘divino’ significa para determinada sociedade, ou o que esta ou aquela sociedade considera como divino”. Na sociedade neoliberal, o mercado se tornou o deus ao qual a sociedade oferece os seus sacrifícios. A afirmação de que o capitalismo é religião permite modificar radicalmente a compreensão do mundo moderno. A tese central está na afirmação de que o capitalismo não é um sistema social secularizado, mas é ou funciona como uma religião. Essa tese rompe com a visão tradicional do mundo moderno e do capitalismo como livres da religião. Além disso, para que se possa ver o capitalismo como uma religião é preciso repensar o seu conceito moderno comumente utilizado no estudo do que se chama de “campo religioso” ou do “fenômeno religioso”, uma vez que não permite a associação entre o campo econômico e o campo religioso. Para o sociólogo franco-brasileiro Michel Löwy (2000), Max Weber usa a expressão “guerra dos deuses” em referência ao seu argumento de que, na sociedade moderna, onde reina politeísmo dos valores e o conflito insolúvel das crenças básicas (“deuses”) e não temos acesso à verdade transcendente, a luta entre diferentes crenças nunca poderá ser levada a uma conclusão final. Por conseguinte, é necessário fazer uma escolha definitiva. A novidade do mundo moderno não é o desaparecimento da religião, mas sim a modificação ou a construção de uma religião nova: “Atualmente, a religião tornou-se ‘rotina do dia a dia’” (WEBER, 2001). O mundo moderno, com suas ciências, desmagificou a natureza e o mundo, mas não negou o caráter de encantamento do capitalismo como religião, de uma religião capaz de dar o sentido último da vida. Um ponto que surge nesta discussão é o conceito de “sagrado”. Sagrado é uma palavra indo-europeia que significa “separado”. A sacralidade, no seu sentido mais original, não é uma condição espiritual ou moral, mas uma qualidade inerente a algo que a comunidade separa ao perceber como superior e incontrolável. Algo que, enquanto separado, está fora da jurisdição da argumentação racional – que discute a relação meio-fim – e do juízo ético. Vale ressaltar que “por causa das limitações da nossa condição humana, nunca poderemos comprovar a existência ou não do que muitas culturas chamam de deus e descrever suas qualidades. Esse é um âmbito da fé, sempre cultural. Porém, podemos e devemos desvelar e criticar instituições e sistemas sociais que se pretendem ser absolutos, sagrados ou divinos” (SUNG, 2021). Ou ainda, como afirmou Horkheimer: (1976, p. 103): “Não podemos representar o absoluto, não podemos, quando falamos do absoluto, afirmar muito mais que isto: o mundo em que vivemos é algo relativo”, e que “qualquer ser limitado – e a humanidade é limitada – que se considera como o último, o mais elevado e o único, se converte em um ídolo faminto de sacrifícios sanguinários”. Ao lermos Ludwig Von Mises, um dos principais nomes da Escola Austríaca de Economia, entenderemos algo que Benjamin já havia considerado. Para Mises, “por mais que um homem tenha conquistado riqueza para si, é mera fração em relação à ambição que o impulsionou. Sempre há, diante de seus olhos, pessoas que tiveram sucesso onde ele fracassou” (2008, p. 11). O sujeito, em conflito com o desejo, sofre constantemente pela culpa de não ter aquilo que supostamente deseja ter. Logo, desejo e culpa são questões prementes que se colocam à clínica psicanalítica. Na psicanálise, essa questão é discutida, por exemplo, com Dany-Robert Dufour que, comentando a citação acima de Weber, reafirma a permanente guerra de deuses na sociedade, isto é, um Outro que alimenta a sujeição dos homens. Para Dufour, atualmente, o mercado corresponde a uma tentativa de produzir um novo grande Sujeito. A nossa pesquisa, em andamento, pretende apresentar que o mercado reduz o ser humano, impedindo-o de ser mais, porque o escraviza numa relação contratual permanente. Nisto, surge a necessidade de projetos alternativos que ampliem as relações humanas para a liberdade.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Thales Martins dos. “PEQUENOS SUJEITOS, GRANDE MERCADO”: APONTAMENTOS SOBRE O CAPITALISMO COMO RELIGIÃO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1269955-PEQUENOS-SUJEITOS-GRANDE-MERCADO--APONTAMENTOS-SOBRE-O-CAPITALISMO-COMO-RELIGIAO. Acesso em: 07/03/2026

Trabalho

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