EXPOSIÇÃO PRÉ-NATAL À CANNABIS SATIVA: IMPLICAÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO FETAL E NEONATAL

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
EXPOSIÇÃO PRÉ-NATAL À CANNABIS SATIVA: IMPLICAÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO FETAL E NEONATAL
Autores
  • Nathaly Cortes
  • Thalma Ariani Freitas
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Biomedicina
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1269037-exposicao-pre-natal-a-cannabis-sativa--implicacoes-para-o-desenvolvimento-fetal-e-neonatal
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Cannabis sativa, Gestação, Desenvolvimento fetal, Pré-natal.
Resumo
A gestação é um processo fisiológico dinâmico, caracterizado por intensas transformações anatômicas, fisiológicas, psicológicas e sociais que possibilitam o desenvolvimento de um novo ser humano. Durante esse período, o feto passa por etapas críticas de crescimento, nas quais órgãos e sistemas se formam progressivamente (Chang; Rosenthal, 2024). O acompanhamento pré-natal é considerado essencial para identificar precocemente alterações maternas ou fetais, prevenir complicações e promover um desenvolvimento saudável (Drogas na gestação e seus agravos, 2016). No Brasil, esse cuidado é garantido como direito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece assistência multiprofissional voltada não apenas para a saúde física da gestante, mas também para a promoção de hábitos que reduzam riscos à formação do bebê. O presente estudo tem como objetivo avaliar os potenciais danos da exposição intrauterina à Cannabis sativa, enfatizando repercussões no desenvolvimento fetal e pós-natal. Trata-se de uma revisão narrativa de literatura, fundamentada em artigos científicos, diretrizes médicas e documentos institucionais nacionais e internacionais publicados entre 2002 e 2024, disponíveis em bases como PubMed, SciELO e UpToDate. Foram incluídos estudos originais, revisões sistemáticas, capítulos de livros e relatórios técnicos que abordassem a relação entre uso de cannabis e gestação. O consumo de substâncias psicoativas durante a gravidez configura um problema crescente de saúde pública. Entre as drogas ilícitas, a Cannabis sativa é a mais consumida mundialmente (Ribeiro; Marques, 2002). No entanto, a naturalização do seu uso contrasta com os riscos documentados pela ciência contemporânea. A planta contém mais de 400 compostos químicos, entre eles canabinoides, terpenos e flavonoides, sendo os principais responsáveis por seus efeitos farmacológicos os canabinoides. Estes se dividem em psicoativos — como Δ⁸-THC, Δ⁹-THC e 11-hidroxi-Δ⁹-THC — e não psicoativos, como o canabidiol (CBD) e o canabinol (CBN) (Ribeiro et al., 2005). O Δ⁹-THC é considerado o mais potente, capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e a placenta, acumulando-se em tecidos lipídicos e prolongando sua ação. Do ponto de vista fisiopatológico, a exposição materna à cannabis durante a gestação interfere no sistema endocanabinoide, que desempenha papel crucial no desenvolvimento do sistema nervoso central, na neurogênese e na sinaptogênese. A ativação inadequada dos receptores CB1 e CB2 em fases críticas pode resultar em alterações estruturais e funcionais no cérebro fetal, repercutindo no desenvolvimento cognitivo, emocional e motor (Jungerman; Laranjeira; Bressan, 2005). Além disso, estudos indicam que a exposição intrauterina está relacionada a maior risco de restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer, alterações no sistema cardiovascular e gastrointestinal, além de distúrbios neurocomportamentais que podem se manifestar desde a fase neonatal até a adolescência (Ribeiro et al., 2016). Evidências epidemiológicas demonstram associação entre o consumo materno de cannabis e aumento da taxa de prematuridade, déficits cognitivos e dificuldades de atenção e aprendizado (Critical Periods of Development, 2023). Crianças expostas intrauterinamente apresentam maior propensão a déficits de memória, prejuízos na linguagem e dificuldades no controle inibitório, o que pode comprometer seu desempenho escolar e social. Também há relatos de maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos, como ansiedade, depressão e esquizofrenia, em indivíduos geneticamente predispostos (Ribeiro et al., 2016; Chang; Rosenthal, 2024). O impacto da exposição não se limita ao período intrauterino. Estudos longitudinais indicam que adolescentes expostos à cannabis durante a gestação apresentam maior risco de uso precoce de substâncias psicoativas, sugerindo que alterações neurobiológicas precoces podem aumentar a vulnerabilidade à dependência (Ribeiro et al., 2005). Esse dado ressalta a importância de compreender a gestação não apenas como uma fase crítica do desenvolvimento fetal, mas como um período capaz de influenciar trajetórias de saúde ao longo de toda a vida. Um aspecto importante é a variabilidade dos efeitos, que depende de múltiplos fatores, como a quantidade consumida, a frequência de uso, o período gestacional em que ocorre a exposição e a susceptibilidade genética tanto da mãe quanto do feto (Ribeiro; Marques, 2002). Ainda que fatores ambientais possam modular a gravidade das consequências, o consenso científico atual indica que não existe nível seguro para o uso da maconha durante a gravidez. A afirmação de que “toda gestação inicia com uma probabilidade de 3 a 5% de ocorrência de defeitos congênitos, conhecida como risco de fundo, mas exposições adicionais, como o uso de substâncias psicoativas, podem elevar consideravelmente essa chance” (National Library of Medicine, 2023, n.p.) resume a complexidade do tema. Conclui-se que a exposição intrauterina à Cannabis sativa representa um fator de risco significativo, capaz de comprometer o crescimento, a formação e a funcionalidade de órgãos e sistemas, além de impactar negativamente a saúde neurocomportamental futura da criança. Assim, reforça-se a necessidade de estratégias de prevenção, orientação e conscientização direcionadas às gestantes, bem como de políticas públicas que ampliem o acesso à informação e ao acompanhamento especializado. A difusão do conhecimento científico sobre os efeitos da cannabis na gestação deve ser prioridade em programas de saúde pública, a fim de reduzir riscos e garantir melhores condições de saúde materno-infantil. Palavras-chave: Cannabis sativa; Gestação; Desenvolvimento fetal; Pré-natal; REFERÊNCIAS RIBEIRO, H. L. et al. Effects of cannabis consumption during pregnancy and in the postpartum period. Revista Debates em Psiquiatria, v. Ano 6, p. 16–24, 1 abr. 2016. Disponível em: https://revistardp.org.br/revista/article/view/138/120. Acesso em: 17 ago. 2025. DROGAS NA GESTAÇÃO E SEUS AGRAVOS: DO FETO AO ADULTO. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/10/Conceio-Segre-Drogas-na-gestao-e-seus-agravos-do-feto-ao-adulto.pdf>. Acesso em: 17 ago. 2025. RIBEIRO M, MARQUES ACPR. Abuso e dependência – Maconha. Associação Brasileira de Psiquiatria. p. 1-10. 13 set. 2002. Disponível em: https://amb.org.br/files/_BibliotecaAntiga/abuso-e-dependencia-da-maconha.pdf. Acesso em: 17 ago. 2025. Maconha já era fumada há pelo menos 2,5 mil anos, revela nova pesquisa. Disponível em: <https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2019/06/encontradas-evidencias-de-fumo-de-maconha-ha-25-mil-anos>. Acesso em: 17 ago. 2025. CHANG, G.; ROSENTHAL, E. Substance use during pregnancy: Screening and prenatal care. UpToDate, 2024. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/cannabis-use-and-disorder-epidemiology-pharmacology-comorbidities-and-adverse-effects#H881985403>. Acesso em: 17 ago. 2025. RIBEIRO, M. et al. Abuso e dependência da maconha. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 51, p. 247–249, 1 out. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ramb/a/m3LVCQcYCcQ6GwQ53CqWzNH/?format=html&lang=pt#:~:text=O%20risco%20de%20depend%C3%AAncia%20aumenta,encaminhados%20para%20aten%C3%A7%C3%A3o%20profissional%20especializada. Acesso em: 17 ago. 2025. Critical Periods of Development. National Library of Medicine. Fev. 2023 Disponível em: <https://www-ncbi-nlm-nih gov.translate.goog/books/NBK582659/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc>. Acesso em: 17 ago. 2025. JUNGERMAN, F. S.; LARANJEIRA, R.; BRESSAN, R. A. Maconha: qual a amplitude de seus prejuízos? Brazilian Journal of Psychiatry, v. 27, p. 5–6, 1 mar. 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/Yg49JdvghXMvz6L6FXHgpMs/?format=html&lang=pt. Acesso em: 17 ago. 2025.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CORTES, Nathaly; FREITAS, Thalma Ariani. EXPOSIÇÃO PRÉ-NATAL À CANNABIS SATIVA: IMPLICAÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO FETAL E NEONATAL.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1269037-EXPOSICAO-PRE-NATAL-A-CANNABIS-SATIVA--IMPLICACOES-PARA-O-DESENVOLVIMENTO-FETAL-E-NEONATAL. Acesso em: 13/03/2026

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