EXPLORAÇÕES EPISTEMOLÓGICAS EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
EXPLORAÇÕES EPISTEMOLÓGICAS EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO
Autores
  • Bruno Profeta Guimarães Figueira
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1268089-exploracoes-epistemologicas-em-ciencias-da-religiao
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
epistemologia; pesquisa; ciências da religião; teologia
Resumo
Assumindo a perspectiva das ciências da religião, interessa-nos, nesta comunicação, a exploração sobre qual o alcance de análise dos modos de expressão da experiência religiosa, que nos dão seu acesso e nos permitem o exercício da reflexão, tendo-se em vista a compreensão do fenômeno religioso enquanto manifestação humana, ainda que remetente à transcendência ou ao divino. Mais especificamente, propomos uma breve exploração das “questões epistemológicas” no processo investigativo desse campo de pesquisa, ou seja, buscamos responder a seguinte pergunta: como se pode conhecer o fenômeno religioso abstraindo-se de sua comunidade de fé? Se consideramos a organização da área de pesquisa 44 dos programas de pós- graduação stricto sensu da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES, 2025), vemos que estão conjugadas as pesquisas tanto em ciências da religião quanto em teologia. Em sobrevoo, é possível apreender que a diferenciação entre os dois campos – pertencentes à grande área de ciências humanas do colégio de Humanidades, na organização da própria CAPES – dá-se no modo de inserção do pesquisador na comunidade de fé de sua pesquisa. Talvez não tanto a profissão de fé propriamente dita, mas a perspectiva de pesquisa desde a profissão de fé (área da Teologia) ou colocando-se suspensa a profissão de fé (área das Ciências da religião). Se a Teologia faz-se “de joelhos”, na expressão popularizada desde Hans Urs von Balthasar (2023), de modo orante ou embebido de espiritualidade, ou seja, desde aquilo que pode-se nomear como a experiência com Deus, o cientista da religião, ainda que confesse a fé daquilo que se propõe a investigar, como que coloca entre parênteses suas crenças com rigorosa ética e honestidade intelectual em finalidade metodológica ou processual de trabalho. Desenvolvemos nossa análise seguindo a ideia de que a pesquisa em ciências da religião reconhece a intricada trama dos fenônemos historicamente constituídos e demandantes de interpretação, considerando suas idiossincrasias, das experiências singulares de uma dada religião (Filoramo & Prandi, 1999) e que as ciências da religião e a teologia interpenetram-se e alimentam-se mutuamente no contexto de sociedades laicas e de grupos religiosos que tomam o pluralismo em seu horizonte (Hervieu-Léger, 2015). Para tanto, reconhecemos a necessidade de explicitação das justificativas e escolhas dos métodos e procedimentos a serem adotados para tal tarefa. Respeitando a singularidade do fenômeno religioso, o pesquisador em ciências da religião deve abrir-se a uma alteridade experiencial na relação que estabelece com seu objeto de estudo; ainda que a própria concepção de objeto não deva remete-se à tradição cartesiana, desde a modernidade que tanto determinou o avanço das ciências e suas aplicações tecnológicas, mas numa compreensão de objeto que sustente as ambiguidades e indeterminações dos fenômenos que constituem o mundo propriamente humano, sem a menor pretensão de totalizá-las. No âmbito das justificativas, a complexidade da vida social organizada em um sistema econômico hegemônico de escala global associado a uma cultura de massa marcada pela tecnocracia, individualismo e consumismo, coloca muitas questões a respeito do lugar de resistência ou de captura ideológica das religiões na sua compreensão. Ao mesmo tempo, a pluralidade de tradições, a desinstitucionalização da vida religiosa e os desafios de uma convivência cada vez mais consciente de suas interrelações em chave ecológica, instigam o desenvolvimento de caminhos de discernimento, diálogo e cooperação entre aqueles que professam diferentes crenças religiosas (e mesmo entre os não crentes). No plano metodológico, a perspectiva da hermenêutica fenomenológica (Josgrilberg, 2012) oferece um arcabouço capaz de sustentar, com rigor conceitual, um modo de apreensão dos fenômenos mesmo e especialmente entre aqueles que não comungam a mesma profissão de fé. Assim, a investigação é realizada desde as manifestações empíricas através da experiência que temos dos fenômenos religiosos, mesmo quando suspendemos nossas próprias crenças compartilhadas com aquela comunidade de fé, deixando-nos tocar por suas manifestações. Essa experiência, portanto, pode ser apreendida enquanto linguagem (Nogueira, 2016), passível de ser descrita e interpretada (dimensões fenomenológica e hermenêutica). Assim, dela se obtém ou elabora algum conhecimento cujo fruto ético, espera-se, seja a mútua compreensão e o diálogo entre os grupos humanos nos diversos contextos. Desse modo, finalmente, antes de qualquer movimento de natureza crítica e valorativa, concluímos que a abertura para a compreensão, mesmo não explicativa, pode servir de antídoto aos vieses acumulados pela inserção inescapável das heranças culturais e religiosas do pesquisador, ainda mais num terreno tão profundamente enraizado na transmissão geracional quanto o religioso. As implicações dessas questões são o encaminhamento e apontamento resultantes dessa proposta de trabalho. Referências BALTHASAR, Hans Urs von. Santidade e testemunho: escritos escolhidos sobre teologia e espiritualidade. Org. Rudy Albino de Assunção. São Paulo: Paulus, 2023. CAPES. Ciências da Religião e Teologia. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt- br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/avaliacao/sobre-a-avaliacao/areas- avaliacao/sobre-as-areas-de-avaliacao/colegio-de-humanidades/ciencias- humanas/CIENCIA_RELIGIAO_TEOLOGIA_DOCAREA_2025_2028.pdf. Acesso em: 15 jul. 2025. CROATTO, Severino. As linguagens da experiência religiosa: uma introdução à fenomenologia da religião. 3.ed. São Paulo: Paulinas, 2010. FILORAMO, Giovanni; PRANDI, Carlo. As ciências das religiões. São Paulo: Paulus, 1999. HERVIEU-LÉGER, Danièle. O peregrino e o convertido: a religião em movimento. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015. JOSGRILBERG, Rui de Souza. Hermenêutica fenomenológica e a tematização do sagrado. In: NOGUEIRA, Paulo A. de Souza (org.). Linguagens da religião: desafios, métodos e conceitos centrais. São Paulo: Paulinas, 2012, p. 31. NOGUEIRA, Paulo A. de Souza; Carbullanca Nuñes, C.; Díaz Araujo, M. Ficção e imaginação no mundo das religiões. Reflexão, v. 47, e226820, 2022. DOI: 10.24220/2447-6803v47e2022a6820. Disponível em: https://periodicos.puc- campinas.edu.br/reflexao/article/view/6820. Acesso em: 15 jul. 2025. NOGUEIRA, Paulo A. de Souza. Introdução. In: NOGUEIRA, Paulo A. de Souza (org.). Linguagens da religião: desafios, métodos e conceitos centrais. São Paulo: Paulinas, 2012, p. 9. NOGUEIRA, Paulo A. de Souza. Religião e linguagem: proposta de articulação de um campo complexo. Horizonte, Belo Horizonte, v. 14, n. 42, p. 240, abr./jun. 2016.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FIGUEIRA, Bruno Profeta Guimarães. EXPLORAÇÕES EPISTEMOLÓGICAS EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1268089-EXPLORACOES-EPISTEMOLOGICAS-EM-CIENCIAS-DA-RELIGIAO. Acesso em: 16/03/2026

Trabalho

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