ACOLHIMENTO ÀS FAMÍLIAS ATÍPICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS DE EXPERIÊNCIAS SENSÍVEIS.

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
ACOLHIMENTO ÀS FAMÍLIAS ATÍPICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS DE EXPERIÊNCIAS SENSÍVEIS.
Autores
  • Érica Cristina Oliveira Campanha
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Educação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1267149-acolhimento-as-familias-atipicas-na-educacao--infantil--narrativas-de-experiencias-sensiveis
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Educação Infantil; Inclusão; Acolhimento; Família; Narrativas.
Resumo
O acolhimento das famílias atípicas na educação infantil emerge como um campo sensível e necessário dentro da perspectiva da educação inclusiva. Mais do que apenas inserir a criança com deficiência no espaço escolar, é fundamental reconhecer o papel ativo e indispensável das famílias, estabelecendo uma comunicação aberta, respeitosa e contínua, pautada na escuta ativa e no reconhecimento de suas preocupações, expectativas e necessidades. Esse vínculo entre escola e família é um dos principais pilares para o fortalecimento da inclusão, pois possibilita que o processo educativo seja construído de forma compartilhada, considerando não apenas os aspectos pedagógicos, mas também as dimensões emocionais e sociais que atravessam a experiência dessas famílias. O presente estudo parte do tema “Acolhimento às famílias atípicas na educação infantil: narrativas de experiências sensíveis” e tem como questão central compreender o que emerge de familiares de crianças atípicas quando refletem sobre o processo de vínculo e parceria com a escola por meio do acolhimento. A hipótese que orienta a investigação considera que o acolhimento e o suporte da escola às famílias são fatores determinantes para a adaptação e aceitação das crianças no ambiente inclusivo, reduzindo barreiras, ampliando a confiança e promovendo a construção coletiva de estratégias que tornem a inclusão efetiva e acessível a todos. Além disso, acredita-se que a comunicação clara e contínua entre escola e família favorece a integração, a valorização da diversidade e a redução de preconceitos, consolidando uma rede de apoio que fortalece não apenas o estudante, mas toda a comunidade escolar. O estado da arte sobre a temática evidencia que, embora as últimas décadas tenham trazido avanços significativos no campo da educação inclusiva e no reconhecimento do vínculo escola-família como elemento essencial (Mantoan, 2003; Sassaki, 2005), ainda são escassos os estudos que abordam o acolhimento sob a perspectiva das experiências sensíveis e da construção mútua de conhecimento. Muitas pesquisas priorizam os aspectos técnicos da inclusão, mas pouco espaço tem sido dado à voz das famílias, às suas dores, lutas e conquistas cotidianas. Essa lacuna torna relevante a abordagem aqui apresentada, que se fundamenta na pesquisa narrativa como instrumento de investigação e de formação (Clandinin & Connelly, 2015; Passegi, 2010), valorizando as narrativas da autora e das famílias como práticas de produção de conhecimento e de construção de sentidos. O referencial teórico mobilizado considera, em primeiro lugar, os aportes da psicologia da família e da pedagogia inclusiva. Minuchin (1974) destaca a família como sistema interdependente, no qual a comunicação, o apoio emocional e a cooperação são essenciais para o desenvolvimento saudável da criança. Ao mesmo tempo, Mantoan (2003) amplia a compreensão da inclusão, argumentando que esta vai além da simples integração, pois demanda a transformação de práticas e posturas na escola e na sociedade. Nesse sentido, a perspectiva de Sassaki (2005) contribui ao afirmar que a inclusão exige que a própria sociedade se modifique, criando condições para atender às necessidades de todos os seus membros. Esse olhar dialógico encontra respaldo em Santos (1999), ao enfatizar que família e escola, como instituições formativas, compartilham a responsabilidade pelo desenvolvimento integral da criança. Leitão (2002) complementa ao apontar os desafios emocionais vividos pela família ao ingressar a criança com deficiência na escola, ressaltando a importância da parceria para reduzir ansiedades e construir caminhos de adaptação. Esses referenciais dialogam ainda com a Declaração de Salamanca (Unesco, 1994), que convoca as escolas a facilitarem a participação das famílias nos processos de decisão, reconhecendo-as como parceiras legítimas na construção da inclusão. Assim, compreende-se que a escola, para se tornar de fato inclusiva, precisa ressignificar suas práticas de acolhimento, indo além do apoio inicial. O vínculo precisa ser continuamente cultivado por meio de escutas sensíveis, respeito às diferenças e abertura para o diálogo. O acolhimento, nesse sentido, assume papel estratégico, pois promove segurança emocional às famílias, reduz medos e fortalece a confiança na instituição escolar. Esse movimento amplia o sentido da inclusão, que passa a ser entendida não apenas como direito assegurado por lei, mas como experiência vivida no cotidiano, permeada por afetos, trocas e aprendizagens mútuas. A pesquisa em andamento tem como objetivo central compreender como o processo de acolhimento é percebido pelas famílias atípicas na educação infantil e de que maneira esse vínculo contribui para a efetividade da inclusão escolar. Para tanto, busca-se analisar narrativas de famílias e da própria autora, a partir de suas vivências em contextos de acolhimento, investigando como a comunicação entre escola e família se estabelece, quais estratégias pedagógicas favorecem esse processo e de que forma as necessidades emocionais das famílias são acolhidas. O caráter narrativo da investigação permite mergulhar em experiências concretas, revelando nuances que muitas vezes não aparecem em pesquisas quantitativas ou mais distanciadas. Nesse percurso, cada história é valorizada como fonte de conhecimento e como possibilidade de transformação das práticas educativas. A justificativa para esse estudo encontra-se no reconhecimento de que as famílias conhecem profundamente as necessidades de seus filhos e podem colaborar de forma decisiva para a criação de estratégias pedagógicas personalizadas. Entretanto, enfrentam barreiras de comunicação, preconceitos e sentimentos de insegurança diante da escolarização de seus filhos. A ausência de um acolhimento efetivo agrava esses desafios, enquanto a construção de um ambiente de respeito e confiança fortalece a parceria e garante uma inclusão mais humanizada. A pesquisa propõe, portanto, contribuir para o debate sobre práticas de acolhimento que promovam o desenvolvimento integral da criança, fortaleçam os laços entre escola e família e possibilitem que a inclusão escolar seja vivida não como imposição, mas como experiência de cuidado, solidariedade e transformação social. Dessa forma, ao iluminar as narrativas de famílias atípicas e de educadores que com elas dialogam, o estudo pretende abrir caminhos para repensar o papel da escola inclusiva, reafirmando a importância da escuta ativa, do acolhimento afetivo e da comunicação transparente como práticas indispensáveis para a construção de uma sociedade mais justa, empática e verdadeiramente inclusiva.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CAMPANHA, Érica Cristina Oliveira. ACOLHIMENTO ÀS FAMÍLIAS ATÍPICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: NARRATIVAS DE EXPERIÊNCIAS SENSÍVEIS... In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1267149-ACOLHIMENTO-AS-FAMILIAS-ATIPICAS-NA-EDUCACAO--INFANTIL--NARRATIVAS-DE-EXPERIENCIAS-SENSIVEIS. Acesso em: 05/03/2026

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