A ÁGUA COMO SÍMBOLO E LINGUAGEM: CAMINHOS PARA REIMAGINAR MUNDOS POSSÍVEIS DENTRO E FORA DE NÓS

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A ÁGUA COMO SÍMBOLO E LINGUAGEM: CAMINHOS PARA REIMAGINAR MUNDOS POSSÍVEIS DENTRO E FORA DE NÓS
Autores
  • Natalhe Vieni
  • Mariana Corrêa Lenk
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1263630-a-agua-como-simbolo-e-linguagem--caminhos-para-reimaginar-mundos-possiveis-dentro-e-fora-de-nos
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Água. Comunicação. Futuro ancestral. Ailton Krenak. Psicologia Analítica. Natureza.
Resumo
Vivemos um tempo marcado por colapsos simultâneos — ambientais, psíquicos, comunicacionais e afetivos. O que chamamos de crise climática é também crise simbólica: a incapacidade de escutar a Terra como corpo vivo e os rios como parentes. O artigo parte dessa urgência para propor uma escuta da água em sua dimensão arquetípica, poética e comunicacional, articulando Psicologia Analítica, Comunicação Social e pensamento indígena, especialmente a filosofia de Ailton Krenak. A pergunta central — como a reflexão sobre a água pode contribuir para reimaginarmos mundos possíveis dentro e fora de nós? — conduz a investigação por três eixos principais. No primeiro capítulo, a água é apresentada como arquétipo do inconsciente coletivo, símbolo de origem e transformação, recorrente em mitos, sonhos e tradições espirituais. Jung (2008) observa que ela “simboliza o espírito que se derrama do inconsciente”, enquanto Bachelard (2002) a define como substância do devaneio. Esses aportes se unem às cosmologias indígenas, que tratam a água como parente, nunca como recurso. Krenak (2022) afirma que o colapso da Terra é também o colapso da imaginação — e, portanto, reencantar o mundo exige reaprender a escutar os rios. No segundo capítulo, a reflexão aproxima o humano e a água. O corpo físico, composto em média por 60% de água, espelha o planeta, que tem 71% de sua superfície coberta por ela. Essa correspondência entre micro e macro revela um vínculo essencial, mas frequentemente ignorado. A crise hídrica é também crise de linguagem: os discursos dominantes tecnificaram a água, transformando-a em estatística, mercadoria e recurso. Contudo, dados recentes mostram a gravidade da situação: entre 2000 e 2019, 44% dos desastres naturais globais foram inundações, afetando 1,6 bilhão de pessoas e gerando perdas de mais de 650 bilhões de dólares (CRED; UNDRR, 2020). No Brasil, tragédias se repetem — mas mais do que a fúria da natureza, são resultado de desequilíbrios humanos e de uma surdez simbólica diante dos rios. Nesse ponto, a comunicação torna-se chave: mais do que transmitir informações, deve assumir sua função ritual, estética e sensível, como defende Muniz Sodré (2021). O terceiro capítulo propõe entrar em contato com as águas não apenas no plano físico, mas no simbólico e poético. A água é metáfora da individuação, processo junguiano que busca integração psíquica. Em arteterapia, a utilização de materiais úmidos, sons aquáticos ou imagens circulares convida à emergência de conteúdos inconscientes, permitindo que a alma volte a sonhar (MAGALDI, 2021). As tradições ancestrais, por sua vez, recordam que a água cura quando compartilhada em rituais, banhos, cantos e oferendas. No entanto, a água também adoece quando violentada por mineração, poluição e monoculturas. A desigualdade social agrava esse quadro: quando a água faltar, não será a mesma falta para todos. Enquanto alguns terão acesso a estoques privados, milhões sofrerão com a sede, o adoecimento e a perda da dignidade. A crise da água é também crise da justiça social. O artigo conclui que a água não é recurso: é rito, é linguagem, é símbolo vivo. A Psicologia Analítica permite compreender sua dimensão arquetípica; a Comunicação Social, sua potência de mediação simbólica; e o pensamento indígena, sua condição de parente ancestral. Reimaginar a água é reencantar o mundo. É romper com narrativas secas, utilitaristas e tecnocráticas para devolver aos rios sua voz poética e política. Como diz Krenak (2022, p. 91): “O mundo não vai acabar. Quem pode acabar somos nós. Mas a água continuará.” Escutá-la, portanto, é gesto de resistência, reconexão e sobrevivência. Dessa forma, o trabalho propõe que a comunicação contemporânea precisa aprender com os ciclos da água — evaporar, cair, correr e retornar — para recriar laços afetivos e coletivos capazes de sustentar futuros habitáveis. A escuta simbólica da água não é apenas exercício acadêmico, mas ato ético e espiritual que pode nos ensinar a viver em meio ao colapso. Porque, em última instância, não há futuro sem rio, nem mundo sem o sonho da água.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VIENI, Natalhe; LENK, Mariana Corrêa. A ÁGUA COMO SÍMBOLO E LINGUAGEM: CAMINHOS PARA REIMAGINAR MUNDOS POSSÍVEIS DENTRO E FORA DE NÓS.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1263630-A-AGUA-COMO-SIMBOLO-E-LINGUAGEM--CAMINHOS-PARA-REIMAGINAR-MUNDOS-POSSIVEIS-DENTRO-E-FORA-DE-NOS. Acesso em: 18/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes