ALEGORIA COMO MEDIAÇÃO ENTRE ESCRITURA E REALIDADE: A PARÁBOLA DOS VINHATEIROS MAUS E OS DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ HOJE

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
ALEGORIA COMO MEDIAÇÃO ENTRE ESCRITURA E REALIDADE: A PARÁBOLA DOS VINHATEIROS MAUS E OS DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ HOJE
Autores
  • Rafael Assiz da Silva Alves
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1263528-alegoria-como-mediacao-entre-escritura-e-realidade--a-parabola-dos-vinhateiros-maus-e-os-desafios-da-lideranca-c
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Parábola; Alegoria; Vinhateiros; Rejeição; Liderança
Resumo
ALEGORIA COMO MEDIAÇÃO ENTRE ESCRITURA E REALIDADE: A PARÁBOLA DOS VINHATEIROS MAUS E OS DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ HOJE Rafael Assiz da Silva Alves A parábola dos vinhateiros maus (Mt 21.33-46) revela um dos momentos mais tensos do confronto entre Jesus e as autoridades religiosas de Jerusalém. O Messias denuncia simbolicamente a infidelidade dos líderes responsáveis por conduzir o povo de Deus. A parábola é marcada pela violência contra os servos enviados e culmina no assassinato do filho do dono da vinha, representando de forma alegórica a rejeição do Filho de Deus. A parábola é uma profecia em forma narrativa, na qual a história da salvação se condensa em drama simbólico. Desde cedo, a tradição patrística leu esse texto em chave alegórica, considerando-o não somente um episódio histórico, mas um paradigma teológico para compreender a relação entre Deus, sua vinha e as lideranças religiosas. Os lavradores são os príncipes e os escribas, que não cuidaram da vinha, mas mataram o herdeiro. A leitura identifica claramente os líderes infiéis de Israel como destinatários da denúncia, mas amplia a interpretação para qualquer realidade onde o povo de Deus seja mal conduzido. O Senhor não retirou o campo, mas os maus trabalhadores. A vinha permanece, confiada a outros que deem frutos. Isso mostra que a infidelidade não esgota a missão da Igreja, mas indica a necessidade de substituição de lideranças quando estas se tornam obstáculos à missão. A hermenêutica patrística, ainda que marcada por seu contexto, oferece uma contribuição essencial para o debate contemporâneo: a alegoria funciona como mediação entre a Escritura e a realidade. A alegoria não é evasão da história, mas sua transfiguração à luz do mistério pascal. Tal perspectiva impede que a parábola seja lida como simples narrativa moralizante ou registro histórico, devolvendo-lhe a força profética de interpelar contextos diversos ao longo da história. No campo sociológico, as estruturas religiosas podem reproduzir dinâmicas de dominação semelhantes às denunciadas por Jesus, o poder simbólico atua como uma forma de poder que se exerce somente com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos. Esse diagnóstico demonstra como lideranças religiosas podem legitimar práticas abusivas por meio de símbolos sagrados. O carisma, quando institucionalizado, tende à burocratização, degenerando em estruturas de poder que se distanciam da experiência originária do Espírito. No Brasil contemporâneo, o contexto neopentecostal se torna um terreno fértil para a aplicação dessa crítica. As igrejas neopentecostais frequentemente “instrumentalizam a religião como recurso de poder e capital simbólico”, utilizando a teologia da prosperidade e práticas de manipulação espiritual para legitimar a autoridade de seus líderes. Essa realidade ecoa o comportamento dos vinhateiros da parábola: usurpadores da vinha, que se apropriam dos frutos sem reconhecer o senhorio de Deus. O Senhor confiou a vinha para produzirem frutos de justiça, mas eles a transformaram em ocasião de violência e morte. Não se trata somente de Israel, mas de todo aquele que, recebendo dons de Deus, os converte em instrumentos de injustiça. Essa leitura amplia a aplicação da parábola, indicando que o problema não se restringe ao primeiro século, mas se repete sempre que a liderança religiosa se distancia da fidelidade ao Evangelho. Assim, a parábola dos vinhateiros maus permanece como denúncia profética contra toda liderança que, ao invés de servir ao Reino, centraliza o poder, mercantiliza a fé e manipula o sagrado. A alegoria funciona como mediação entre a Escritura e a realidade, em sua dimensão espiritual e histórica, torna-se chave hermenêutica para discernir os desafios atuais da Igreja, avaliando a liderança cristã à luz do critério do Evangelho, lembrando que a vinha pertence ao Senhor e a rejeição do Filho é sempre a mais grave forma de infidelidade. O critério último da liderança cristã não é a eficácia institucional nem a visibilidade social, mas a capacidade de permanecer fiel ao Filho rejeitado e agora exaltado como pedra angular (Mt 21.42).
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ALVES, Rafael Assiz da Silva. ALEGORIA COMO MEDIAÇÃO ENTRE ESCRITURA E REALIDADE: A PARÁBOLA DOS VINHATEIROS MAUS E OS DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ HOJE.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1263528-ALEGORIA-COMO-MEDIACAO-ENTRE-ESCRITURA-E-REALIDADE--A-PARABOLA-DOS-VINHATEIROS-MAUS-E-OS-DESAFIOS-DA-LIDERANCA-C. Acesso em: 14/03/2026

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