A FAVELA FALA DE SI: INVESTIGAÇÃO SOBRE A MÚSICA JOVEM PRODUZIDA EM PERIFERIAS E FAVELAS

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A FAVELA FALA DE SI: INVESTIGAÇÃO SOBRE A MÚSICA JOVEM PRODUZIDA EM PERIFERIAS E FAVELAS
Autores
  • Alexandre Eneias Gobbis
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1262197-a-favela-fala-de-si--investigacao-sobre-a-musica-jovem-produzida-em-periferias-e-favelas
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Comunicação, identidade, rap,compreensão, representação
Resumo
Universidade Metodista de São Paulo Programa de Pós Graduação em Comunicação Social A Favela Fala de Si: investigação acerca da música jovem em periferias e favelas Alexandre Eneias Gobbis – aluno de mestrado Orientação: Prof.Dr.Dimas Künsch Palavras chave: Comunicação, compreensão, identidades, representação,rap A presente pesquisa é resultado de uma investigação de dois anos, na qual analisamos letras de músicas de artistas periféricos da cidade de São Paulo, em plena atividade e que alcançam ampla popularidade entre jovens paulistanos e de outras regiões do Brasil. O ponto de partida esteve nas aulas do curso de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, quando surgiu o interesse em observar a expansão do sucesso de artistas de Rap e Funk em nível nacional, muitos deles atingindo circuitos midiáticos variados, chegando inclusive à circulação internacional. O propósito central foi compreender não apenas o alcance desse sucesso, mas também os sentidos expressos nas letras produzidas por esses artistas e a maneira como o público jovem das periferias se identifica com tais discursos. O objeto delimitado para esta investigação concentrou-se nas letras de produções musicais recentes de três artistas selecionados entre os nomes de maior popularidade junto a adolescentes e jovens periféricos da capital paulista. A análise buscou apreender, a partir desses textos musicais, elementos constitutivos da identidade cultural da favela e da periferia, que se expressam tanto em termos de autoafirmação, quanto de denúncia das condições sociais, econômicas e simbólicas às quais esses sujeitos estão submetidos. Nesse sentido, observou-se que a música funciona como espaço de representação social, de enunciação das dores, dos sonhos e das reivindicações de populações que, historicamente, experimentam processos de exclusão e marginalização no contexto da sociedade brasileira. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa seguiu inicialmente a análise de conteúdo, que possibilitou uma leitura sistemática das letras, atentando para recorrências temáticas e estruturas narrativas. Em seguida, incorporou-se a análise hermenêutica, ampliando a compreensão dos significados ali expressos, em diálogo com referenciais teóricos da Comunicação e das Ciências Sociais. Também foi mobilizado o Método Compreensivo, que permitiu um olhar voltado à experiência vivida, ao ponto de vista dos sujeitos que produzem as músicas, sua visão de mundo e as projeções de futuro presentes nas suas obras. A escuta atenta das faixas selecionadas, que compuseram o corpus, complementou o processo de interpretação, ao lado da consideração dos contextos sociais e midiáticos de circulação. Para compreender esses enunciados, a contribuição de HALL (2003; 2006; 2014) mostrou-se essencial, na medida em que sua reflexão sobre identidade cultural evidencia o caráter processual e relacional da construção identitária. As letras analisadas, ao mesmo tempo em que reivindicam pertencimento e expressam diferenças, reforçam o que Hall identifica como “identidades em movimento” – sempre em diálogo com estruturas sociais mais amplas, mas ancoradas nas vivências locais. O Rap e o Funk, nesse sentido, funcionam como narrativas que disputam representações, afirmando o lugar da periferia dentro do espaço cultural nacional. A noção de reconhecimento em Axel Honneth (2003) também se mostrou decisiva para a análise. As músicas observadas revelam uma luta simbólica por reconhecimento social, político e cultural, em um contexto no qual os jovens das favelas enfrentam formas persistentes de desrespeito e invisibilidade. A dimensão estética das letras não se limita ao entretenimento, mas se configura como prática social de reivindicação de dignidade e valorização da própria experiência de vida. A música, nesse quadro, torna-se arena de disputa por autor respeito e autoestima coletiva, ao mesmo tempo em que denuncia as condições de exclusão. Em paralelo, a reflexão de ARENDT (2011), ao tratar da ação e do espaço público, ilumina a compreensão das letras como manifestações políticas, ainda que em linguagem artística. Para Arendt, a ação é sempre plural e implica visibilidade. As músicas dos artistas analisados, ao enunciarem questões da favela e ao circularem amplamente nos meios de comunicação, instauram uma presença pública dos sujeitos periféricos, que não apenas “falam de si”, mas introduzem no debate social novas vozes e perspectivas até então relegadas à margem e ao silenciamento. Assim, a música revela sua potência como espaço de ação política e de constituição de mundo comum. A análise também se apoia em BORDIEU (2003; 2005), sobretudo no que se refere ao conceito de campo e de capital simbólico. Os artistas periféricos investigados transitam em um campo artístico-musical marcado por disputas de legitimidade e por assimetrias de poder em relação à indústria cultural hegemônica. O reconhecimento conquistado por esses jovens decorre de uma estratégia de acumulação de capital simbólico, que se ancora na autenticidade de suas experiências e no respaldo de um público igualmente marcado pela vivência da periferia. Assim, a música popular periférica torna-se prática de resistência e reposicionamento dentro do campo cultural, questionando hierarquias estabelecidas e reivindicando legitimidade estética. Por fim, à luz das ideias de GIDDENS (2009), em sua teoria da estruturação, foi possível a leitura das músicas como práticas sociais que articulam agência e estrutura. Os jovens artistas, ao mesmo tempo em que estão condicionados por estruturas sociais, econômicas e culturais, exercem agência criativa ao narrar suas histórias, construir sentidos e projetar futuros possíveis. A produção musical periférica, nesse enquadramento, constitui-se como prática reflexiva de sujeitos que, mesmo diante de pressões estruturais, são capazes de produzir expressões simbólicas e de ressignificar o espaço da favela dentro do imaginário coletivo de seus habitantes Os resultados alcançados confirmam o Rap e o Funk como vozes legítimas da juventude das favelas e periferias urbanas brasileiras. Essas manifestações não apenas oferecem entretenimento, mas se constituem como narrativas sociais, políticas e culturais, em que os jovens elaboram representações de si mesmos, de seus territórios e de sua condição histórica. O estudo demonstra que a música periférica é lugar de enunciação, luta por reconhecimento e afirmação identitária, mobilizando conceitos que atravessam os campos da Comunicação, da Sociologia e da Filosofia, e reafirmando a potência cultural das periferias urbanas no Brasil contemporâneo. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Referências ARENDT, Hannah. Sobre a revolução. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. BOTELHO, Guilherme. Quanto Vale o Show – O Fino do Rap de Athalyba Man. Editora do autor; São Paulo, 2022, BORDIEU, Pierre. A Economia das Trocas Simbólicas/Pierre Bordieu; introdução,organização e seleção sérgio miceli-6a edição-São paulo, Perspectiva,2005 BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico.6 ed, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. GIDDENS, Anthony. A constituição da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2009. HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. HALL, Stuart. Identidade cultural na pós-modernidade. 11. ed. Rio de Janeiro: DP\&A, 2006. HALL, Stuart; SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. 13. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. São Paulo: Editora 34, 2003.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GOBBIS, Alexandre Eneias. A FAVELA FALA DE SI: INVESTIGAÇÃO SOBRE A MÚSICA JOVEM PRODUZIDA EM PERIFERIAS E FAVELAS.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1262197-A-FAVELA-FALA-DE-SI--INVESTIGACAO-SOBRE-A-MUSICA-JOVEM-PRODUZIDA-EM-PERIFERIAS-E-FAVELAS. Acesso em: 15/03/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes