A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS DA NATUREZA: REALIDADE E DESAFIOS

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS DA NATUREZA: REALIDADE E DESAFIOS
Autores
  • Tiago Misawa Calixto
  • AIRTON RODRIGUES
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Educação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1262038-a-formacao-de-professores-de-ciencias-da-natureza--realidade-e-desafios
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Licenciatura em Ciencias da Natureza, Formação de Professores, Interdisciplinaridade
Resumo
Resumo: A formação de professores de Ciências da Natureza no Brasil passou por um percurso histórico marcado por avanços e retrocessos. Desde as primeiras iniciativas no século XX, passando pelas Licenciaturas Curtas dos anos 1970 até a criação de novos cursos no início do século XXI, observa-se um movimento constante de busca por modelos formativos capazes de atender às demandas da educação básica e às transformações sociais, tecnológicas e científicas, nos últimos 70 anos, a formação docente esteve diretamente associada ao contexto político e econômico do país. A expansão dos cursos de Licenciatura em Ciências da Natureza ganhou força a partir do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído em 2007. O REUNI ampliou o número de universidades federais e campi, criando condições para a abertura de cursos interdisciplinares voltados à preparação de professores para o ensino fundamental e médio. O curso de LCN, por sua natureza, integra conhecimentos de Biologia, Física, Química, Matemática, Astronomia, Geociências e Educação Ambiental, buscando formar profissionais capazes de atuar de forma crítica e interdisciplinar, contudo, um dos principais desafios permanece: não existem Diretrizes Curriculares Nacionais específicas para os cursos de LCN, em geral, as instituições baseiam seus currículos nas DCNs da Biologia, da Física e da Química, o que reforça uma formação fragmentada e, muitas vezes, biologizante. Isso contribui para lacunas na preparação dos professores, que precisam lidar com conteúdos de múltiplas áreas no ensino fundamental e médio, outro problema estrutural refere-se à crise na formação docente no Brasil. Estudos apontam que há déficit de professores em todas as áreas da educação básica, e, em Ciências da Natureza, essa carência é ainda mais evidente. Somam-se a isso a baixa atratividade dos cursos de licenciatura nos vestibulares, os altos índices de evasão e as condições de trabalho precárias que afastam muitos egressos da carreira docente. Segundo o INEP, apenas 38% dos alunos de licenciaturas presenciais em universidades federais concluíram seus cursos em 2021. Nas áreas de exatas, a evasão é ainda maior: cerca de 70% dos ingressantes em Matemática, Física e Química desistiram entre 2012 e 2021. Além disso, dados do Enade 2021 mostram que aproximadamente 20% dos formandos em licenciaturas declararam não ter interesse em atuar como professores, a modalidade a distância (EaD), que se expandiu muito na última década, também enfrenta desafios. Apenas 0,5% dos cursos de licenciatura EaD receberam nota máxima nas avaliações federais de 2020, contra 2,5% dos cursos presenciais. Isso reforça preocupações sobre a qualidade da formação docente, especialmente diante do crescimento expressivo do ensino remoto, apesar desse quadro, iniciativas recentes revelam potencialidades. Algumas instituições têm se destacado pela oferta de cursos bem avaliados. A Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em Dom Pedrito (RS), mantém um curso de LCN com 50 vagas anuais e duração de nove semestres, preparando docentes para atuar no ensino de Ciências e em áreas específicas no ensino médio. O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), campus Guarapari, também criou em 2020 sua licenciatura em Ciências da Natureza, ofertando 36 vagas anuais e recebendo nota 4 (em escala de 1 a 5) na avaliação do INEP em 2023. Além disso, os cursos interdisciplinares de Educação do Campo com ênfase em Ciências da Natureza, oferecidos em estados como Paraná, Rio Grande do Sul e Piauí, apresentaram desempenho elevado em indicadores como o IDD, alcançando notas 4 e 5, o panorama nacional mostra que as LCNs se espalharam por todas as regiões do país, estando presentes em universidades federais, estaduais e institutos federais. No entanto, Espírito Santo e Santa Catarina ainda não apresentavam cursos ativos nessa área até recentemente. O currículo dos cursos é diversificado, mas, em geral, integra disciplinas pedagógicas e científicas, incluindo Biociências, Física, Química, Matemática, Geociências e conteúdos ambientais. Algumas universidades, como a USP, ainda inovam com cursos específicos, como a Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental, em termos de números gerais, dados de 2023 apontam que o Brasil teve 1.374.669 concluintes no ensino superior, sendo 16,9% em licenciaturas — cerca de 232 mil formados. Apesar desse contingente, a proporção de licenciados segue abaixo das necessidades da educação básica. A manutenção de altas taxas de evasão, aliada ao desinteresse de parte dos formados pela docência, compromete o objetivo de suprir a carência histórica de professores, especialmente em Ciências da Natureza e Matemática, dessa forma, os cursos de LCN representam uma tentativa de resposta a esse desafio estrutural, sua proposta interdisciplinar pode contribuir para uma formação mais adequada às exigências atuais do ensino de Ciências, aproximando o trabalho pedagógico da realidade social, cultural e tecnológica dos alunos. No entanto, para que essa potencialidade se concretize, é necessária a criação de políticas públicas consistentes: diretrizes curriculares próprias para as LCNs, incentivos à permanência estudantil, valorização da carreira docente e condições adequadas de trabalho, conclui-se que, embora os cursos de Licenciatura em Ciências da Natureza tenham se consolidado em diversas instituições brasileiras desde o REUNI, sua efetividade ainda depende de ajustes estruturais e de maior reconhecimento político e social da importância estratégica da formação docente. A educação científica de qualidade, aliada à alfabetização científica, é condição fundamental para a formação de cidadãos críticos e preparados para transformar a sociedade, e os cursos de LCN ocupam papel central nesse processo. Referências: ABRES. Estatísticas da Educação Superior 2023. Associação Brasileira de Estágios. Disponível em: https://abres.org.br/estatisticas . Acesso em: 19 ago. 2025. ANFOPE. Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação. Documento final. Curitiba, 2002. APPLE, M. Educação e poder. Porto Alegre: Artmed, 2006. BRASIL. Ministério da Educação. E-mec – Cadastro Nacional de Cursos Superiores. Brasília: MEC, 2023. EMEC. Consulta de cursos de Licenciatura em Ciências da Natureza. MEC, 2024. IFES. Licenciatura em Ciências da Natureza – Campus Guarapari. Guarapari: Ifes, 2023. IMBERNON, R. et al. A expansão das licenciaturas no contexto do REUNI. Revista Brasileira de Educação, n. 16, p. 45-60, 2011. INEP. Taxa de conclusão em cursos de licenciatura nas universidades federais. Brasília: INEP, 2021. KRASILCHIK, M. Prática de Ensino de Ciências. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2000. OLIVEIRA, V.; IMBERNON, R. Diretrizes curriculares e licenciaturas. Ciência & Educação, v. 20, n. 2, p. 289-305, 2014. REDDIT. Discussões sobre evasão em cursos de licenciatura no Brasil. 2020, 2023. Disponível em: https://www.reddit.com/r/brasilnoticias/ . 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Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CALIXTO, Tiago Misawa; RODRIGUES, AIRTON. A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE CIÊNCIAS DA NATUREZA: REALIDADE E DESAFIOS.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1262038-A-FORMACAO-DE-PROFESSORES-DE-CIENCIAS-DA-NATUREZA--REALIDADE-E-DESAFIOS. Acesso em: 13/03/2026

Trabalho

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