ENTRE HERANÇAS E RUPTURAS: IMPACTOS DA MOBILIDADE RELIGIOSA DE FIÉIS PENTECOSTAIS PARA O WORSHIP

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
ENTRE HERANÇAS E RUPTURAS: IMPACTOS DA MOBILIDADE RELIGIOSA DE FIÉIS PENTECOSTAIS PARA O WORSHIP
Autores
  • Diego Jesus
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1258577-entre-herancas-e-rupturas--impactos-da-mobilidade-religiosa-de-fieis-pentecostais-para-o-worship
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Transito religioso; worship; megaigreja.
Resumo
A maneira como cada religião desenvolve sua liturgia, tem forte influência na cosmovisão de seus seguidores e na maneira como agem no mundo. O movimento pentecostal clássico gerou milhares de fiéis ao longo de mais de um século, influenciando uma visão de mundo específica desse movimento, podemos perceber que o trânsito religioso entre igrejas cristãs é fator preponderante nas mudanças psicossociais dos indivíduos. A partir dessa premissa, esse projeto se propõe a investigar as principais mudanças no âmbito social e religioso, entre fiéis que trafegam de igrejas pentecostais clássicas como Assembleia de Deus, para igrejas do formato Worship no município de Embu Guaçu, região metropolitana de São Paulo. Quanto às principais características das igrejas que seguem as tendências atuais, destaco a seguir. A pouco mais de uma década, pesquisadores(as) como Rocha (2016), vêm se debruçando sobre o boom de "igrejas da parede preta" que vêm se multiplicando por todo o país. Entre suas principais marcas, está o perfil estético característico de casas de show, cinema ou teatro somado ao marcante estilo musical Worship, utilizado como ritmo predominante durante toda a liturgia do culto. Esse movimento que permeia diversas denominações, traz frequentemente em sua prédica a teologia do coaching (PAMPLONA, 2016) e sustenta economicamente sua expansão acelerada através da venda de bens de consumo atrelados à fé (ROSAS, 2024). Essa cultura de igreja tem recebido diversas identificações, algumas advindas de pesquisadores e outras mais informais usadas de modo pejorativo, entre grupos que olham esse movimento com estranheza e desconfiança. Entre as definições mais usuais destacamos: “igrejas da parede preta”, “churchs”, “cristianismo descolado” (hipster), cultura “seeker sensitive”, “movimento worship” e outras que fazem referência às características mencionadas anteriormente. A música que hoje é tendência nesse modelo de igreja, também dita a regra para a indústria fonográfica gospel, suas raízes estão no Jesus Movement dos anos 60 nos Estados Unidos (ROSAS, 2015). Em um período de grande agitação e insatisfação com o governo norte americano por conta dos desdobramentos da guerra fria, a cultura hippie florescia em meio aos protestos, música e uso de entorpecentes. No meio religioso o tradicionalismo desgastava algumas denominações, que optaram a acolher membros do movimento hippie necessitados de apoio pelo consumo de drogas, porém, de forma menos rigorosa e como no caso da igreja Calvary Chapel, substituindo a música do rito tradicional eclesiástico, do coral acompanhado por um órgão, pela música com ritmo contemporâneo com letra cristã. Assim nascia o estilo de música cristã que receberia diversas nomenclaturas como contemporary christian music, contemporary worship music ou modern worship music, cada uma de acordo com algumas características distintivas, umas dialogavam mais com o rito eclesial enquanto outras com a cultura secular. A música deixou de ser um aspecto da liturgia interna do culto e passou a ser instrumentalizada para o crescimento de denominações e lucro de grandes ministérios que se expandiram pelo mundo, influenciando não apenas a cultura musical de igrejas de outras nações, mas toda estética interna dos templos e o visual imagético dos grupos de louvor. Segundo Moret (2023), figuras como Rick Warren fundador da megaigreja Saddleback, fortemente inspirado por Donald Mcgavran é um dos arautos do movimento de crescimento de igrejas. Em seu livro “Uma igreja com propósito” Warren (1998) detalha sua metodologia para multiplicação numérica de igrejas, criando um produto ao gosto do cliente, para o autor o worship como estilo musical deve ser o fator determinante para satisfazer as massas. Brian Houston fundador da igreja Hillsong, pode experimentar na prática o crescimento vertiginoso de sua igreja, devido ao sucesso do grupo musical que renomeou a denominação, o Hillsong United se tornou referência para muito além da Austrália, seu país de origem. Essa cultura de megaigrejas, se instaurou no Brasil e rapidamente percebeu a fórmula de sucesso em meio a juventude, o ambiente escurecido lembra um show de rock, logo não traz estranhamento ao não cristão, público alvo a ser alcançado. Além de propiciar uma memória afetiva agradável relativa a ambientes culturais de estética similar, a banda no palco traz a levada da música que o indivíduo já está habituado, a pregação característica da teologia coaching encerra de maneira infalível o processo de “fidelizar” o cliente. É importante lembrar que algumas denominações se abriram apenas de forma parcial para essa cultura, por exemplo, algumas igrejas não contestam o estilo musical, tecem críticas ao nível da psicologia humanista presente nos discursos. O “empreendedorismo de palco” é a expressão cunhada por Ícaro de Carvalho (2016) para se referir a palestrantes coaches, cuja explanação dos discursos são mais imbuídas de mensagens motivacionais e frases de efeito do que exemplos práticos da vivência empreendedora, tem dialogado com igrejas neopentecostais. Entre suas principais características podemos destacar uma forte psicologia humanista e aspectos materialistas para apoiar o indivíduo a ser o melhor que pode ser a fim de conquistar seus objetivos. Os críticos reivindicam que essa mentalidade tem tomado o momento da prédica em muitas igrejas, porém de forma espiritualizada, confundindo fé com força de vontade, pastores com mentores, colocando o homem no protagonismo de suas próprias histórias e tirando o espaço da soberania divina. Assim ao final da investigação por meio de pesquisas qualitativas, pretende-se averiguar entre aqueles que passaram pelo trânsito religioso, o que mudou relativo a filosofia religiosa inerente a cada indivíduo, a noção de profano e sagrado, importância dada à busca do carisma, relacionamento interpessoal com sua comunidade de fé e demais membros do ciclo social, pensamento político e outras particularidades decorrentes dessa mudança. REFERÊNCIAS CARVALHO, Ícaro de. Por que a indústria do empreendedorismo de palco irá destruir você. Medium – O Novo Mercado, 2 fev. 2016. Disponível em: https://medium.com/o-novo-mercado/porque-a-ind%C3%BAstria-do-empreendedorismo-de-palco-ir%C3%A1-destruir-voc%C3%AA-3e18309ab47f. Acesso em: 09 Ago. 2025. MORET, Geandre Melo. Colonizações persistentes, modernismos urgentes: a colonização da subjetividade no gênero musical da contemporary worship e a resistência cultural no modernismo. 2023. 185 f. Orientador: Lauri Emilio Wirth. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2023. PAMPOLONA, Pedro. Teologia do Coaching – A Substituta da Teologia da Prosperidade. Blog Pedro Pamplona, 28 dez. 2016. Disponível em: https://pamplonapedro.wordpress.com/2016/12/28/teologia-do-coaching-a-substituta-da-teologia-da-prosperidade/. Acesso em: 08 Ago. 2025. ROCHA, Cristina. A mega igreja Hillsong no Brasil: a constituição de um campo religioso transnacional entre o Brasil e a Austrália. Plural – Revista de Ciências Sociais, São Paulo, v. 23, n. 2, p. 162–181, jul./dez. 2016. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2016.125085. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=649770040012. Acesso em: 08 Jun. 2025. ROSAS, Nina. Cultura evangélica e “dominação” do Brasil: música, mídia e gênero no caso do Diante do Trono. 2015. 265 f. Orientadora: Cristina Maria de Castro. Tese (Doutorado em Sociologia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Belo Horizonte, 2015. ROSAS, Nina. Deus veste os lírios do campo: o complexo industrial “moda-celebridade-megaigreja” a partir dos exemplos da Hillsong, C3 e Lagoinha. Debates do NER, Porto Alegre, ano 24, n. 45, e140515, 2024. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8136.140515. WARREN, Rick. Uma Igreja com Propósitos. Editora Vida, 1ª edição, São Paulo, 358 páginas, Janeiro de 1998.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

JESUS, Diego. ENTRE HERANÇAS E RUPTURAS: IMPACTOS DA MOBILIDADE RELIGIOSA DE FIÉIS PENTECOSTAIS PARA O WORSHIP.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1258577-ENTRE-HERANCAS-E-RUPTURAS--IMPACTOS-DA-MOBILIDADE-RELIGIOSA-DE-FIEIS-PENTECOSTAIS-PARA-O-WORSHIP. Acesso em: 19/03/2026

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