O PROCESSO PSICOTERÁPICO VOLUNTÁRIO COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM VULNERABILIDADE

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
O PROCESSO PSICOTERÁPICO VOLUNTÁRIO COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM VULNERABILIDADE
Autores
  • Adil Margarete Visentini Kitahara
  • Regiane Girolamo Moisés
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1255328-o-processo-psicoterapico-voluntario-com-criancas-e-adolescentes-em-vulnerabilidade
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Processo psicoterapêutico; Voluntário; Crianças; Adolescentes
Resumo
O PROCESSO PSICOTERÁPICO VOLUNTÁRIO COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM VULNERABILIDADE Drª Adil Margarete Visentini Kitahara Fundação Santo André adil.kitahara@fsa.br Regiane Girolamo Moisés Autônoma regimoyses@yahoo.com.br RESUMO Entender e estudar o comportamento humano é uma das missões da Psicologia, que após a pandemia começou a fazer parte do universo das pessoas. Para o psicólogo realizar um atendimento não é tarefa fácil! Envolve uma série de fatores, mais ainda se este “paciente” for uma criança ou adolescente longe do seu convívio familiar, retirado do seu núcleo comunitário e acolhido em um serviço de acolhimento institucional para crianças e adolescentes (SAICA), denominação antiga de “orfanato”. As profissionais voluntárias são psicólogas numa clínica social, que atendem aqueles que procuram por serviços de acolhimento e outras instituições que realizam atendimentos diversos com crianças e adolescentes em vulnerabilidade. “Clínica Social é uma clínica voltada para a promoção do ser, volta-se para o incentivo da autonomia humana e de sua singularidade: é uma clínica que busca, na convivência, o surgimento das identidades humanas, suas afetações e possibilidades. É uma forma de perceber o ser humano no seu contexto, é uma forma de atuação que se fundamenta na abordagem social dos sujeitos, escapando dos eufemismos e da apropriação como efeito de valor e de captação de clientes” (Conselho Federal de Psicologia, 2022, p. 43). Apresentar o trabalho desenvolvido por psicólogas voluntárias em Clínica Social com início em 2019 tem como objetivo primordial o acompanhamento psicológico e resgatar a identidade dessas crianças e adolescentes elevando a sua autoestima e dignidade para que, fortalecidas, consigam lidar, e talvez transformar a realidade em que vivem e assim romper com o ciclo geracional de violência, negligência e abandono no qual estão inseridas. Entretanto, elaborar um novo repertório de compreensão traz dificuldades, tanto para o profissional quanto para o atendido. Assim, quando estamos frente a frente com uma criança encaminhada para atendimento psicológico sabemos que os únicos elementos com que podemos contar naquele momento são: a criança enquanto uma individualidade única a ser desvendada, a nossa própria individualidade plenamente disposta a compreender e a consciência de que a vida é dinâmica e que para eles, assim como nós, está em constante transformação. A metodologia de trabalho baseia-se numa abordagem psicodinâmica humanizada, sob o olhar de quem são estas crianças e adolescentes, suas principais queixas, vivências e sua evolução. Os atendimentos são presenciais, mas em 2020 foram esporádicos e online para todos os acolhidos com o objetivo de amenizar o recolhimento total e obrigatório no espaço. Durante o ano de 2024 os atendimentos realizados foram presenciais e online de forma híbrida para os adolescentes. Os resultados foram: 90 atendimentos para crianças, 30 para adolescentes e 27 para familiares ou responsáveis, além dos atendimentos para os profissionais dos serviços de acolhimento e instituições parceiras. A discussão dos resultados refere-se às crianças e adolescentes que se encontravam inseridas em um serviço de acolhimento e proteção social, que foram resgatadas de suas famílias por negligência, violência e violação de seus direitos. Essa retirada do seio familiar tem um caráter claro de proteção, por compreender-se que os prejuízos que teriam em sua permanência nesse ambiente poderiam ser altamente prejudiciais para o desenvolvimento delas. Mesmo garantindo sua proteção, sua inserção em uma casa abrigo acarreta transformações nas representações dessas crianças sobre essa condição. A primeira diz respeito à sensação de abandono experenciada por elas, pois mesmo estando agora em local onde será cuidada, alimentada e protegida esse é para ela um novo espaço, diferente de sua casa, de seus pais ou cuidadores: com outras roupas, hábitos diferentes, novas regras e rostos desconhecidos e isso sempre assusta de início e a busca pela segurança e proteção ainda será a lembrança de suas figuras parentais, que mesmo que inadequados são para elas a imagem conhecida e segura. É natural nesse momento que alguns questionamentos apareçam, como por exemplo: por que me deixaram aqui? O que eu fiz de errado? Por que estou separada dos meus amigos e das minhas coisas? É comum em alguns momentos, que as crianças se sintam culpadas por essa condição, pois, por pior que tenham sido os comportamentos ou negligências desses pais, a sensação é de que elas foram punidas. E aprendemos que somos punidos quando fazemos algo errado. E se a punição é ficar longe de tudo que conhece e tem é porque provavelmente o erro cometido deve ter sido muito grande. Aqui também cabe a atuação do psicólogo para esclarecer e orientar sobre esse sentimento. No decorrer dos atendimentos mudanças foram acontecendo como: controle de crises de raiva e de birra, maior concentração nas atividades, mudez que se transformou em histórias faladas e dramatizadas, adolescentes expressaram sentimentos contraditórios e conseguiram elaborá-los, intensificaram os vínculos e afetos reestruturados e validaram suas escolhas, e seus limites; enfim mudanças ocorreram ao longo do processo psicoterápico. Destacamos também os encaminhamentos que foram realizados como: avaliação neuropsicológica em clínica escola sem ônus, atendimento fonoaudiológico com profissional parceira da clínica social, consulta médica e retornos sem ônus para pré-adolescente obeso. Os diversos casos foram estudados e debatidos em supervisão de acordo com as normas éticas. Assim como uma reflexão sobre o papel profissional daquele que por algum tempo dedicou o seu “saber” em função da garantia de direitos dos menores atendidos. Dois acontecimentos foram de grande alegria para todos: a adoção de um casal de irmãos de 11 e 3 anos e de duas irmãs de 9 e 5 anos. Os pais adotivos fizeram contato presencial e online, motivo de satisfação, reforçando assim a importância do trabalho voluntário conjunto com os serviços de proteção da infância e adolescência. Como considerações finais ressaltamos que ao longo do período de atendimento voluntário da clínica social foram vivenciadas ótimas experiências: iniciar e concluir os atendimentos, contando com o apoio do: Serviço de Acolhimento, dos professores de instituição educacional, com os profissionais do CCA e do CAPS com troca de informações valiosas com os técnicos dos serviços de acolhimento, com outros profissionais de diferentes áreas de atuação. Alguns atendimentos deixaram simplesmente de existir, sem que houvesse um encerramento, pois, os atendidos tiveram que sair do Serviço para retornar para a família ou simplesmente porque não queriam, mas que durante os mesmos tiveram toda a atenção necessária e possível. Várias emoções ao longo deste tempo foram vivenciadas pelos profissionais que doaram sua capacidade profissional cientes do seu papel, e sempre acreditando que é possível uma mudança por menor que seja.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

KITAHARA, Adil Margarete Visentini; MOISÉS, Regiane Girolamo. O PROCESSO PSICOTERÁPICO VOLUNTÁRIO COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM VULNERABILIDADE.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1255328-O-PROCESSO-PSICOTERAPICO-VOLUNTARIO-COM-CRIANCAS-E-ADOLESCENTES-EM-VULNERABILIDADE. Acesso em: 14/03/2026

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