O CORPO COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO: TRANSMASCULINIDADES E PRODUÇÃO DE SENTIDOS

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

DOI
10.29327/9788578146337.1254416  
Título do Trabalho
O CORPO COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO: TRANSMASCULINIDADES E PRODUÇÃO DE SENTIDOS
Autores
  • Miguel Trombini
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1254416-o-corpo-como-meio-de-comunicacao--transmasculinidades-e-producao-de-sentidos
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Comunicação, transmasculinidade, corporeidade
Resumo
Dentro do guarda-chuva transgênero, há uma série de identidades e vivências que questionam diversas camadas da cis-heteronormatividade, como é caso dos transmasculinos: pessoas designadas mulheres no momento do nascimento, mas que se identificam dentro do espectro da masculinidade, conforme explica Nery (2018). Segundo o autor, a sociedade vive sob uma visão biologizante do gênero, em que os transmasculinos habitam um entre-lugar. Isso significa dizer que ao ressignificar a noção de masculinidade, esse grupo é visto como aspirante a privilégios machistas, ao mesmo tempo em que suas experiências não são reconhecidas e seus corpos são apreendidos como estupráveis. Trazer a transmasculinidade à tona é tocar na ferida subjetiva da masculinidade: o que é? Quem a inventou? Com qual propósito? A imagem que temos de “ser homem” está diretamente ligada a uma concepção falocêntrica, patriarcal, monogâmica, branca, heterossexual e cisgênero de mundo. Por isso, vale refletirmos sobre a relação entre comunicação e transmasculinidades, em especial por meio dos corpos destes sujeitos, pois os nomes que damos às coisas são, simultaneamente, uma forma de estabelecer limites e de gravar repetidamente uma norma (Butler, 2019), ou seja, não há o que podemos chamar de “homem original” – ou “mulher original” –, e sim reproduções de uma cis-heteronormatividade. O objetivo deste trabalho não é oferecer respostas definitivas, e sim dar pontapés iniciais para começar a explorar a intersecção entre transmasculinidades e comunicação, com atenção especial para a forma como esses corpos se comunicam e de que maneira essa comunicação pode ser articulada na cultura e na política. Marilena Chauí (1995) aponta que o corpo segundo a noção espinosiana é relacional: constituído de relações internas e externas com outros corpos e da capacidade de afetar e ser afetado. Os corpos, portanto, são forças que não se definem apenas por choques ao acaso, e sim por relações e processos de composição e decomposição (Deleuze, 1993). Silva (1999) sublinha que cada ação do corpo sugere contextos inéditos e realidades provisórias intra e extracorpo. Nesse sentido, a transmasculinidade se enquadra nas chamadas “masculinidades subordinadas” (Connell, 2003), que se afastam daquelas consideradas hegemônicas que são, entre outras coisas, cisgênero e heterossexuais. Antes mesmo de nascermos, nossos são corpos classificados por meio de um exame de ultrassom: menino ou menina. Essa determinação vem acompanhada de expectativas de comportamento e estereótipos que determinam, segundo a perspectiva cisgênero, o que é ser homem e mulher, e isso nos rege ao longo da vida. O que não podemos esquecer é que esse corpo, que é atravessado por códigos e normas está, acima de tudo, encarnado (Ribeiro, 2023), portanto ele é uma abertura para o mundo e nos traz para o campo perceptual: é a nossa primeira instância de significação e também o que nos permite significar (Merleau-Ponty, 1994). Desse modo, não há como desvincular a consciência ou a dimensão subjetiva do corpo físico, pois ambos se encontram no seio de qualquer experiência que nos atinge ou que nós produzimos. O corpo possui uma dimensão pública, pois é o que se apresenta para o outro, o que é visível ao outro e compreendido pelo outro. Isso implica, portanto, o conjunto de significantes que constitui uma cultura, que pode ser reafirmado, desafiado, subvertido ou questionado por meio das corporalidades, ou seja, é a partir das normas, das referências, dos valores e dos padrões presentes na cultura que os corpos são hierarquizados (Louro, 2022). Experiências não normativas se apresentam, principalmente, por meio do discurso, que compreende práticas sociais de diferentes origens (Fairclough, 1992), e isso inclui, também, o corpo e como ele se apresenta. Gênero, corpo e discurso andam lado a lado, de modo que o corpo é “considerado o primeiro veículo de comunicação e expressão utilizado pelo ser humano [...] como meio de produção de linguagem” (Gardin, 2008, p. 75). Quando Butler (2022) fala de inteligibilidade, ou seja, do que pode ser compreendido e assimilado, ela inclui nesse escopo não apenas ações governamentais como determinantes do que é ou não inteligível, mas também saberes e discursos que, simbolicamente, estabelecem o que é concebível e o que não é. Com base nessas hierarquias, os transmasculinos, por meio de seus corpos, discursos, vivências e posicionamentos, moldam os próprios espaços e reivindicam seus direitos e a legitimação do seu ser e existir no mundo. O corpo, então, comunica: ser transmasculino envolve a autopercepção do sujeito a respeito do seu corpo, a imagem que se reproduz externamente acerca destes aspectos e o quanto esse indivíduo é ou deixa de ser digno de direitos básicos na sociedade – a partir dos significados que seu corpo produz e comunica.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

TROMBINI, Miguel. O CORPO COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO: TRANSMASCULINIDADES E PRODUÇÃO DE SENTIDOS.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1254416-O-CORPO-COMO-MEIO-DE-COMUNICACAO--TRANSMASCULINIDADES-E-PRODUCAO-DE-SENTIDOS. Acesso em: 13/03/2026

Trabalho

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