GÍRIAS NO TELEJORNALISMO – UM ESTUDO DO SP1

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
GÍRIAS NO TELEJORNALISMO – UM ESTUDO DO SP1
Autores
  • Erika Peselli
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Comunicação
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1252885-girias-no-telejornalismo--um-estudo-do-sp1
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Gíria, sociolinguística, telejornal, SP1, discurso jornalístico, semiótica.
Resumo
RESUMO: A pesquisa desse projeto é analisar uso das gírias usadas no discurso jornalístico, especificamente do telejornal SP1 , veiculado pela Rede Globo de Televisão. Serão analisados os percursos semânticos das gírias, desde sua criação nas periferias da cidade de São Paulo até sua aplicabilidade no telejornal. O principal objetivo é avaliar se o uso dessas expressões no telejornalismo contribui para aproximar a mensagem do telespectador, facilitando a compreensão das notícias. Considera-se relevante estudar as gírias e sua repercussão diante dos valores sociais, uma vez que constituem um meio de interpretar o universo contemporâneo e compreender os efeitos que os canais de comunicação exercem sobre os receptores. O problema desse projeto é: “Em que medida o emprego de gírias no telejornalismo favorece a aproximação da mensagem com o telespectador”? As hipóteses são: Primária - O uso das gírias no SP1 contribui de forma significativa para a aproximação entre apresentador e telespectador, promovendo uma comunicação mais empática, acessível e identificável com o público local. Secundária - A presença das gírias no discurso do SP1 indica uma presença de legitimação da linguagem informal do telejornalismo, refletindo uma adaptação às práticas linguísticas cotidianas da audiência paulista. O objetivo principal desse projeto é refutar a ideia que o uso das gírias constitui um empobrecimento da língua, propondo uma análise crítica sobre sua identidade no contexto linguístico. Já os objetivo específico é abordar a análise do telejornal SP1, com a intenção de compreender a conexão da linguagem gíria com o público-alvo, investigando como essas expressões influenciam na linguagem do telespectador. Como fundamentação teórica, este estudo utilizará obras e autores como: Maria Cecilia Magalhães Mollica, William Labov, Dino Fioravante Preti, Guilhermo Orozco Gomes, José Martinez de Toda y Terrero, Lucia Santaella, Marcos Bagno, Cremilda Medina, Patrick Charaudeau, José Luiz Fiorin Monteiro, entre outros. Além dessas referências, serão consultados artigos e dissertações que abordam o tema, compondo assim, uma pesquisa do estado da arte. Pretende-se apresentar conceitos sobre o fenômeno gírio, discutindo a perspectiva de diversos teóricos, a interpretação desses signos, sua importância como forma de dialeto sociocultural, o processo de renovação lexical, bem como seu uso em telejornais. Monteiro (2000, p.65) cita o fato de que “um dos preconceitos mais fortes numa sociedade de classes é o que se instaura nos usos da linguagem” e enfatiza que uma variação linguística associa valor social, ou melhor, variantes usadas por pessoas de classes sociais menos privilegiadas, portanto, podem sofrer estigmatização. Quando essa variante, chamada gíria, passa a ser usada por vários grupos, o estigma vai se diluindo pela classe dominante, até ser aceita por completo. Segundo Preti (1984), o surgimento da gíria como um fenômeno restrito é decorrente da dinâmica social e linguística inerente às línguas. O autor destaca ainda, que ela é caracterizada como um vocabulário especial, sendo considerada um signo de grupo, a princípio secreto, de domínio exclusivo de uma comunidade social restrita. Preti destaca que, “quanto maior for o sentimento de união que une os membros de um grupo, mais a linguagem gíria servirá como elemento identificador, ou seja, essa linguagem se torna diferenciada, servindo como meio ideal de comunicação, e de autoafirmação desses indivíduos”. Marcos Bagno (1999) acredita que o combate ao preconceito linguítsico, deve ser iniciado nas escolas, pois os professores são importantes formadores de opinião. O autor reconhece, por mais que isso seja triste, que o preconceito linguístico existe, e está aí, firme e forte. “Não podemos ter a ilusão de querer acabar com ele de uma hora para a outra, porque isso só será possível quando houver uma transformação radical do tipo de sociedade em que estamos inseridos” (Bagno, 1999, p. 164). Ele ainda ressalta que vivemos em uma sociedade de discriminação onde tudo que é diferente, deve ser excluído. Acredito também que podemos praticar alguns pequenos atos subversivo, uma pequena guerrilha contra o preconceito. Aceitar a ideia de que não existe erro de português. Existem diferenças de uso em relação à regra única proposta na gramática normativa.” (idem). O autor Patrick Charaudeau traz uma profunda e interessante análise do discurso nos telejornais, do qual os apresentadores desenvolvem uma certa encenação, e passam ser um pivô com discursos diversos, exercendo uma dupla função de interface, por um lado entre o mundo referencial e o telespectador, por outro entre o estúdio. (Charaudeau, 2015, p.229) “O contato entre o estúdio e telespectador se estabelece desde a abertura do jornal, por saudações do apresentador que se acha instalado em seu lugar de exercício profissional”. Ao longo da mesma edição esse mesmo apresentador, vai construindo uma imagem de enunciador personalizado, que se expressa como se estivesse falando a cada indivíduo da coletividade dos telespectadores, solicitando o máximo de atenção e tentando criar um vínculo, através de emoções, alternância de tons de voz, escolha de palavras determinadas, ou seja, criando estratégias de discurso personalizado para se aproximar do público. Esta pesquisa adota uma abordagem metodologicamente mista, combinando procedimentos de natureza qualitativa e quantitativa. A pesquisa será de natureza exploratória, uma vez que se propõe a analisar um fenômeno linguístico pouco explorado em estudos anteriores, e serão usados procedimentos técnicos por meio de pesquisa bibliográfica e estudo de caso, especificamente no contexto do SP1 da TV Globo. A princípio, será realizada a coleta de dados das gírias veiculadas ao telejornal SP1. Para análise quantitativa dessas expressões, será aplicado um questionário estruturado composto exclusivamente por perguntas fechadas, contendo 05 (cinco) perguntas, elaborado no formato do Google Forms, do qual será enviado eletronicamente (via e-mail e WhatsApp) para 10 telespectadores do referido telejornal. Segundo Gil (1998), “o questionário envolve a elaboração de perguntas para coletar dados de um grupo específico, visando responder um problema de pesquisa”. Para a coleta e análise das gírias, 04 (quatro) edições do SP1 serão assistidas e decupados minuciosamente pela pesquisadora. As gírias identificadas no telejornal serão identificadas, contabilizadas e interpretadas, com base em dicionários especializados, ou quando necessário, de forma empírica. Justifica-se a realização desse estudo pela compreensão de que o fenômeno gírio está presente no cotidiano social, desempenhando um papel significativo nas interações diárias. Embora haja estudos sobre a linguagem no jornalismo e sobre as mudanças no SP1, poucos trabalhos se dedicam a observar especificamente o uso de gírias nesse contexto. Esse vazio justifica a relevância dessa pesquisa, que busca analisar como as gírias aparecem no discurso do SP1, e qual sua função comunicativa. O uso de gírias pode funcionar como elemento de aproximação, mas precisa ser dosado para não comprometer a imagem de seriedade do veículo. No caso do SP1, a credibilidade é construída tanto pela autoridade do apresentador quanto pela adaptação da linguagem ao contexto local. Essa negociação entre formalidade e informalidade torna-se crucial para a análise proposta. A adoção de palavras regionais e de gírias pode ser compreendida, como uma forma de dar visibilidade à linguagem real da população, reforçando o papel do telejornal como reflexo da sociedade urbana.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PESELLI, Erika. GÍRIAS NO TELEJORNALISMO – UM ESTUDO DO SP1.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1252885-GIRIAS-NO-TELEJORNALISMO--UM-ESTUDO-DO-SP1. Acesso em: 14/03/2026

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