EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NA IGREJA PENTECOSTAL DEUS É AMOR: ROMPENDO COM O ESTIGMA DO ANTI-INTELECTUALISMO

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NA IGREJA PENTECOSTAL DEUS É AMOR: ROMPENDO COM O ESTIGMA DO ANTI-INTELECTUALISMO
Autores
  • Anderson Naressi
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1252566-educacao-teologica-na-igreja-pentecostal-deus-e-amor--rompendo-com-o-estigma-do-anti-intelectualismo
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Anti-intelectualismo; Pentecostalismo; IPDA; Educação Teológica.
Resumo
Historicamente, o pentecostalismo, ao se consolidar no Brasil, caracterizou-se por uma linguagem religiosa acessível e por forte ênfase na experiência emocional e espiritual, em detrimento de uma racionalidade formal ou de dogmas rígidos. Essa abordagem facilitou a adesão popular, especialmente entre as camadas menos favorecidas, ao proporcionar senso de pertencimento e uma fé espontânea. Contudo, essa valorização da experiência sobre o intelecto gerou um estigma de anti-intelectualismo, no qual o estudo teológico formal era visto com desconfiança e, por vezes, como ameaça à pureza da fé (Pommering, 2015, p. 87). Nas Assembleias de Deus, por exemplo, o movimento em direção à valorização da formação teológica foi lento. Segundo Pommering (2015), a teologia entrou pela porta dos fundos nas A.D’s e aos poucos foi adquirindo sua respeitabilidade em algumas camadas desta igreja. Contudo, veladamente permanecem intactos os postulados de rejeição à formação teológica de seus líderes iniciais. Nas entranhas da instituição permanecem as ideologias contrárias à formação teológica. Como prova disto, têm-se os constantes discursos ouvidos nas pregações que discriminam o estudo teológico (Pommering, 2015, p. 90). Tal resistência está enraizada no modo como a conversão pentecostal é vivida, pois a intensidade da experiência espiritual muitas vezes leva à percepção da racionalidade como algo enganoso. Isso explica por que algumas pregações ainda apresentam críticas ao intelecto, associando-o à perda da espontaneidade da fé. Assim, mesmo nos contextos onde a educação teológica avançou, subsiste uma herança cultural de desconfiança, marcada pelo predomínio da emoção sobre a reflexão (Pommering, 2015, p. 15). Essa tensão entre emoção e razão tem raízes mais profundas na história religiosa latino-americana, Westhelle (1995, p. 24) lembra que as tradições teológicas europeias, católica e protestante, foram transplantadas e impostas aos povos locais, cuja produção teológica carecia, naquele momento, de desenvolvimento formal. Nesse contexto, o equilíbrio entre devoção e racionalismo torna-se fundamental, pois, para algumas pessoas, o excesso de racionalismo esvazia a vitalidade da fé, enquanto, para outras, a emoção desmedida compromete a coerência teológica. Para Pommering (2015), a postura pentecostal de resistência ao estudo acadêmico pode ser compreendida como uma reação a uma teologia considerada “fria e alienante”, com o objetivo de preservar a emotividade, a espiritualidade e o conforto oferecido àqueles que não tiveram acesso ao ensino formal. Nesse sentido, esse posicionamento crítico dentro do pentecostalismo pode ser interpretado como uma forma de contraponto a uma teologia rotulada como excessivamente “racional”, “fria” e distante da vivência cotidiana. A adoção desse modelo teológico, segundo essa perspectiva, poderia comprometer aspectos fundamentais da fé, como a experiência com o Espírito Santo (Pommering, 2015, p. 95-96). No caso da IPDA, fundada em 1962, a ênfase inicial não esteve na educação teológica, mas na aquisição e manutenção de emissoras de rádio, que impulsionaram sua expansão nacional e internacional. A Escola Dominical, embora presente, recebeu pouco incentivo institucional e publicações específicas sobre o tema foram pontuais (Mendonça, 2009, p. 133). A institucionalização do ensino teológico na IPDA pode ser dividida em três fases. Primeira, a partir de 1996, marcou a criação de uma escola que oferecia aulas de português, espanhol e fundamentos doutrinários da própria denominação. A segunda fase corresponde ao surgimento do Curso Bíblico Deus é Amor (CBDA), com docentes preparados internamente, sem reconhecimento de formações religiosas ou acadêmicas externas (Mendonça, 2009, p. 113). Por fim, a terceira fase, iniciada em 2016, foi marcada pela criação do Seminário Teológico Deus é Amor e, posteriormente, da Escola Teológica Deus é Amor (ETDA), o que levou à burocratização do processo educacional e à formalização de um departamento específico para o ensino. Esses esforços evidenciam que, assim como nas Assembleias de Deus, o movimento “ipedeano” de valorização da formação teológica é lento, mas presente, ainda que fortemente influenciado pela lógica institucional eclesiástica (Pommering, 2015). A criação da ETDA representa um marco de mudança paradigmática, pois a IPDA passou a buscar a sistematização do conhecimento teológico e doutrinário, equilibrando, de forma ainda incipiente, a experiência prática e a revelação espiritual com a formação formal. Esse processo, no entanto, não ocorre sem tensões. A necessidade de preservar uma identidade doutrinária rígida, um dos pilares históricos da denominação, coexiste com a abertura a uma estrutura educacional que, por sua natureza, estimula questionamento e análise crítica. Como destaca Lopes (2011, p. 33), “a educação teológica não deve privilegiar a apologética”; precisa ser dialogal, mesmo diante de pressões internas e externas. A institucionalização do ensino teológico na IPDA pode, assim, ser vista como resposta estratégica aos desafios contemporâneos, como a crescente complexidade social e a diversidade de informações religiosas acessíveis em diferentes plataformas. Portanto, a IPDA busca hoje conciliar a formação teológica formal com a preservação de sua identidade doutrinária por meio de um processo gradual de institucionalização educacional. Tal movimento enfrenta resistências históricas enraizadas no anti-intelectualismo pentecostal, mas também abre caminhos para a formação de líderes e membros mais preparados para dialogar com as demandas atuais da fé e da sociedade. De forma crítica, observa-se que a IPDA, ao investir em uma formação teológica formal, enfrenta o desafio de transformar a cultura eclesial sem provocar rupturas identitárias. O risco de uma formação excessivamente fechada, voltada apenas à defesa da própria doutrina, incorre em reproduzir o anti-intelectualismo em novos moldes, mantendo os líderes em um “circuito fechado” de conhecimento. Por outro lado, uma abertura indiscriminada ao diálogo acadêmico pode gerar questionamentos que desestabilizem as bases teológicas que sustentam a denominação. O equilíbrio entre esses extremos determinará se a IPDA conseguirá formar líderes capazes de dialogar criticamente com a sociedade.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NARESSI, Anderson. EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NA IGREJA PENTECOSTAL DEUS É AMOR: ROMPENDO COM O ESTIGMA DO ANTI-INTELECTUALISMO.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1252566-EDUCACAO-TEOLOGICA-NA-IGREJA-PENTECOSTAL-DEUS-E-AMOR--ROMPENDO-COM-O-ESTIGMA-DO-ANTI-INTELECTUALISMO. Acesso em: 05/03/2026

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