ESPIRITUALIDADE, NEURODIVERSIDADE E ESPECTROCÍDIO: REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE A INCLUSÃO RELIGIOSA

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
ESPIRITUALIDADE, NEURODIVERSIDADE E ESPECTROCÍDIO: REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE A INCLUSÃO RELIGIOSA
Autores
  • Rodrigo Vieira De Freitas
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Ciência da Religião
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1247687-espiritualidade-neurodiversidade-e-espectrocidio--reflexoes-criticas-sobre-a-inclusao-religiosa
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
neurodiversidade, capacitismo, espectrocídio, espiritualidade, autismo.
Resumo
A espiritualidade e a participação em comunidades religiosas constituem dimensões centrais para pertencimento e acolhimento. Contudo, quando modos de vida e expressão autistas se afastam das normas valorizadas – comunicação, sensorialidade e ritualidade – o espaço eclesial tende a produzir silenciamento e inadequação. Este trabalho parte do paradigma da neurodiversidade (Walker, 2021), que entende o autismo como forma legítima de existência, articulando crítica ao capacitismo e problematizando as tensões entre normatividade religiosa e presença autista. Propõe-se a noção de espectrocídio (Freitas; Franco, 2025), compreendida como o apagamento simbólico e espiritual das subjetividades autistas em contextos cristãos. A análise aponta que práticas de cura, testemunhos de transformação e interpretações que vinculam diferença a pecado ou possessão reforçam a normalização, exigindo camuflagem e desempenho como condição de pertencimento. O objetivo é oferecer subsídios teóricos e práticos para uma inclusão autêntica que reconheça a diversidade neurológica como parte integral da criação. A presença autista em comunidades religiosas revela tensões entre espiritualidade e normatividade. O paradigma da neurodiversidade desloca o foco do indivíduo para as estruturas de exclusão (Walker, 2021). O capacitismo (Campbell, 2009) opera definindo padrões desejáveis de capacidade, desqualificando corpos divergentes. A Teoria Crip (McRuer, 2006) mostra como a exigência de funcionalidade atua de modo normativo, tornando a diferença um problema. Elisabeth (2021) diferencia “traços autistas” de “trauma autista”, evitando reducionismos que tratam estratégias de sobrevivência como sintomas. Nesse cenário, o espectrocídio religioso designa práticas que apagam ou neutralizam formas autistas de vida em nome da cura. Analisar criticamente o impacto das práticas religiosas sobre a experiência autista em contextos evangélicos; introduzir o conceito de espectrocídio religioso como categoria analítica. Propor caminhos teológicos e práticos para uma inclusão que não condicione pertencimento à normalização. Pesquisa teórico-conceitual, com abordagem qualitativa, fundamentada em revisão narrativa de literatura e produção própria vinculada à dissertação em andamento. Utiliza-se análise crítica do discurso, estudos críticos da deficiência e filosofia da diferença, incorporando a experiência vivida como pessoa autista como lugar epistemológico legítimo. O espectrocídio religioso manifesta-se em discursos e práticas que associam autismo a pecado, possessão ou falta de fé. Testemunhos de cura e narrativas de superação operam como mecanismos de disciplina, pressionando pessoas autistas a mascarar ou suprimir traços centrais de sua identidade. Esse processo compromete saúde mental, agência epistêmica e dignidade espiritual. Para enfrentá-lo, são necessárias transformações teológicas e práticas: revisão de leituras que demonizam a diferença, acessibilidade comunicacional e sensorial (roteiros visuais, previsibilidade litúrgica, espaços de regulação), além da participação ativa de pessoas autistas na construção comunitária. A escuta das vozes autistas deve orientar mudanças e evitar que adaptações sejam superficiais ou pontuais. A verdadeira inclusão religiosa não se reduz à presença física. Exige deslocar a responsabilidade da adaptação do indivíduo para a transformação comunitária. O combate ao espectrocídio requer revisões teológicas e institucionais que reconheçam a neurodiversidade como parte da criação. Valorizar formas autistas de espiritualidade, como hiperfoco, silêncio, stims e literalidade – significa acolher experiências sem reduzi-las a desvios. Assim, a tensão entre norma e diferença pode se tornar oportunidade para uma espiritualidade plural, ética e comprometida com a dignidade autista. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAMPBELL, Fiona Kumari. Contours of Ableism: The Production of Disability and Abledness. London: Palgrave Macmillan, 2009. ELISABETH, E. Autistic trauma, autistic traits: a conceptual distinction. 2021. FREITAS, Rodrigo Vieira de; DE FRANCO, C. Espectrocídio religioso: o autismo diante da violência da cura e da pureza. Estudos de Religião, v. 39, n. 1, p. e2025–005, 2025. DOI: https://doi.org/10.15603/2176-1078/er.v39n1pe2025-005. McRUER, Robert. Crip Theory: Cultural Signs of Queerness and Disability. New York: New York University Press, 2006. MINGUS, Mia. Moving toward the ugly: A politic beyond desirability. 2011. WALKER, Nick. Neuroqueer Heresies: Notes on the Neurodiversity Paradigm, Autistic Empowerment, and Postnormal Possibilities. San Francisco: Autonomous Press, 2021.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FREITAS, Rodrigo Vieira De. ESPIRITUALIDADE, NEURODIVERSIDADE E ESPECTROCÍDIO: REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE A INCLUSÃO RELIGIOSA.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1247687-ESPIRITUALIDADE-NEURODIVERSIDADE-E-ESPECTROCIDIO--REFLEXOES-CRITICAS-SOBRE-A-INCLUSAO-RELIGIOSA. Acesso em: 14/03/2026

Trabalho

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