“VIDA NUA” - ATENDIMENTO A UMA IMIGRANTE BOLIVIANA EM UM HOSPITAL BRASILEIRO: REVELAÇÕES, REFLEXÕES E (IM)POSSIBILIDADES

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
“VIDA NUA” - ATENDIMENTO A UMA IMIGRANTE BOLIVIANA EM UM HOSPITAL BRASILEIRO: REVELAÇÕES, REFLEXÕES E (IM)POSSIBILIDADES
Autores
  • Diane Portugueis
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1233927-vida-nua---atendimento-a-uma-imigrante-boliviana-em-um-hospital-brasileiro---revelacoes-reflexoes-e-(im)possi
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Reflexão Crítica; Atuação do Psicólogo; Formação em Saúde; Migração Sul-Sul.
Resumo
A presente proposta traz reflexão sobre uma das primeiras experiências profissionais da autora, à época, recém-formada em Psicologia, atuante em um hospital geral no Brasil, cuja demanda social era considerável. Aliado ao desafio das consideráveis demandas, despontava uma nova realidade, a recepção e atendimento de pacientes imigrantes, sobretudo, bolivianos. A partir da década de 1980 a presença de bolivianos na cidade de São Paulo se tornou expressiva. Destarte, não se trata de fenômeno recente, mas de um movimento migratório que se iniciou por volta da década de 50. Bolivianos, em geral estudantes, vinham para o Brasil atraídos pelo programa de intercâmbio cultural Brasil- Bolívia. Ao término de seus estudos, muitos não retornavam a seu país de origem, em razão do bom momento e de ofertas do mercado de trabalho paulistano (Silva, 1997).A partir da discussão do atendimento a uma imigrante boliviana consideraram-se aspectos como invisibilização do imigrante, trabalho análogo à escravidão, questões de gênero, precarização da saúde, rechaço a diferenças culturais, violências e luto. De acordo com Nomura (2017) o tema da violência doméstica na população das mulheres migrantes bolivianas tem preocupado a comunidade, tanto nativa, como também aqueles que prestam serviços a essa população. Serrano e Martin (2022) relacionam, em sua pesquisa, o índice de violência doméstica destas mulheres acrescido pela dificuldade de acesso a cuidados em saúde. As autoras apresentam dados alarmantes sobre mulheres bolivianas sofrerem mais violência sexual e física por seus cônjuges ou ex-cônjuges em relação à mulheres de outros países latino-americanos. Acrescenta-se a esta condição de violência o fato que: (...) a maioria das bolivianas que migram para o Brasil vem para trabalhar em oficinas de costura, em condições específicas de trabalho e moradia. A família inteira geralmente mora e trabalha no mesmo lugar, muitas vezes com outras famílias ou indivíduos em condições precárias e com pouca acessibilidade à comunidade e serviços fora da oficina (Goldberg e Silveira apud Serrano e Martin, 2022, p. 212). As referidas autoras acrescentam que, muitas vezes, profissionais de saúde não estão aptos a lidarem com demandas apresentadas pelas imigrantes bolivianas, desta forma, não podem proporcionar cuidados efetivos a esta população. As considerações que elabora a partir do caso que atendi enquanto recém-formada em psicologia envolvem o exercício e manejo de necessária relação empática no trato com a alteridade, considerando reconhecimento, garantia de direitos, boas práticas e manejo junto a equipe multidisciplinar em saúde. Como convite a reflexão final do teor abarcado nesta experiência com a imigrante boliviana em um hospital geral propõem-se o lançamento de desafios para a formação e necessária ampliação do olhar sócio-histórico nos cursos de graduação e também pós-graduação de profissionais da saúde. As nuances deste encontro revelaram uma faceta do atendimento psicológico institucional. O caso envolveu uma questão de gênero, uma questão migratória, de moradia, trabalho análogo à escravidão, a feminização das migrações, questões interculturais e de inserção social. Deste modo, concluo que a humanidade e empatia como pontos centrais do atendimento complementam de modo fundamental os conhecimentos técnico-científicos do psicólogo. Embora não seja o enfoque principal da grade curricular do profissional psicólogo em formação, deve ser algo que perpasse saberes e campos de atuação. O entendimento do psicólogo sobre o sujeito deve transcender aparências, constituindo-se na relação autêntica, sua potência. Por fim, a reflexão proposta lança luzes à necessidade de maior interação e viabilização de conhecimentos interdisciplinares que abarquem o campo de formação do psicólogo, bem como a ampliação de acesso prático-teórico para futuros profissionais da saúde, por vezes, os primeiros a terem acesso às dores ocultas da condição migrante. Palavras-Chave: Reflexão Crítica; Atuação do Psicólogo; Formação em Saúde; Migração Sul-Sul. Referências Bibliográficas Bruscato, W. L; Benedetti, C; Lopes, S. R. A. (2004). Santa Casa de São Paulo: novas páginas em uma antiga história. São Paulo: Casa do Psicólogo. Ianni A.M.Z, Quitério, L.A.D. (2004). Promoção da saúde e meio ambiente no Programa de Saúde da Família: os casos da Barra Funda e Jardim Rio Claro, município de São Paulo. Rev Saúde Soc.; 13(1): 81-91. Melo, R.; Campinas, L. L. S. L. (2010). Multiculturalidade e morbidade referida por imigrantes bolivianos na Estratégia Saúde da Família. O Mundo da Saúde, São Paulo, v.34, n. 1, p. 25-35. Nomura, L. (2017). Bolivianas têm no futebol arma contra violência doméstica e trabalho pesado. Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2017/09/1919822-bolivianas-tem-no-futebol-arma-contra-violencia-domestica-e-trabalho-pesado.shtml. Acesso em: 30. Abr. 2025. Póvoa Neto, H. (2005). A criminalização das migrações na nova ordem internacional. In: Póvoa Neto, H.; Ferreira, A. P. (org). Cruzando fronteiras disciplinares. Um panorama dos estudos migratórios. Rio de Janeiro: Revan, p. 297- 309. Sayad, A. (2000). O retorno: elemento constitutivo da condição do imigrante. Travessia- Revista do Migrante, São Paulo, Centro de Estudos Migratórios, n.1, especial, janeiro. Serrano, S; Martin, D. (2022) Violência doméstica e saúde de mulheres migrantes bolivianas moradoras em oficinas domiciliares de costura na grande São Paulo. REMHU, Rev. Interdiscip. Mobil. Hum, Brasília, v. 30, n. 66, dez., p. 207-226. https://doi.org/10.1590/1980-85852503880006612 Silva, S. A. (1997). Costurando sonhos: a trajetória de um grupo de imigrantes bolivianos em São Paulo. São Paulo: Paulinas. Silva, S. A. (2006). “Bolivianos em São Paulo: entre o sonho e a realidade”. Estudos Avançados. São Paulo, v. 20, n. 57. Viana, L; Pancher, S. (2025). Brasileiros deportados por Trump desembarcam com pés e mãos algemados. Retirado de https://www.metropoles.com/brasil/brasileiros-deportados-por-trump-desembarcam-com-pes-e-maos-algemados. Acesso em 30. Abr. 2025.
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PORTUGUEIS, Diane. “VIDA NUA” - ATENDIMENTO A UMA IMIGRANTE BOLIVIANA EM UM HOSPITAL BRASILEIRO: REVELAÇÕES, REFLEXÕES E (IM)POSSIBILIDADES.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1233927-VIDA-NUA---ATENDIMENTO-A-UMA-IMIGRANTE-BOLIVIANA-EM-UM-HOSPITAL-BRASILEIRO---REVELACOES-REFLEXOES-E-(IM)POSSI. Acesso em: 14/03/2026

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